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quarta-feira, 30 de março de 2011

A invasão das telas, Big Brother Brasil e o delivery

Já repararam que o mundo está sendo invadido por telas? Pense quantas são parte de sua vida durante um dia. Vou dar algumas pistas de onde elas estão:

  • TV
  • PC
  • Celular
  • Propaganda nas lojas e outros digital signage do varejo
  • Painéis em lanchonetes
  • Tablets
  • Notebooks
  • Elevador
  • Ônibus e metrô
  • GPS
  • Porta-retratos
  • Lousas da faculdade
  • VideoWalls - um dos estádios da Copa do Qatar será todo "murado" com telas

Existem outras q não lembrei nesses minutos escrevendo esse texto.

São tantas que o fundador da revista Wired, Kevin Kelly, chega a criar um verbo para isso. Ele chama essa tendência de screening e acredita que tudo possa virar uma tela... qualquer superfície. E é a mais pura verdade.

Há diversas pesquisas e conceitos de produtos que trabalham a idéia de "telar" qq coisa.

Em alguns filmes e seriados da TV já é possível ver mesas transformadas em telas. Em vez de ficar usando mouse e olhando para algo apoiado na sua frente, vc usa uma mesa touchscreen para fazer tudo que faria no seu antigo computador de mesa. Não é algo popular, mas irá ser.

Algumas empresas de eletrônicos estão se aproximando do mundo da moda para usar a roupa como tela. Já existem alguns exemplos por aí e a novidade já apareceu em alguns desfiles badalados. Pena que não houve o destaque ideal no noticiário.

iPad,Kindle e outros aparelhos do tipo, embora tenham diferenças conceituais, são um outro tipo de avanço nesse screening. Eles transformam o papel em tela. Não é por acaso que a indústria de jornais, revistas e livros mostra tanto interesse em participar dessa revolução.

Onde isso vai parar?

O próprio Kelly dá algumas dicas nessa notícia aí do TechCrunch (mas, não consuma tudo de uma vez pq há alí alguns deslumbramentos e focos demasiados em modelos atuais que buscam rentabilidade). Ele acredita que além do "telar" existem mais cinco verbos que irão nortear os avanços tecnológicos nesse aspecto. Três deles são de fácil compreensão por quem já utiliza alguns desses equipamentos citados acima:

Interagir, Compartilhar e Acessar.

praticamente um resumo de qualquer palestra meia-boca sobre tendências tecnológicas for dummies


Um quarto verbo é Fluir. Isso tem ligação com o envio imediato do conteúdo. O streaming no lugar do vídeo gravado. O "ao vivo" em vez do fato defunto que provavelmente já foi twittado ou enviado por SMS. O imediatismo, o "aqui e agora", etc (lembre-se aqui q eu pedi para não acreditar piamente em tudo nem com fé cega).

Há tb o q ele chama de Generating - que seria o produzir algo em cima do subsídio disponível no mundo. É como se vc fosse uma máquina de gerar conteúdo. Pode copiar simplesmente ou usar algo desse manancial de recursos e fabricar uma outra coisa com algum diferencial, mesclar mais de duas coisas e meter suas próprias idéias naquele primeiro material coletado. Talvez a imagem de pegar uma pedra bruta, imaginar uma jóia, lapidar, colocar num suporte e expor seja a mais ideal.

Tem de ser algo difícil de copiar na forma ou no prazo porque outros terão acesso ao mesmo material primário. Diferenciais ou rapidez extrema... ou ambos.... vc escolhe.

Esses são os verbos

Existem outros avanços que podem vir por aí, como sensores e novos materiais que transformam realmente qq superfície em tela -- e não "coloque uma tela em cima de qq superfície".

Mas é preciso que tudo seja usado simultâneamente.

Pq eles podem agravar um problema que já vivemos. Com tantos novos canais disponíveis, o que colocar neles?

Eu não gostaria de ver Big Brother Brasil por todo lugar que olhasse. Iria enjoar da mais bela musa do cinema se ela me perseguisse do elevador ao mictório do bar. E seria extremamente desinteressante ser bombardeado pela mesma notícia factual durante horas num único dia.

Ou seja.... além de decorar como funciona esse novo mundo é necessário transformar tudo isso num mundo novo. Tenho certeza que muitas empresas irão aproveitar isso para ampliar o faturamento em cima do mesmo produto. Irão enfiá-lo em tudo.... o que trará sim mais dinheiro e, devido ao modelo de economia de escala, tornará o ecossistema do negócio mais barato.

