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quinta-feira, 9 de abril de 2009

Crítica sobre a Internet

O editor da revista libertária espanhola on-line La Insignia, Jesús Goméz, concedeu uma boa entrevista à Nova-e, em 2003. Recentemente, esse texto me foi passado pelo João Caribé, na verdade, enviado a um grupo de discussão sobre política e cibercutura do qual participo. Nessa conversa, ele faz uma boa crítica sobre o momento da Internet, as questões sobre o vigilantismo na web e o avanço de grandes corporações no mundo on-line, que hoje são bem claras. É um escrito que me pegou.

É um dos poucos textos, nos últimos anos, que li e li novamente várias vezes para ver se tinha perdido algo. O bate-papo pode ser conferido integralmente nesse link. Mas, eu resolvi destacar umas frases que achei emblemáticas e servem de direcionamento para o futuro do que se pensa sobre Internet.

A rede está cheia de publicações generalizadas, culturais, acadêmicas, etc, que não lêem nada e que não conseguem seus objetivos porque partem de premissas equivocadas.


A Internet é um meio radicalmente democrático para os que têm a sorte de poder acessar.

A Internet está provocando uma verdadeira revolução cultural que, entre outras coisas, têm gerado um novo tipo de cidadão, menos isolado, com mais recursos informativos e, portanto, mais livre, mais exigente.

Como qualquer outro instrumento, a Internet pode ter finalidades múltiplas e, inclusive opostas.

No momento, mil publicações pequenas seguem sem ter nada que se assemelhe ao grau de influência simbólica - de poder social - de um grande meio de comunicação, ainda que, de vez em quando, possam danificar a máquina ou influenciar no processo.

Manter a independência tem um preço muito alto em qualquer meio de comunicação, inclusive na Internet, e, lamentavelmente, nem os leitores, nem os próprios autores, têm consciência da situação geral.

O lingüísta estadunidense Noam Chomsky afirmava que, caso não impedíssemos, a rede terminaria nas mãos das grandes corporações.

Se conseguirmos nos dotar de instituições internacionais democráticas, com capacidade e recursos para impor-se às grandes empresas e aos próprios estados nacionais, temos alguma esperança.

Algumas questões da Internet foram supervalorizadas, ao mesmo tempo em que elementos importantes são tratados por alto.

É indiscutível que a Internet facilita e cria relações que, de outro modo, não existiriam, mas ela não substitui o trabalho de rua, nem nas universidades, nem nos parlamentos.

A verdadeira importância deste meio se encontra na ruptura do isolamento das pessoas.

O Capital (...) quer impedir a todo custo que tenhamos uma perspectiva total dos problema, que nos comuniquemos e estabeleçamos laços e estratégias comuns.

Há interesses de todo tipo, decididos a instrumentalizar e domesticar a Internet. Contudo, não vão conseguir enquanto se continue criando revistas, jornais, malas diretas, blogs e foros de debate da melhor qualidade, além de outros produtos afins.

domingo, 30 de novembro de 2008

O futuro das mídias sociais

Em 1999, o instituto de pesquisas Gartner soltou um documento no qual anunciava o fim dos negócios eletrônicos. "The End of E-Business", escrito por Alex Drobik, causou polêmica na época. Todos estavam ainda entusiasmados com suas pontocoms cheias de dinheiro e idéias. A bolha não tinha estourado.

No documento, entre uma e outra previsão sobre o desastre que cairia sobre as pontocom, Drobik dizia:

"Entre 2006 e 2008, as empresas terão integrado a Internet dentro de seus processos e o e-business estará totalmente acoplado em todas as atividades".

Ou seja, o tal fim que ele declarava no título do artigo era uma espécie de fim metafórico. Mas, não deixava de ser um fim, já que ao não mais se diferenciar do que se chama negócio, o e-negócio na realidade desaparecia.

Usando as próprias ferramentas do Gartner, dá para entender isso. Veja o Hype Cycle.


As tecnologias são lançadas e logo em seguida surge um pico de expectativas em cima delas. É quando elas podem tudo: informar, divertir, derrubar governos, fazer capuccino, lavar, passar, ninar o filho chorão da vizinha, etc. Após isso, vem uma enorme depressão: "puxa, pra que serve essa coisa afinal?". Então, chega-se a fase do amadurecimento, onde ela está perfeitamente adaptada.

Nessa fase última e mais estável, a tecnologia foi absorvida pelo mainstream. No caso do e-business, o que se vê hoje é que não existe outra forma de fazer negócio que não seja "e-" em algum momento. Varejo, fábricas, mídia, gráficas, cinema... tudo é e-business em algum momento.

Agora, vejamos o que aguarda as redes sociais e o que vem a ser o tal "fim dos blogs".

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

O picadinho da inovação (com pimenta)

Tenho um novo passatempo, ler reportagens antigas sobre tecnologia e Internet. É uma atividade aprazível e esclarecedora, embora tenha um efeito colateral grave. Ela te deixa com ar blasé e urticárias déjà vu.

