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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

10 tendências para 2010

Se não me engano, deixei de fazer previsões aqui no blog em 2007. Tudo pq não via grandes coisas que não estavam já sendo discutidas por muita gente perto de mim. Mas, esse ano é diferente. Estou sentindo um certo gap no ar. Tudo que vejo comentado é algo muito específico ou desfocado das grandes macrotendências. Então, resolvi juntar energias geradas por um período de festas longe da Matrix sem conexão e celular para postar minhas idéias (aquelas q ninguém liga mesmo, mas eu sempre me vanglorio delas dois anos depois).

1- Ecogeeks - É simples de entender. São pessoas que gostam de viver num mundo digno e não querem desgrudar das facilidades da tecnologia. Não é nada de notebooks de bambu. Tem mais a ver com sustentabilidade. Baixo consumo, reciclagem dos aparelhos e uso de materiais não-tóxicos na produção, além de produtos que economizam recursos (um serviço na Internet q evite deslocamentos de carro ou avião, por exemplo) são idéias que agradariam a esse público e sei q existem empresas com planos para isso - seja sob a marca ecogeek ou não.

2- Vida Digital Low Cost - os netbooks provaram, na realidade, que o estilo de vida conectado necessita de preço baixo. Com a popularização das tecnologias de comunicação e informação (TICs) avançando para muito além dos nerds e técnicos, qualquer produto desse tipo entra em um novo patamar de prioridade no consumo desse novo público popular e late adopter. A tecnologia está bem atrás na intenção de gastos dessas pessoas. Vem depois da alimentação, educação e lazer - ao menos dessas. Portanto, preço premium não cola mais. Aparelhos com o Android tb devem influenciar essa tendência.

3- Conteúdo pago ou remunerado - Parece uma heresia apostar nisso, mas a essas alturas da nossa experiência na Web já descobrimos que está muito mais fácil se deparar com conteúdo mediano do que diferenciado nas buscas. Culpa do Page Rank, talvez... Certamente um outro fenômeno da popularização da Internet, dos blogs, da Web 2.0 etc. Quanto mais pessoas comuns conseguem acesso e poder de publicação, mais conteúdo comum é produzido. E o sistema comercial sabe muito bem lidar com o esquema "crie a dificuldade para vender a facilidade". E a facilidade hoje é: economizar tempo e conseguir atenção. Muitas pessoas pagariam para achar o que querem ou entrar em contato diretamente com especialistas... sem perder uma ou duas horas no Google. Empresas comuns q viraram mídia ao criarem blogs, sites, perfis no Twitter tb querem alguém q escreva o correto no tempo certo... e pagariam (pouco, é verdade) por isso. Não é q tudo será pago. Simplesmente essa estratégia será mais OK. O sucesso (embora ainda restrito) do Kindle tem a ver com isso... e nem estou citando o cerco sobre os downloads...

4- Web em tempo real - A grande revolução do Twitter nos negócios on-line é ter mostrado que há uma necessidade incrível das pessoas se mostrarem vivas digitalmente. E as empresas, lógico, sentiram que podem interagir com elas a qq momento. Só que isso precisa de ferramentas para ligar esses interesses. Location based applications, buscas q mostram resultados de segundos e sistemas que capturem padrões de comportamento e gerem estratégias comerciais antes que os consumidores mudem de opinião ou local irão bombar.

5- Simpatia por robôs - O computador já se tornou um eletrodoméstico há vários anos. Então, qual seria a próxima techtralha a conviver conosco em casa? Minha aposta: um robô. A evolução deles tem sido espetacular nos últimos anos e, embora pareça que só os japoneses gostem disso, eu acredito que iremos ser mais simpáticos a esses humanos de metal e circuitos em 2010. Provavelmente ainda não iremos comprá-los no Carrefour, mas já começaremos a imaginar como eles ficariam lindos com uma vassoura na mão, contando histórias para os filhos ou ajudando a colocar a lata de arroz em cima do armário.

6- Web anti-social - ninguém gosta de viajar para um paraíso longínquo no litoral e encontrar com o chefe, o colega chato, o primo babaca, o contador e a mina do call center q te cobra a dívida do carnê. Pois, a praia digital que era pra poucos está assim -- muvucada de rotina comum de nossas vidas. A única saída é procurar um local mais deserto ou cercar tudo em um condomínio exclusivo.

7- Todo mundo é hacker - Simplesmente pq nem todo mundo na Internet é geek. Isso irá criar novos problemas de segurança, tão simples de resolver quanto fáceis de criar. É o fim da era romântica dos grandes criminosos digitais e o surgimento da banalização dos cybermeliantes. (OK, eu sei do termo hacker x cracker - o título tem a ver com a falta de maneirismo com a gíria de tecnologia, é baseado na própria tendência).

8- Conflito na classe média - essa fatia da sociedade aumentou no mundo todo, principalmente puxada pelos emergentes Brasil, Índia, China, África do Sul (q tb podem ser chamados de classe média da geopolítica). Mas, são pessoas que têm renda para isso mas não têm serviços básicos. Têm dinheiro mas não estudaram nos colégios quatrocentões. Podem ir ao shopping Iguatemi mas não foram na festa de ontem. E o q faz a classe média dos Jardins qdo encontra seus supostos pares do Capão Redondo? (tá.. eu disse q ñ ia colocar links, mas esse post da @ladyrasta é bem exemplar) Há empregos, clubes, diversão, assunto etc para todos? Não.

9- Contra as massas, petiscos - Cada vez mais as recentes revoluções tecnológicas se provam excelentes ferramentas de cultura de massa. Só que ao contrário da era pré-digital, as mesmas coisas que promovem a padronização também ajudam na diferenciação. Só que não há novidade no caminho da antimassificação. O que resta é sempre família, regionalismo, religião e arte. Tudo que não é grande público vai se tornar cada vez mais interessante para early adopters... seja on-line ou off-line. Quem não sabe por onde fugir da Matrix, encontrará o caminho nisso aí. Somente nesse movimento iremos ver o que o futuro revolucionário reserva.

10- Novo dinheiro - Está cada vez mais claro o declínio da economia dos Estados Unidos. Acho um pouco confuso discutir o fim do império do mal e essas coisas. Mas, uma coisa é certa - fora do domínio do Tio Sam, outras coisas têm mais valor do que o dinheiro. Em países não anglo-saxões, a amizade e a felicidade são mais reconhecidas. Em países pobres, o bem-estar não tem muito a ver com o que o governo te dá.. até pq ele nunca deu muita coisa. Não acho q em 2010 vejamos um novo conceito de valor na moeda tão renovador quanto o acordo de Bretton Woods ou a desvinculação do valor da moeda ao ouro. Mas, algo novo já poderá ser sentido. Quem lida com novas regras de contabilidade da IFRS e ativos intangíveis sabe que existe mudança no ar... O problema é q essa potência dominante e seus pensamentos econômicos surgiram na Segunda Guerra e ninguém quer ver uma Terceira Guerra... mas, a gente já escutou sobre cyberguerras que causam prejuízos financeiros, né ? Mas, qual cyberataque deixaria em ruínas uma sensação de felicidade?