Contudo, é bom que não forcem a barra ...

porque senão a única revolução que o mundo das telas irá promover será o aumento gigantesco do delivery.Ninguém irá sair de casa.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Previsões para 2011

Algumas tendências para ficar de olho em 2011. Como (quase) todo ano faço, descrevo algumas coisas que, creio, serão mais fortes no ano que chega. Quem me conhece sabe que não é aquele tipo de lista de "o que vai acontecer em 2011". É mais uma lista de "agora vai". Não é o modelo consolidado, são ondas que ficaram tão fortes que nos arrastarão de agora em diante. Não é uma lista do que ver em 2011, mas uma lista daquilo que vc deve começar a ver a partir de 2011.

Medo do terrorismo, neocons e intolerância - eu poderia escrever um post sobre cada uma dessas forças que, na minha opinião, serão macrotendências que definirão outras. Mas, acho q elas se encaixam num pacotão de comportamento que vem ganhando espaço nas decisões de governos e empresas. Há um receio cada vez maior de que algo catastrófico possa acontecer. O que exatamente? Não importa... pq a crença de que vai acontecer é maior do que qq reflexão sobre a realidade. Com isso, os novos conservadores (neocons), que dominam o pensamento decisivo em governos e empresas ganham espaço e começam a bolar táticas para proteção. Mais vigilância, mais perseguição. Tudo apoiado por mais tecnologia. E fora da cúpula das decisões, isso irá encontrar eco em muita gente que é intolerante. Não gosta do governo eleito, não gosta de homossexuais, de pobre, etc. Todos tentarão encontrar um novo 9/11 para efetivar seus medos. //// Dá pra trabalhar isso. Um dos meus próximos posts será como usar esses conceitos para falar da sustentabilidade.

Mídias sociais já eram - Não que elas acabem. Pelo contrário, serão cada vez mais importantes para um monte de coisas. Mas, não haverá grandes inovações. Tudo o que ocorrer nesse setor poderá ser considerado um avanço paralelo. Novas ferramentas que se ligam em outras, novas características que potencializam o que já existe ou fragmentação com novas redes de nichos. Isso não é ruim. Mostra que é hora de planejar direito o que fazer com tudo isso que fatalmente será parte da nossa vida.

A nova fronteira da tecnologia - Durante os últimos dois anos tenho conversado com muito especialista (dos bons) que pregava que coisas como Twitter, Orkut e Facebook seriam parte da última fronteira da tecnologia. Depois de digitalizarmos nosso comportamento, amizade, relacionamento, comunicação... interação social, enfim... nada mais restava. Pois eles não viram um lugar onde não havia tecnologia: dentro de nós. Olho com chip, pernas e braços que parecem computadores e neurosensores são parte de um desenvolvimento q tem sido pouco falado. A última fronteira não é expansão, é introdução. E é só o primeiro passo... Deixa o que nós conhecemos como informática mudar. Moléculas em vez de silício, química no lugar da eletrônica, nanotecnologia no lugar de gadgets.

Nerd é comum, Internet não é underground - O estereótipo de nerd equivale ao nosso "querido" CDF. Mas, a indústria de Hollywood e a mídia americana precisava de um termo para definir o jovem empresário que dominava o mundo. Não havia um rótulo para Bill Gates e seus seguidores. A gíria escolar nerd foi sublimada e difundida então. Há alguns anos, nerd (ou geek) não quer dizer nada. Basta saber algo mais sobre computador e cultura pop q vc é rotulado assim. Com a Internet, qq um pode saber isso. Ao mesmo tempo, o mundo digital não é mais novidade. Poucos grandes conglomerados produzem tudo o que vc lê (Vivendi, NewsCorp, Viacom, Disney entre elas.... A Globo, Estadão e a Folha no Brasil... ). Todas estão muito bem fora da Internet e dentro da Internet. Isso vem se acentuando. Tanto que o que geralmente é discussão nas redes sociais é só um reflexo do que passa nelas. E 2010 não teve um fato sequer que apontasse que nerd é algo que direciona ao novo e que Internet não é mainstream. OK... o Wikileaks... Mas, o site não mostra, na realidade, que é preciso combater esse mainstream? Em 2011 , não haverá jeito de achar q nerd é novo e Internet é underground. Será a pedra fundamental no túmulo desses conceitos que já dão sinais de ocaso há alguns anos.