Em pouco tempo, vc começa a notar que o mundo da tecnologia da informação e comunicação (TICs) anda derrapando na mesmice. Muitas das inovações apresentadas são, no fundo, um cozidão das sobras da carne assada da última bolha, servido com pompa, circustância e um nome bacanudo. É um picadinho no bar da esquina que serve PF, mas solenemente e marketeiramente batizado de boeuf bourguignon. (agora gastei o francês... dá até vontade de recitar Rimbaud no original)

Tá certo q não se consegue ser diferente por mais de uma semana hoje em dia. A matriz completa da inovação é um mistério complexo e monstruoso. Segundo o professor da Harvard Business School, Clayton Christensen, ela ainda tem dois caminhos a seguir: ruptura e sustentação. É algo entre "completamente diferente" ou uma "pequena melhoria para manter o quadro atual", ambas com aplicações cabíveis e perigosas. Há várias explicações sobre isso em textos espalhado na web. Procure por "O Dilema do Inovador".

Contudo, as empresas estão adotando em massa somente essa segunda opção. Até aí, tudo bem. Grandes corporações são muito medrosas para dar grandes dribles na mesmice, até porque não têm jogo de cintura pra isso ou temem perder tempo e dinheiro até que tudo seja explicado e assimilado. Costumo falar sobre isso volta e meia aqui no blog ou em bate-papos. Então, elas partem para enfeitar qq lançamento aproveitando-se do momento. Momento é tudo uma espécie de porto-seguro. E inovação tem sido muito substituída por momento.

A ocasião tem sido sinônimo de inovação em muitos casos. Não acredita?

Vejamos um exemplo: mini-notebooks, ou como quer que se chamem. Produtos como o Eee PC, da Asus, enfim.

Esse mercado deve chegar a 5 milhões de unidades em 2008, de acordo com o Gartner. Outros estudos apontam até 13 milhões ainda nesse ano. Em 2012, a previsão é que esse montante seja pelo menos 10 vezes maior. Ou seja, um sucesso de vendas com crescimento geométrico.

Prá mim, eles serão o segundo ou terceiro notebook da classe média e alta (uma espécie de carro 1.0 da informática). Devem também se tornar opções ao OLPC pela facilidade de se achar isso no comércio, manutenção, interface mais conhecida, conteúdo já existente, etc. Com isso, essas cifras saltariam ainda mais.

O sucesso de vendas do Eee PC e essas previsões sobre vendas atiçaram concorrentes da Asus como HP, Acer, Dell e Lenovo (clique nos links aí para ver as novidades de cada um).

Tudo muito moderninho e adequado ao mercado. Certo? Errado. Tudo muito adequado ao mercado, com certeza. Mas, a idéia já tem quase vinte anos.... ou mais. Nada, nada de moderninha.

De volta ao passado
Era 1996, quando o minimamente simpático presidente da Oracle, Larry Ellison, veio à mídia com uma engenhoca esquisita debaixo do braço. A maior empresa de banco de dados do mundo estava lançando um hardware que não tinha nada a ver com seu negócio principal. Era o Network Computer (NC).

A revolução prometida por Ellison era que as máquinas não mais carregariam pesados programas. O sistema operacional rodava em Java e as informações eram armazenadas em servidores na web. O acesso a tudo era feito pelo navegador.

O produto chegaria às lojas por US$ 500. Ellison chegou a dizer US$ 299. Na época, um PC desktop, custava US$ 1,5 mil e um notebook chegava a US$ 3 mil fácil.

A idéia, maluca para alguns, ganhou seguidores de peso. Microsoft e Intel anunciaram imediatamente o NetPC. A Apple também criou o Pippin, que era ainda mais inovador ao juntar o computador com console de games e Internet (outro déjà vu aí pra quem tem PlayStation ou X-box).

Em 2000, não existia mais sombra de qualquer desses projetos. Todos foram engavetados pelas mais diversas razões. Mas, a mais importante delas é que não fizeram o menor sucesso entre os consumidores e não ganharam escala de produção. Dizem que foi pq não havia banda. Outros alegam q era pq foi Elisson q lançou e sua atipatia é contagiante. Mas, eu lembro que a galera queria mesmo é exibir um pomposo desktop Pentium III na mesa com gravador de CD. Nada de aparelhinhos... o negócio era ter aparelhão.

Outros tempos... outros deslumbramentos consumistas de ocasião....

De novo no presente
Hoje, o EeePC e similares estão na boca do povo conectado e fã de gadgets. O que mudou no mundo? Bom, tudo... e nada. Temos mais conexões, maior banda, mais pessoas conectadas, mais computadores de todos os tipos (celulares, inclusive). Temos tantos aparelhos q se tornou legal e cool ter aparelhinhos. A rede se tornou mais importante do que a máquina.

Tudo isso é simplesmente o que John Gage, um dos fundadores da Sun Microsystems já havia previsto, antes da Internet se tornar tão reconhecida. Ele cunhou uma frase q ainda há de ser mais valorizada na história da cultura digital:

"The Network is the Computer",


idéia que se tornou um motto da Sun por muitos anos.

Mudou o que mudou q nada mudou desde a percepção desse engenheiro e executivo da Sun.

As coisas estão esparsas, por aí, meio que sem dono, prontas para serem usufruídas, inclusive idéias boas q não colaram -- mas continuam muito boas. E hoje, tudo é passível de ser econtrado em algum repositório on-line.

Elisson estava certo. Gage certíssimo.

Qto ao Eee PC, acho ele tanto picadinho quanto boeuf bourguignon.

O que me interessa é saber se vou ter o vin rouge da minha experiência para acompanhar. Se o prato foi feito com bouquet garni ou cominho, não me importa. Acho q sou capaz de fazer a inovação disruptiva que Andersen fala por mim mesmo.... a qualquer momento.

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