Hipermídia somos nozes - Ops! Essa é a décima primeira previsão... Mas, é só para lembrar que eu tenho lá minhas diferenças com o conceito de hipermídia quando ele é centralizado na produção. Gosto mais quando ele está calcado no consumo. Então, não coloquei links... vcs procuram na web o q acharem mais interessante ou instigante e vão fazendo a leitura não linear de vcs.

H+ - aãããmmmm.. hummm... somente prestem atenção ao pós-humanismo, o humano aprimorado, o mais do que humano. Não é pra 2010.... e um dia escrevo sobre isso e minha idéia de ciborguismo cognitivo.


De resto... um 2010 de muita foda pra combater tanta punheta egocêntrica e improdutiva.
:)

domingo, 15 de novembro de 2009

Trilha sonora inusitada da Web 2.0

Em 2007, quando ainda escrevia para a B2B Magazine mesmo após ter saído de lá (pra quem não sabe, fui editor-chefe da publicação), fiz o artigo Web 2.0 ou Web Chinelão? Era um texto no qual eu alertava para o foco no aspecto demográfico e estatístico do termo e não em qualquer josta de tecnologia. Eram idéias curtas e jogadas, embora tenham ficado interessantes.


Atualmente, acho q o termo Web 2.O poderia ser melhor explicado. A popularização é um sinal evidente de sucesso das redes sociais. Só que ela traz algumas coisas que não são tão legais assim. O problema é que.... continuo com a mesma dificuldade em me expressar de forma concisa longe dos meus trabalhos profissionais - é, não sei se vcs sabem, mas o blog Techboogie não é um problog, isso não é meu lado profissional contabilmente falando.

Então, voltando ao assunto Web 2.0, o máximo que consigo fazer agora para me explicar é uma lista de 10 músicas que são um retrato do atual paradigma. Confira as músicas ou letras nos links... procure as letras ou os links por aí. Tem um tal de Google q parece legal.

Mister Eco - Alvarenga e Ranchinho
O importante hoje em dia não é produzir, é garantir que seja reproduzido. O valor do eco é muito maior do que o valor do emissor. Coisas da blogosfera relevântica movida por métricas que não ganhariam um Prêmio Ignóbil de Economia ou um uma Ratazana em Cannes. E o pior é que na hora H, todos refugam.

Na hora da sede - Clementina de Jesus
O custo da comunicação na Internet, por meio de blogs, redes sociais, virais e coisas do tipo é muito pequeno se comparado às ações normais em jornais, revistas e TV. Todo esse ferramental da web está disponível há alguns anos, mas só agora, em meio a uma crise de grana e credibilidade algumas empresas olharam para isso. E se a fonte secar?

So You Want To Be A Rock And Roll Star? - The Birds
E quem não quer? As celebridades estão aí e todos podem ser nano-pseudo-celebridades tão cheias de energia e vazias de sentido e exemplos como qualquer outra. Afinal, é a era do estrelato on line. Guitarras? Basta um blog. Conhecimento? Ah.. sim... lembro vagamente de alguma teoria sobre isso.

Acquarius - Hair (trilha sonora)
Harmonia, simpatia, compreensão. A tecnologia, usada por todos e levando todos a um novo estágio do convívio social frutífero. São os neo-hippies. E na hipermodernidade, os neo-hippies são meta-yuppies também, cyberpunks de butique, mods da rejeição e almofadinhas do progresso científico popularizado pelos avós. Nesse liquidificador de conflitos de gerações sem tempo ou espaço... coitado de quem é cético.

Como nossos pais - Belchior
É isso aí. Se a elite da Internet brasileira não fosse um stand up pronto para achar um termo, um personagem, um caso para transformar em lucro no adsense, talvez tivesse entendido que... Ah! Deixa pra lá... Estão só imitando as elites anteriores. Eles venceram.

Police On My Back - The Clash
Ainda na web chinelão... Onde tem povo, tem vigilância. Onde tem interesse, tem vigilância. Onde tem lucro, tem vigilância. Segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado, domingo. Mas, o que foi que eu fiz? Foi só um downloadzinho seu puliucia!

Falador Passa Mal - Originais Do Samba
Ah! A fase romântica da Internet. A gente podia se esconder atrás de um avatar e podia falar o que quiser pq confiávamos na impunidade ou na livre expressão. Mas, quem a gente nunca pensou que pudesse responder está hoje também na rede. Ameaças, ordens judiciais, direitos de respostas... são só sabores de um mesmo cenário.

domingo, 30 de novembro de 2008

O futuro das mídias sociais

Em 1999, o instituto de pesquisas Gartner soltou um documento no qual anunciava o fim dos negócios eletrônicos. "The End of E-Business", escrito por Alex Drobik, causou polêmica na época. Todos estavam ainda entusiasmados com suas pontocoms cheias de dinheiro e idéias. A bolha não tinha estourado.

No documento, entre uma e outra previsão sobre o desastre que cairia sobre as pontocom, Drobik dizia:

"Entre 2006 e 2008, as empresas terão integrado a Internet dentro de seus processos e o e-business estará totalmente acoplado em todas as atividades".

Ou seja, o tal fim que ele declarava no título do artigo era uma espécie de fim metafórico. Mas, não deixava de ser um fim, já que ao não mais se diferenciar do que se chama negócio, o e-negócio na realidade desaparecia.

Usando as próprias ferramentas do Gartner, dá para entender isso. Veja o Hype Cycle.


As tecnologias são lançadas e logo em seguida surge um pico de expectativas em cima delas. É quando elas podem tudo: informar, divertir, derrubar governos, fazer capuccino, lavar, passar, ninar o filho chorão da vizinha, etc. Após isso, vem uma enorme depressão: "puxa, pra que serve essa coisa afinal?". Então, chega-se a fase do amadurecimento, onde ela está perfeitamente adaptada.

Nessa fase última e mais estável, a tecnologia foi absorvida pelo mainstream. No caso do e-business, o que se vê hoje é que não existe outra forma de fazer negócio que não seja "e-" em algum momento. Varejo, fábricas, mídia, gráficas, cinema... tudo é e-business em algum momento.

Agora, vejamos o que aguarda as redes sociais e o que vem a ser o tal "fim dos blogs".

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

A morte dos blogs

Sim, já há gente escrevendo sobre isso.
Sim, haverá comoção generalizada da galera conectada
, mas nada q não fosse previsível.

Há links sobre o assunto.
3 visões da morte da blogosfera

- 1
- - 2
- - - - - 3

Todos citam a morte do "espírito dos blogs". Não a obsolescência da tech ou a incompetência de seus mantenedores. Não é esse o nó.

Dizem assim:> "a onda nasceu, agitou, cresceu, está virando marola... e vai sumir".

