Fantástico é o mundo de hoje. Inimagináveis possibilidades de interação e aprendizado com as redes de telecomunicações, troca de arquivos, customização de tecnologias, aparelhos pessoais para armazenamento de informações, etc.
--------> Fantástico, pero no mucho.
Eu fico abismado que diante de tanta possibilidade de se coletar algo novo para melhorar nosso caráter, nossa sabedoria ou nosso conhecimento técnico, a média das pessoas que entram na Internet só querem mesmo é virar papagaios das opiniões alheias. São poucos os que têm sensibilidade própria para analisar alguma coisa, fazer um resumo oportuno ou trazer uma visão nova sobre algo. O que se tem, geralmente, é um festival de repasse de links e frases de outros.
Isso tem me assustado ultimamente. Dá a impressão que se caminha para um nivelamento do pensamento e das atitudes em plena "Era do Conhecimento".
Não dá pra dizer que a Internet é a culpada. Eu sempre me pergunto, em casos assim, se isso já não acontecia e a Internet apenas trouxe à superfície visível algo que já se encaminhava. Desde que eu era um aluno de escola estadual eu vejo críticas à educação de jovens.... e lhes garanto, isso foi em um tempo muuuuuiiiiiiiito pré-Internet.
Talvez, a explicação esteja na síntese do livro "The Dumbest Generation: How the Digital Age Stupefies Young Americans and Jeopardizes Our Future (Or, Don't Trust Anyone Under 30)". Seu autor, Mark Bauerlein, tem outros livros sobre literatura, é professor da Universidade Emory, em Atlanta, e ex-diretor de Pesquisa e Análise na Fundação Nacional (americana) para as Artes.
Para ele, entre os problemas que evidenciam um emburrecimento da geração mais jovem, está uma razão muito simples: são jovens e, por isso, imaturos, afobados, deslumbrados e inexperientes. Antes que qq um fique nervoso, pense.
Vc se torna um bom amante só pq deu um beijo, ou mesmo antes de dar qq beijo?
Vc se torna um bom motorista só pq sabe andar de carrinho de rolimã?
Veja um bom quadro sobre os pontos do livro nesse slide show do The Boston Globe "8 reasons why this is the dumbest generation".
Outro ponto, explicado pelo jornalista Gilberto Dimenstein no seu site Aprendiz, no texto "Internet Emburrece?" é que:
"as tecnologias digitais permitiram que os jovens passassem ainda mais horas do dia trocando informações com seus pares, mas, ao mesmo tempo, diminuiu o tempo de intermediação dos adultos nos processos de aprendizado".
Não é realmente o caso de se culpar a Internet. O que me parece é que uma configuração qualquer da sociedade
fez os jovens se distanciarem dos adultos. Dá pra ver que não é a rede por uma coisa que eu vejo há anos no mercado de trabalho. Há uma
juniorização em várias atividades. Muitos jovens assumem cargos de grande responsabilidade sem terem a experiência ideal. Entre as razões para isso está simplesmente a busca por custos menores das empresas. Elas substituem o profissional sênior que ganha mais por um iniciante que ganha menos e não reclama porque acha isso uma grande oportunidade.
Ótimo para empresa, mas péssimo para a continuidade do conhecimento. Mesmo que muito da técnica necessária para a rotina do cargo não vá embora com o sênior e fique nos sistemas, processos e computadores da empresa, a chance de aprendizado que se perde é algo inestimável. Esses caras dispensados são os mentores dos mais novos.
Jovem sem mentor dificilmente consegue ser mais do que chorão e engraçado. São raros os que conseguem ter talento e atitude diante de desafios e novas idéias.
Recentemente, eu vi pessoas da área de publicidade e marketing reclamando disso. Não há quem ensine. Existem sim lá uns megasuperastros da publicidade na diretoria da agência, mas eles são inatingíveis. Lá, no estúdio, na sala, não tem. É tudo um monte de gente da mesma idade, com os mesmos problemas e as mesmas soluções. Falta alguém para se mirar, medir e desafiar (o que é natural para a evolução da pessoa e das idéias). Talvez, por isso mesmo a publicidade brasileira só tenha conseguido produzir essas piadas adolescentes nos comerciais ultimamente.
Acho que esse vácuo criado é que está sendo confundido com a Internet. O que a rede fez foi só aumentar os canais de comunicação entre esses jovens. O problema é que eles não descobriram os mentores ainda na Web. Não é o caso de ficar lendo o
SmartMobs pra ver o que o Howard Rheingold está pensando, ou
segui-lo no Twitter... ou fazer isso com qualquer outro pensador de mídias digitais. É ter alguém como se estivesse na mesa do lado, aquele cara que dá pra tomar café e trocar idéias, que te dá um insight quando reclama da vida e te chama de moleque.
Será que é um campo novo que se abre? Profissão: e-Mentor, especializado em rabugice e ceticismo.