Pustza novidade!!!
Claro q tecnologia é uma indústria de bolhas!!! Especialmente a Internet é assim.

Mas, é legal analisar.

Quem manja minimamente de teorias da inovação deve se lembrar de como na bolha pontocom as empresas de internet enfiaram os pés pelas mãos ao acharem q estavam criando um mundo novo. Na verdade, estavam consolidando operações já existentes e hiperautomatizando processos já conhecidos.

Claro, sempre surgem coisas que realmente pulverizam modelos e se impõem. O e-Bay, ao acabar com o círculo fechado dos leilões e permitir q uma coleção de gibis tivesse mais lances q um quadro famoso. Ou a Amazon, ao modificar a forma como se gerenciava o estoque e as vendas de livros e CDs. Ou o Google ao arrebentar o modelo de publicidade/catálogo. ---> tudo devidamente movido a $$$ nesse hipercapitalismo. ---> e destruindo modelos se dó, sem parceria, sem servidão.

Os blogs navegaram na mesma onda. Mas, não conseguiram tantos feitos. No geral, blogs têm se mostrado mais uma tecnologia mantenedora de posições e players do que renovadora. Assim como foi a ampla maioria das empresas de Internet puramente pontocom.

É ótimo que milhões de pessoas pelo mundo tenham tido condições de serem seus próprios produtores e canais de distribuição de conteúdo. Isso não volta atrás. Mesmo com a maioria de textos pálidos em termos de criação, sempre houve qualidade na quantidade. Mas, aquela tal revolução q ia acabar com jornais e TVs.... ah... esquece.

Primeiro q essas empresas estavam em crise bem antes da Internet, como sempre faço questão de lembrar. E, agora, após elas terem condições de adquirir toda essa revolução a custos baixíssimos (blogueiros, plataformas, anunciantes e público)... tudo continua como dantes... e se continua assim, pra q se preocupar?

Ganhamos bons cronistas,
surgiram uns redatores tabloidistas de escândalos,
um ou outro empresário para pensar tecnologia social,
e talvez mais algo q me fuja.

Notem que tudo isso está no ponto de se enfiar em modelos e empresas já existentes e revolucionar muita coisa ainda... mas, tudo lá dentro do que já existe.


Há coisas complicadas de entender, outras nem tanto. Tá ligado o blog do Marcos Mion?

E, o q será dos blogs sem aquele ideal utópico? (não sei, e não tenho tanto interesse nesse assunto)

Já que muita gente vai abandonar as armas, haverá um resgate desse espírito revolucionário por outros? (cedo pra dizer. Mas, revoluções idealistas constumam ter esse caminho sim. Saem de Paris e vão para a África... tipo assim.)

E, qual o novo paradigma? (isso sim me interessa, mas ainda não arrisco, estou desistindo do lifestreaming)

E quais blogs famosos monetizados e relevantes vão permanecer como modelo novo? quais vão congelar no tempo? Quais virarão braço de qq outro jornal, ag d publicidade, etc? (isso é uma boa para apostar. Tenho cá uns palpites q ficam para outro dia)

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Dicas de escrevinhar para blogs

Vc tem um blog e não sabe mais sobre o que escrever?
Ou,
não tem e entra em crise toda vez que pensa sobre isso?

Que tal procurar no Google sobre o último estudo do IVC (Instituto Verificador de Circulação)? Nesse link do Meio $ (oooops, &) Mensagem, o mais importante veículo de publicidade do Brasil, há alguns dados interessantes.

A pesquisa detectou um aumento de público de algumas publicações mensais. Vindo nesse momento de aumento de renda, principalmente em quem não tinha acesso ao consumo, é bem interessante.

Temas -- e estilo -- da revista Mundo Estranho, por exemplo, estão em alta. Já os da Rolling Stones Brasil, estão em baixa (parece q, ao contrário do slogan, isso não importa tanto ou não importa desse jeito). Pode haver, nesse último dado, alguma influência da web como concorrente da revista.... eu até acho q sim, Mas, cabe a vc testar e arriscar.

Ah! Sim, claro. Evidente. Essa dica é para quem se preocupa com audiência. Quem não está nem aí pra isso, pode desencanar e continuar a ser original.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Um olho no peixe, outro no Kluster

Há 503 teorias (diárias) e divagações (a cada 2 minutos e em um raio de 1,5 km) sobre as maravilhas da colaboração e como empresas poderiam se beneficiar do crowdsourcing. Só que nenhuma delas fala claramente sobre dinheiro.

Vai ver, é pecado.

Talvez seja. No reino marginal ao neoliberalismo, certamente. E q assim continue para o bem de nossas sanidades. Mas, no mundo q nos acorda toda manhã com jingles no rádio e nos acompanha com anúncios em propaganda indoor de elevadores, o preceito é outro.

Transgressão é não falar em dinheiro. O demônio não são os cifrões.

Isso sempre deixou o papo de colaboração e conteúdo gerado por usuários com uma lacuna, mesmo com previsões otimistas. Como uma pessoa q se dispõe a gastar tempo e ócio para ajudar outra deveria ser retribuída?
Links?
Ok, obrigado, ajude novamente, hein?
Deus lhe pague?

Ben Kaufman, um empreendedor americano queridinho do mundo geekbusiness, parece ter descoberto a solução. Dinheiro. Isso mesmo? O jovem de 21 anos acredita que a grana é a melhor forma de pagamento!!! Ele realmente crê, na contramão de todos, que os colaboradores não são capazes de viver de vento.

Puxa, como ninguém pensou nisso ainda?

Seu mais novo empreendimento, a rede social Kluster, pretende ser uma oficina de idéias. Mas, não há um departamento de P&D esperando entrar o pedido do marketing ou da engenharia de produtos. Quem tem um produto ou idéia para aprimorar coloca lá no site e dá um preço pela colaboração. Dão pitacos os klusterianos que acharem ser um bom negócio. Se o projeto terminar bem e houver lucro, todos dividem conforme anteriormente acordado --- menos 30%, que fica pra Kluster por ter tido essa idéia tão revolucionária. =P

Precisava um rapaz de 21 anos sugerir algo assim? Eu realmente fico perplexo em ver como não se fala em dinheiro quando o assunto é crowdsourcing. Se a conversa é sobre seu primo offline (se é q existe algum tipo de negócio 100% assim hj), o sourcing, sem $$$ não tem papo. Pode até ser que não haja uma transação com dinheiro especificamente, mas haverá um acordo ou parceria que resulte em lucro ou redução de custos para as partes. Por que raios o sourcing é de um jeito e crowdsoursing é de outro? Só um lado deve se beneficiar? Que negócio medieval q fica isso então.

----Mistérios que povoam as cabeças dos 29 consultores de mídias digitais que surgem diariamente nas mesas regadas a cerveja da Vila Madalena e nas filas da Starbucks...

A última grande empresa que não seguiu as recomendações inovadoras do Mr. Kaufman foi a Editora Abril. A dona das revistas Veja, Exame e Pato Donald convidou blogueiros profissionais para promover o novo agregador de conteúdo gerado por usuários, o Abril Blogs. Mas, não falou nada em $$$, conforme escancara esse post do Martelada.

E se falasse?
Poxa, justo a Abril não sabe q isso é só hipercapitalismo? Ah, sabe sim...

terça-feira, 5 de agosto de 2008

O futuro dos blogs

Blogar é comunicar e se expressar. Simples assim. Na verdade, é mais a segunda do que a primeira. Já dizia o poeta italiano Arturo Graf: "se os homens quisessem falar só daquilo que entendem, quase não falariam". Manifestar opiniões e publicá-las para o mundo ver é uma conquista da última década. Blogs também são isso -- liberdade.

Tudo muito bonito, mas isso aqui não é trilha sonora de filme açucarado. A blogosfera está numa encruzilhada. Não tem nada de good morning sweet little world. Excesso de informação, profissionalização, falta de talento, estrelismo e a simples transformação de jovens em adultos (mesmo q ainda tardiamente como um mileurista) estão mudando o que se conhece hoje como blogosfera.

O problema é que esse discurso muito bonito e pomposo está sendo sufocado por uma realidade cada vez mais visível. O excesso de informação está confundindo a cabeça de muita gente. Já em 2005, o Technorati apontava que surgia um blog a cada segundo no mundo. Hoje... bom... hoje esse número não importa, qualquer coisa mais rápida que 1s é descabida.

Eu fico imaginando como seria a reação do mundo se todas as palavras ditas por pessoas se transformassem em imagens e ficassem flutuando no ar. Imagino isso em 1980, sem a Internet como algo diário de nossas vidas como é hoje. Assim, vc diz "oi, como vai?" e essa frase fica planando por aí.

Hoje, isso é o q acontece. Felizmente, todas as opiniões e frases expressas pela humanidade conectada estão somente no ambiente on-line. Ainda posso ir comprar pão na esquina sem tropeçar em um "oi, como vai?" perdido por aí.

Blogueiros pioneiros vão se lembrar que há 5 anos não se tropeçava em coisas dessas por aí na Internet afora. Era preciso procurar muito. E quando se encontrava alguém capaz de dizer algo q ficava flutuando no ar, tangível, comunicado, havia uma identificação imediata. Sempre rolava uma amizade entre esses mágicos da comunicação e expressão.

Só que isso era antigamente. Nos dias de hoje, ter um blog e dizer coisas que ficam expostas para todos verem é como ter uma calça jeans.

Alguém lembra qual o último número divulgado sobre quantas pessoas compram calças jeans no mundo? Não? É pq não existe essa estatística. Isso não importa (a não ser que seja um tema muito específico que necessite desse estudo). Blogs estão nessa mesma situação. Qtos blogs vc tem no armário? E qtos já descartou, doou ou fez pano de chão, almofada ou remendo para outros blogs?

Por outro lado, temos a profissionalização de vários blogueiros. Empresas como Polvora, Live Ad e Knowtec são exemplos disso. O mercado está amadurecendo e isso implica em mudanças, respeito às regras (muitas delas as mesmas que publicidade tradicional e jornais se submetem)... ou seja, algum ponto de nivelamento com o q já existe de tradicional. Só isso já força o surgimento de algo novo. Mas, tem mais.

A profissionalização expôs a lista dos popstars. Blogueiros conhecidos q se conhecem e concentram a atenção de muita gente e já formam um corporativismo. Nenhuma crítica... e nenhuma surpresa aqui. O que já foi amizade entre blogueiros começa a ser relacionamento comercial. Com tanto público e adequação ao sistema sistema comercial, há a possibilidade de se perder a individualidade nisso e dar vez, novamente, ao nivelamento para aumentar ainda mais a audiência e o poder de barganha como um negócio.

Outras forças de mudança, já q isso se dá em mais do que três dimensões: há o surgimento de uma nova gama de ferramentas que permitem a expressão. No último ano, ficaram evidentes os microblogs como o Twitter e serviços como o FriendFeed. Muita gente está preferindo esses métodos para se expressar.

Aí, provavelmente está o ponto principal onde se pode sentir a mudança dos blogs. Há uma procura por uma nova forma de expressão. Algo mais rápido e mais amplo, que não seja só as palavras expressas num local, mas um conjunto de tudo que se faz. É a sua vida exposta, publicada.

Do lado do público, há uma demanda crescente por isso. Não existe nada mais interessante do que ver como as pessoas resolvem seu dia-a-dia. Eu pessoalmente acho q isso se dá pq o mundo está mudando como um todo e estamos perdidinhos procurando respostas para isso. É uma espécie de procura por coisas que nos ajudam a sobreviver. E vamos buscar isso no registro on-line das pessoas que achamos que vão nos ajudar. Provavelmente isso ficará mais forte na medida na qual os mileuristas, a geração à procura de esperança, dominam o mundo.

Nesse contexto, o conceito de lifestreaming (ou lifecasting)parece ser o mais adequado ao futuro dos blogs. Um post no Read Write Web explica bem isso. Mas, já é um termo discutido em outros locais há algum tempo, conforme mostra esse artigo "Welcome to the Naked Generation ", da News.com e esse post do Opiumseed que diz "O entretenimento do "futuro" vai ser o lifecasting.". Eu escrevi sobre o Justin.TV em um artigo publicado na revista B2B Magazine, há um ano.

trechos:

"Não há edição, sua rotina transmitida descarta efeitos que resumem a vida em um pacote de entretenimento. Tudo que é captado é transmitido. Não há truques ou diretor de casting, os personagens são pessoas que ele convive e que aparecem na sua frente. Não há nada além da vontade de ser visto. É o a difusão do seu ponto de vista."
(...)
"É até meio clichê citar a famosa frase de Andy Warhol, "um dia, todos terão direito a 15 minutos de fama ", numa altura dessas, mas um dos melhores (e poucos) textos sobre o Justin.TV, publicado em outubro no NY Times cita o rei da Pop Art logo no título: “A Site Warhol Would Relish”. O verbo é algo como regozijar. Portanto, algo que esse artista tão simbólico das mudanças na sociedade sentiria muito prazer em experimentar.
Mas, Warhol está morto. Assim como os cineastas Jean-Luc Godard e Glauber Rocha. Eu pessoalmente gostaria de ouvir o que eles diriam sobre o Justin.TV. O francês disse uma vez “Cinema is not a dream or a fantasy. It is life”, já o brasileiro tem o famoso bordão “Uma câmera na mão e uma idéia na cabeça”. O que ambos teriam a dizer sobre um serviço que permite que pessoas comuns façam de suas 24 horas diárias de rotina algo que seja assistido por desconhecidos?"


Na verdade, não é uma ruptura, um breakthrough com o sentido de avanço seria mais apropriado. Depois que os blogs promoveram a democratização do poder de produção e divulgação da comunicação e expressão veremos a mesma democratização, só q agora mais ampla. O próximo passo dos blogs é agregar a vida das pessoas que o escrevem... ou ter uma vida publicada em texto (blog, Twitter), som (Last.FM, podcasts) e imagem (youtube, Seesmic, Justin.TV).... tudo junto.

Enxergue como a consolidação do interesse pelo Realismo, se quiser. A dúvida sanada pela averiguação empírica, em tempo real e distantemente ligada por uma conexão de banda larga.

Com o lifecasting, blogueiros pioneiros têm mais uma chance de se diferenciar pela posse de bens eletroeletrônicos e conhecimento de técnicas de produção e divulgação. Wi-Fi, 3G, celulares com câmeras e gadgets conectados à Internet e ainda com preço de produto premium estão aí para ajudarem nessa evolução. Só vai faltar uma vida interessante para exibir ou vontade de ver a vida dos outros ... Não! Isso não falta.

Não é pra todo mundo, óbvio. Há ainda gente q acredita que a Terra é chata e vamos despencar se avançarmos muito em mares desconhecidos. Mas, pioneiros e exploradores servem pra isso mesmo, pra ir lá nos limites e ver se tudo acaba num grande buraco ou não.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Do Twitter para o berçário

"O modo como as pessoas individuais definem individualmente seus problemas individuais e os enfrentam com habilidades e recursos individuais é a única questão pública remanescente e o único objeto de interesse público." (Zygmunt Bauman, no Modernidade Líquida, no capítulo Individualidade)

Felipe Augusto Guimaraes (na foto), nasceu as 9h10 de hoje. Antes de dar a primeira respirada, o filho do mineiro Samuel Guimarães já era celebridade para algumas pessoas. O parto foi transmitido ao vivo em posts no miniblog Twitter e a foto foi publicada na Web logo q o pai teve a chance.

Nascimentos em hospitais não são lá a coisa mais PRIVATIVA que existe no mundo. Mas, também, tirando uns popstars aí, não costumam ser assuntos de interesse para multidões.... pelo menos não eram. A frase aí em cima do Bauman deixa qq um pensando...

Esse, que pelo o que eu me lembro é o primeiro caso assim no Twitter aqui no Brasil, mostra três características dessa plataforma:

1) o Twitter é aberto à experimentações;
2) é livre para comunicar qq coisa em qq lugar (tendo meios para isso);
3) tem poder viral.

Eu soube do fato pela Raquel Camargo, estudante de jornalismo criadora do blog Twitter Brasil. O post "O nascimento do primeiro filho, em 140 caracteres" explica mais. Agora, faz pouco mais de uma hora que o garoto nasceu. A Raquel promete colocar mais detalhes de como o pai fez a cobertura e o que ele pensa desse caso todo. É que na Web a notícia nasce qdo ela é publicada, no jornal ela está pronta qdo é publicada....

Quando eu vi, avisei o Eduardo Vasques, editor da B2BMagazine. Ele, de saída para uma reunião, escreveu o fato em si e publicou. Eu achei tudo muito relevante e logo repliquei no serviço agregador de links Rec6. Mas, outros já haviam feito isso - copiaram a nota da B2B nos próprios blogs e botaram no Rec6 (o que mostra a relevância do fato).

Vc quer fazer uma conta de qual foi a audiência do nascimento do pequeno Felipe? Bom, no Twitter, samuel tem 82 peers, a Raquel 383, eu 439, o Vasques 181. Quem segue cada um desses aí também vira meio para disseminação do post para seus próprios peers. O Twitter ainda tem um mashup que é essa janelinha q aparece aí no lado esquerdo do Techboogie e permite q pessoas fora do blog de tirinhas vejam o que está rolando por lá. Tb tem a visitação de cada blog q saiu com o assunto, os leitores da B2B e... bom... agora, às 11h, acho q é tudo. Pode ter mais daqui a pouco.

... Uma loucura

Agora, se vc quer uma boa cobertura de mídia consolidada, com muito dinheiro e boas equipes cobrindo um nascimento. Não deixe de ver o especial "No Útero" (In the Womb) da National Geographic. Entre uma conta e outra para medir a popularidade do filho do twitteiro, vc verá lindas imagens de gravidez.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Anel de blogs científicos

O Laboratório de Divulgação Científica (LDC) do Departamento de Física e Matemática(DFM), da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP), da..... Ai! Pára!...
De novo....!!!!
----
A USP criou um agregador de blogs científicos, chamado Anel de Blogs Científicos (ABC)... - caçamba, eles não conseguem se livrar das siglas? -. Já existem 40 sites informativos cadastrados por lá. É um bom lugar para começar qualquer pesquisa - desde saídas para a crise dos alimentos no mundo, como colorir o ouro, orquidofilia, zebras albinas, a potencial invasão da rã touro no Brasil, até algo sobre Biocibernética Bucal.

Dei uma passeada por alguns e achei tudo pra lá de interessante. Tem, é claro, alguma politicagem, aquela coisa de chapa 1 contra a chapa 2, estudantes x professores, etc. Coisa de quem vive o dia-a-dia do ambiente acadêmico. Com certeza foram uma boa mídia para os dias de apagão institucional que a Universidade de Brasília teve, há poucos dias.

Apesar de ser um projeto inicial, o Anel de Blogs de Ciência é uma grande idéia (a única derrapada clara é a escolha do Anel do Poder para símbolo, aquele mesmo que o Frodo usou).

Os blogs são convidados a participar. Porém, quem tiver interesse em se juntar à turma, pode escrever para a coordenação do ABC. Tem o link para isso na página inicial. Há, também,destaques para postagens importantes, avisos de conferências e outras atividades da comunidade de blogs científicos.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

NewsCamp 2

Sábado foi dia de NewsCamp. Os assuntos discutidos e os debates (quando existiram e foram incentivados) estão muito bem descritos em vários blogs de gente q foi lá. Há bons exemplos:

NewsCamp: as perguntas não páram...
NewsCamp edição II: saldo final
Como Seria um Debate entre Blogueiros e Jornalistas?
Newscamp, por poucos minutos
NewsCamp2

Eu acho todas as discussões válidas e o esforço da Ceila Santos e do Eduardo Vasques de fazerem o evento mais significativo ainda. No entanto, o substrato que tiro disso é a networking. Para mim, isso é o principal de tudo.

Em um momento de rupturas e mudanças como está agora a comunicação e os negócios que giram em torno de comunicação, o que vale é conhecer mais pessoas que estão no mesmo barco que você. Se isso não ajuda a resolver qualquer quebra-cabeça explorado nos posts dos outros blogs que falam sobre a NewsCamp, pelo menos ajuda a saber q há um quebra-cabeças e talvez até o número de peças que ele tem na caixa.

Numa das salas, que discutiu o Twitter, eu tiro um exemplo disso. A q conclusão se chegou? Nada de novo... Mas foi ótimo discutir pq o saldo positivo é saber que estas pessoas estavam lá e podem agora trocar links. Evidentemente, nem todo mundo vai se linkar mutuamente, o que tem a ver com a percepção de valor q vc tem do peer.
francesco cardi
gilberto pavoni jr (sou eu, não clique se vc não consegue conviver com isso)
gabriel tonobohn
mariana trakila
gustavo jreige (link correto agora)
gabriela nardy (link acertado)
alexandre fugita
manoel netto
thiane loureiro
renato russo
tammy gia
gilberto jr
pedro markun
juliano spyer
alex anunciato
ana carmen
renato targa
dani koetz
Romulo Marques (incluí agora, o q é muito chato já q é um dos meus principais links por lá)
Tatiana Rocha (na mesma onda do Romulo)
Mais uma q faltou e alertou aí nos comentários, sorry.
Carol (Kaká)


Agora, vão dizer: pq um cara como o Pavoni, que está sempre cutucando todo mundo se preocupa com networking? Pois, eu me preocupo. Mas, tenho minhas próprias táticas para descobrir valor em um peer... até agora isso não falhou.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Na prática, a teoria é outra?

O discurso de q os blogs vão matar a midia tradicional ainda não saiu do panfletário romantismo sessentista. O que dá para notar claramente é que todo jornal ou mídia tradicional que entra na Internet só vê o número de leitores aumentarem e em muitos casos, viram referência. Por exemplo, o portal da Gazeta Mercantil é um dos mais lidos do Brasil, segundo o Alexa, (63º lugar, o primeiro específico de esportes nesse ranking), embora a TV dê traço no Ibope. Globo.com e Abril.com tb estão na lista.

Num artigo publicado no portal do Estadão, o jornalista e doutor em Ciências da Comunicação da USP, Eugenio Bucci, mostra dados do relatório The State of the News Media de 2008 (www.stateofthenewsmedia.org), sobre a imprensa nos Estados Unidos.

"Os dez sites noticiosos de maior audiência, em sua maioria extensões de marcas já consagradas na televisão ou na chamada “imprensa escrita” - como CNN, com 29,1 milhões de visitantes únicos por mês em 2007, ou The New York Times, com 14,7 milhões -, exercem praticamente uma “oligarquia”, nos termos do relatório, dentro da rede. No jornalismo online, a concentração de audiência é ainda maior do que a verificada na mídia convencional. Os dez maiores sites respondem por 29% do total, enquanto os dez maiores jornais impressos representam apenas 19% do mercado."
A mídia tradicional vem perdendo audiência, sim. Mas, isso ocorre no meios tradicionais (jornal e TV principalmente). Por outro lado, seus portais continuam ganhando usuários. Provavelmente, haverá complementariedade do material offline online no futuro.

Para jornais, assim como para a mídia tradicional de uma forma geral, o maior problema é que a perda de faturamento de um não está sendo compensado pelo outro.... o q não é algo incomum, só o Google faz isso bem com o modelo de anúncio barato associado a buscas e a conteúdo alheio.

Parece que temos mais um hype sendo colocado contra a parede. E isso lembra muito o tempo da bolha pontocom. Há quase dez anos, teóricos e entusiastas afirmavam q o mundo seria abalado por uma série de empresas novas, visionárias, um novo jeito de fazer negócio, novos executivos e talz.... E o que se viu? Meia dúzia de cases assim e de resto, lucro brabo foi só com Wal-Mart, Dell (q só mudou o modelo q tinha de venda por telefone para web), empresas aéreas, bancos... tudo empresa decana que foram copiadas por outras iguais.

Parece que qdo as empresas tradicionais se mexem elas são mais competentes para entrar no mundo de negócios da Internet e das tecnologias de comunicação digitais. Pelo menos é o que está sendo provado historicamente. Claro que isso também não apaga as honrosas exceções do tipo Amazon.com, Google, e-Bay e coisas do tipo. Mas, são apenas algumas diante do cenário todo.

É hora de uma pausa para fugir do deslumbramento. Até pq, o Brasil vive um momento de crescimento. Temos 22 milhões de internautas (números do Ibope de março, 2008) para 186 milhões de habitantes. E ainda esse total é gente q se conecta pelo menos uma vez por mês. A fatia de gente atenta a notícias online em tempo real com certeza é ainda menor. Ou seja, há muito o que crescer... e isso é bom para qualquer um dos modelos, tradicional ou não. Vamos ver quem percebe isso e age primeiro.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Um retrato da Internet e da mídia de massa hoje

A demissão sumária do jornalista Paulo Henrique Amorim do iG e a retirada de seu blog do portal é exemplar do momento da Internet e da mídia de massa. Enquanto uma se consolida como uma plataforma da livre expressão, a outra escancara cada vez mais suas ligações com o poder econômico. Ambos os movimentos são ótimos para os leitores, que podem ver claramente a mudança e as ligações de cada lado.

O caso está exemplarmente descrito num texto do portal Vermelho, um dos melhores de política do Brasil (pelo nome, dá pra notar sua raiz). Está cheio de passagens que eu iria escrever, então, não vou ficar gastando letras aqui.

Alguns trecho de destaque:

"A Brasil Telecom está em processo de negociação para se juntar à operadora de telefonia Oi e criar o que Amorim apelidou de ''BrOi'', uma megaempresa do ramo de telecomunicações. Para isso, teria que resolver uma pendenga jurídica com o empresário Daniel Dantas que é alvo de um processo movido pelo Citibank nos Estados Unidos. Amorim denunciou a ação ardilosa que estava por trás desta negociata e, por isso, foi demitido."
"Em 2004, o iG passou a ser exclusivamente do grupo grupo BrasilTelecom e fundido, em 2006, aos portais iBest e BrTurbo, que já eram de propriedade da empresa de telefonia."
"Essa é a virtude da internet: último reduto do jornalismo independente'', disse Amorim em uma nota de esclarecimento sobre sua demissão no iG."

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segunda-feira, 17 de março de 2008

China e Tibete também brigam nos blogs

Os conflitos nacionalistas entre China e Tibete estão desmascarados em blogs de ambos os lados. Assim como nas ruas, a briga online é pra valer. Cada qual defende seu ponto-de-vista e seu modo de vida como o certo. O que se nota claramente nos posts é que há rancor em cada oponente e, por mais que a China tenha tamanho, os tibetanos estão dispostos a lutar pelos seus princípios. No outro canto, uma parte blogueira da população chinesa quer gritar ao mundo que não há só monges pacíficos nas ruas.

A China costuma controlar rigidamente sua mídia e não está sendo diferente nesse caso. Não entendo chinês, mas os comentários na imprensa, principalmente a britânica, é que as notícias saem a conta-gotas. Dá pra notar isso no Xinhua, que é em inglês. Enquanto isso, os jornais do mundo todo fazem aquela cobertura com a fleuma washingtonpostiana do distanciamento crítico e com manuais de redação embaixo do braço.

Já os blogs... bom, os blogs descem a lenha. Cada um defende o seu, lógico.... e a comunicação vai esquentando na mesma temperatura dos enfrentamentos. Chineses defendendo a China, tibetanos defendendo o Tibete.

Felizes dos humanos desse século que ganharam essa condição de poder explorar o noticiário assim. Cru. Sem filtros.

A Internet fez essa maravilha. Não existem os poucos canais de antes que levavam ao controle estrito. Com a amplitude de possibilidades de mídia, a liberdade de expressão prevalece. Concordemos ou não com qualquer dos lados, ele está lá... tagarela com posts rápidos e panfletário com suas fotos de celulares. Cada pedra atirada na rua tem seu post correspondente na Internet.

Experimente. Um pouco de Technorati para pegar pegar informações relevantes ... uma pesquisinha básica no Google e, pronto! Está aí sua Edição Extra provando que celular e o blog são ferramentas primordiais do novo repórter-cidadão das ruas do mundo.

Então, passeie pela Web. Veja as visões dos conflitos. O Students For a Free Tibet tem atualizações constantes. Já o Kadfly está na frente de batalha, escrevendo e clicando. O outro lado da história está claro no YH's Blog, seu autor defende a ação do exército e diz que as forças estão fazendo o possível para manter a paz. Nesse blog há fotos com comentários em inglês sobre esse ponto-de-vista.

Essa é a realidade agora por lá. É um conflito. É natural que voem petardos -- em praça pública e na comunicação (principalmente se o meio é de domínio livre).

Navegue e informe-se.

É algo que nós brasileiros estamos aquém de entender. Brigas desse tipo não fazem parte da nossa atualidade. E, mesmo as que estão nos nossos livros de história parecem mais um "basta" ao Império e à monarquia do que uma cisão entre culturas diferentes.

Lá, o negócio é feio. China e Tibete vão dar muito trabalho aos seus diplomatas, mesmo se o conflito cessar rápido.
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Este post foi minha contribuição para a Blogagem Inédita, uma iniciativa que eu não concordo muito, mas tem a ver com o amadurecimento dos blogs brasileiros. Muitos blogs já fazem isso e a chamada à ação é redundante. Um blog como simples canal de disseminação, como se fossem apenas bancas de jornais, tb é essencial. De qq forma, como escrevi, é típico do momento.

quinta-feira, 13 de março de 2008

50 blogs poderosos do mundo

O jornal inglês The Guardian faz uma lista de 50 blogs poderoso da Internet. Esse conceito de poder é tratado de forma ampla e isso ajuda a incluir endereços tão diferentes como o político The Huffington Post, o agregador de notícias sobre tecnologia TechCrunch e vários blogs noticiosos de jornalistas.

Não conheço boa parte da lista e acho que mesmo quem a fez pediu ajuda para definir os 50. De certa forma, isso mostra a abrangência do tema e o porque o conceito de blogueiro e blogosfera é algo que nem para retórica está servindo mais.

São termos que mostram, mas não definem. Apontam, mas não explicam. É como dizer que aquilo é um combustível. Ninguém sabe se é alcoól, gasolina ou carvão, nem para qual motor serve ou a força de combustão. É como areia. Vc acha q toda areia é igual? Pois não é... o Sérgio Naia que o diga.

Confira a lista aqui.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

20+20 blogs de marketing pelo mundo

A dica é para quem está afins de aprimorar o Feed Reader com notícias mais relevantes do que o diz-que-me-diz que às vezes afeta a chamada Blogosfera de Pindorama. São sites de marketing escolhidos por darem uma visão diferente das relações de clientes com marcas.

A lista é rotineira no portal The M20. Mas, na edição de dezembro, o número dobrou. São 20+20. De acordo com o post, ainda deve haver muito mais gente capaz de realizar esse tipo de trabalho por aí.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Linkado no Serendipidade.com

Segundo o consultor Fabio Cipriani, o qual eu entrevistei há alguns dias, o Techboogie é um dos melhores blogs aí desse mundão linkado. Vale a pena ler o post no Serendipidade.com pq tem outros links interessantes.

Eu também gosto de ler o Serendipidade. Devia botar ele aí do lado junto com alguns outros de gente mais engravatada do que eu (não q eu não use, eu até gosto muito de gravatas e ternos). Mas, sacumé.. a gente vai deixando e vai ficando. Taí uma boa resolução para esse final de ano. Esperem mais links aí do lado.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Da série "Puxando a Sardinha"

Saiu no site e no impresso a reportagem que fiz para o Computerworld sobre "novas mídias". Algo que gostei nesse job foi ter falado com o diretor de mkt da Fiat, João Batista Ciaco. Ele tem um blog sobre comunicação e Semiótica e já está na minha lista de executivos sintonizados com as mudanças no mundo cyberafetado.

Foi uma frase dele que me deu a idéia de como abrir a reportagem:

"Há 15 anos havia uma fórmula de sucesso, bastava um comercial de um minuto no principal telejonal e uma página dupla na maior revista semanal e o retorno era garantido. Hoje, não existe equação assim e temos de conhecer todas essas novidades"
Ele se referia ao Joost e ao Twitter, que ele não tinha parado para analisar, mas via amplas possibilidades de marketing. O mesmo pensamento atormentava o diretor da Tecnisa, Romeo Busarello (outro q está na minha lista de e-people).

Outro que nunca havia tido contato e gostei muito da conversa foi o Fábio Cipriani, autor do Blog Corporativo e do livro do mesmo nome. Além das idéias que me passou para a reportagem, fiquei sabendo que ele mantém um wiki sobre blogs de empresas. Quem quiser participar, é só pedir o login para ele na própria página linkada aí.

Na continuação da reportagem (publicada somente no site) eu conversei com executivos de mkt da Nokia e da Philips, sobre o Second Life. Cada vez eu me convenço mais de uma coisa. Não importa se o Second Life vai sobreviver ou morrer. O importante é que os mundos virtuais em 3D mostraram sua força em 2007 e já preparam o caminho do futuro. É uma tendência inegável, mesmo que sem o SL.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Miguxês x Geek Chic


Há uma discussão ainda não terminada sobre as mudanças em curso na linguagem com a disseminação do uso da Internet por jovens. Sejam eles instruídos ou não, é evidente que há uma tranformação em curso... e ninguém faz muita idéia aonde isso vai parar.

Pode parecer cômico (e por vezes é mesmo) para alguns ou trágico (e na maioria das vezes é também) para outros, mas há pelo menos três idiomas usados na Web brasileira de hoje. O miguxês, o geek chic e o português coloquial. Todos apresentam variações que vão do tempero leve ao radicalismo total.

Fiz uma experimentação com um trecho do discurso do Steve Jobs, CEO da Apple, para os alunos de Stanford, publicado na revisa Época. Usei o que se pode chamar de forma pura de cada expressão. O geek chic funciona melhor no inglês, com o uso de números para formar fonemas: 4=for 2=tw, tu 8=eit, etc (gr8 minds = great mids). Mas, dá pra ter uma idéia do que se trata.

É bom frisar que o miguxês geralmente está associado a má-formação escolar, o que remete a algo quase incompreensível se nos preocuparmos com a escrita. O truque para isso é "ler" as palavras se concentrando no som delas... até pq a linguagem usada em Instant Messengers, scraps, etc é mais relacionada com a falada do que a escrita.

Não vou mostrar os erros de gramática porque isso é outro assunto. Pra resumir o que penso: a Internet deu poder de comunicação a uma leva de gente que não teve formação suficiente. Agora eles publicam de acordo com o padrão ensinado. A Internet e os blogs só trouxeram à tona um defeito do ensino que estava escondido nas periferias e nos cadernos de alunos preguiçosos e professores relapsos.

Mas, voltemos ao assunto.

Notem como o tom pomposo da fala desse ícone Pop do mundo dos computadores e da Internet ganha contornos cômicos no miguxês e parece quase um texto truncado no geek chic.


Português coloquial
Eu nunca me formei na universidade. Que a verdade seja dita, isso é o mais perto que eu já cheguei de uma cerimônia de formatura. Hoje, eu gostaria de contar a vocês três histórias da minha vida. E é isso. Nada demais. Apenas três histórias.
Geek Chic
3u NuNkд /\/\3 for/\/\3! nд un!v3R5!dдd3. Qu3 д v3RDдd3 53jд d!tд, !55o é o /\/\д!5 p3rto qu3 3u já cħϊ39u3! d3 1 c3r!/\/\ôn!д d3 for/\/\дturд. ħoj3, 3u 9o5tдr!д d3 contдr д vcz trê5 Ħϊ!5tór!дzz dд /\/\!nĦϊд v!dд. 3 é !55o. Nдdд d3/\/\д!5. Дp3nд5 trê5 Ħϊ!5tór!д5.
Miguxês
Eu NUnCa mi forMeI Na facu..... K A veRdaDi Sejah DItah...iXXu EH u + PeRtu ki eU jAH xXxEGUEi di 1 CERimOniah di fOrMATuRah...... HJ...EU GOStArIAH di kONTAh A vUxXxEixXx 3 HIstOriAxXx dah minhAh VIDAH...... i eH IXXU...... NAdAh d+...... ApeNAxXx 3 hIstoRiaxXxxxxxx......

A língua sofre... mas ela vem sofrendo há tempos. O pronome VOCÊ é o maior exemplo.
O lado bom (ou pelo menos mais entusiasmante disso) é que a linguagem está se transformando. Os internautas estão se apropriando do que possuem para experimentar novas formas. Alguns não gostam, até porque isso dificulta a comunicação com quem não está familiarizado. Outros aprovam e, apesar das dificuldades iniciais, aplaudem essa inovação.

UPDATE - gosta de miguxês? Use o Miguxator , no Aurelio.net. Foi brincando com esse sistema q eu me aventurei a escrever sobre isso.

domingo, 2 de setembro de 2007

A blogsfera não existe

É paia...
mentira,
caô...
jargão no pior sentido da palavra marketeiro para explicar algo q muitos não entendem.

Coisa de quem não tem vivência ou conhecimento para entender o oceano de individualidades que se juntam - às vezes - mas se desmancham no ar (ah, que frase marxista linda).

Chamar um conjunto de blogs de blogsfera é pegar um fenômeno típico do século 21 (esse aí mesmo, com globalização, falta de utopias políticas, sucateamento do ensino tradicional, descentralização das mídias, comoditização de bens e acesso...etc) e jogá-lo no século 20.

Eu ouço blogsfera e lembro de SINDICATO. Tem um grupo que é unido e coeso e obedece a seus líderes, escolhidos de alguma forma... geralmente em eleição na qual a elite da categoria se faz representar. Eita perigo hein?!?!?!? Se isso acontece nos blogs é sinal que o Bazar virou Catedral....

...bazar, catedral.. onde foi q li isso já???

A blogsfera existe enquanto tornado. Se houver uma sequência de eventos favoráveis, um punhado de blogs e blogueiros se unem e avançam em cima de algo... causando um impressionante show de comunicação e destruição de paradigmas.

e... de repente.. tudo some de novo.--->puf!
Se houver outro tornado ele será diferente do anterior.... e de novo some. Quem participou de um pode não estar no próximo. Ou.. talvez estivesse, se o anterior não durasse tanto e estivesse tão legal.... e, também, se não tivesse extrapolado seu objetivo e tornado-se (uia, tem concretismo aqui!!) uma metabriga.

Isso, a blogsfera
NÃO EXISTE! Mas, a Memética sim.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

blogs x Estadão

Ontem teve debate no OESP para botar a limpo a campanha que o jornal fez e generalizou o conteúdo publicado em blogs. Achei um detabe morno e que muitas vezes parecia coisa de colegial x professor.

  • Adivinha quem tinha cara de colegial e quem tinha de professor?

O jornal destaca hoje, numa legenda na capa de tecnologia, que "Debatedores da TV Estadão chegam a um consenso sobre credibilidade de blogs: tem muito lixo na internet". Não vi isso, e creio q se um blogueiro notar q essa foi a idéia publicada vai ficar mais p... ainda.
  • Note que os blogs viraram "debatedores da TV Estadão"
Só q.. os blogueiros q me perdoem. Mas, faltou articulação e conhecimento de causa... Pior... e o jornal ainda saiu bem na fita pq vai se vangloriar de ter "botado um assunto importante como esse para a sociedade discutir"... (é, pq só assim as coisas vão para a sociedade, segundo esse pensamento).

Minha conclusão sobre o debate é que nem Estadão nem blogueiros sabem o que está acontecendo.

e... Chega.
só quero aqui lembrar três fatos pró-blogs q foram simplesmente esquecidos.

- Catarro Verde fura a mídia e descobre plágio no discurso do senador ACM.

- O repórter Jayson Blair publica seis meses de matérias fraudulentas no NY Times e ninguém descobre. Qdo a Wikipedia teve fraude, descobriram em dias.

- A colunista Márcia Peltier é acusada de plágio de um txt do Pedro Dória (q, aliás estava no debate). O link é o Interney, site cujo dono - Edney Souza - tb estava no debate.

... tb há vários casos no Orkut de comunidades saíram antes com a discussão. Eu mesmo já postei coisas q só vi depois na mídia. A última é esse post abaixo do Reportwitters, destaque no IDG de hj.

... ninguém citou q jornalismo tem (segundo o Paulo Francis) 90% de releases publicados, tem matéria requentada, tem gillettepress...
Mas,.... vá lá entender esse pessoal q se mete a debater e conversa mesmo só depois na mesa de bar... foi assim no blogcamp e agora nesse evento do Estadão.

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