Reconhecimento facial - É uma das únicas coisas em temos de tecnologia da informação que me entusiasma. Na excelente reportagem do NYTimes sobre computadores que fazem reconhecimento facial uma série de avanços é mostrada. As máquinas estão cada dia mais avançadas nesse aspecto. Recentemente eu vi uma demonstração de um aplicativo que seria inserido em cartazes de propaganda eletrônica (digital signage) e conseguia identificar se uma pessoa é homem ou mulher e qual o humor que apresentavam. De acordo com isso, uma dica de consumo seria apresentada. Argumentei sobre a possibilidade de cruzamentos com bancos de dados de cartão de crédito, contas de telefone etc. Assim, além de saber o q a pessoa apresentava naquele momento, seria possível tirar todo o perfil dela. Bom.... e ruim... a reportagem discute um pouco disso.

O que é um computador mesmo? - Eu tenho um carro meia-boca que a única parte cyber é uma central eletrônica que eu já troquei num ferro-velho. Mas, é um veículo velho. Hoje, a indústria automobilística está enfiando cada vez mais coisas digitais dos seus produtos. Os carros mais modernos, já no mercado, estão a um passo se transformarem em um smartphonezão com rodas. Se vc pensar bem, um celular poderia ser substituído por uma jóia de braço e um brinco. As empresas que trabalham com computadores vestíveis conseguiram estabilizar o custo de produção e estão prestes a entrar em uma economia de escala. Qualquer coisa que existe na sua casa pode virar um treco inteligente e conectado.

3D - Não é a TV... q, aliás, é um lixo e parece um monte de lâminas como sobras sobrepostas e que dá ânsia de vômito. Ver as coisas em três dimensões é algo útil e necessário. Não é nada novo. A humanidade sabe disso desde o Renascimento, desde os estudos sobre a perspectiva nos quadros, no séc 13. As porcarias das indústrias de tecnoologia é que não investiam para recuperar esse tempo perdido. Sairemos das trevas das duas dimensões.... a caminho da holografia interativa e da compreensão da Teoria M no dia-a-dia... Não! Não, não... Sem viagem... um simples 3D resolve.

Bioética - Tudo que deve se consolidar em 2011 leva a discussões legais, morais e éticas. Nada escapa. Com isso, questões sobre como matar seu pet robô, considerar ou não o recorde de um atleta com perna ciborgue, contratar ou não um funcionário com um biochip começarão a encher a cabeça de filósofos, especialistas de mercado, advogados e juízes ao mesmo tempo em que terão de pensar sobre novos sensores nas ruas, câmeras vigiando, banco de dados de cidadãos, chips na identidade, etc... Não acredito muito que usem esse termo. É muito novo e até assusta. Mas, no fundo estarão discutindo isso.

Direito fundamental 2.0 - Com tanto avanço, tanta vigilância, tanta oferta sendo mandada para meu prazer, a liberdade vira off-line. Todos têm de ter o direito de desligar o plug. Inovador e revolucionário será quem sabe lidar com o on-line e, principalmente, o off-line. Que sabe hackear o que não é on-line. Que sabe desligar tudo.... algo cada vez mais difícil.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Wikileaks, a orkutização

Demorei dias pra escrever sobre o "Wikileaks. Não porque estava em dúvida sobre sua importância ou porque não gostasse do trabalho desenvolvido pelo site. Simplesmente queria sentir algo impactante q condiz com minhas idéias sobre tecnologia.

Eu concordo com o fato de os telegramas vazados das embaixadas americanas serem a principal denúncia do site até hoje. As denúncias do Iraque e Afeganistão, divulgadas anteriormente, são visualmente mais fortes. Ver uma ação que metralha civis e jornalistas seguida de um comentário de trabalho bem feito é muito mais impactante no começo. Ver as torturas cometidas contra presos de guerra antes do almoço não é recomendável. Mas, saber que a principal potência do mundo troca mensagens de picuinhas sobre líderes mundiais baseadas em reportagens de jornais é muito mais triste. Para nós, habitantes de um país considerado periferia do mundo, é degradante.

Nós sabemos as mesmas coisas que a Hilary Clinton e os falcões da Casa Branca sabem... TERRRÍVEL ISSO!!! pra eles... e para os contribuintes americanos.

Aliás, os contribuintes americanos são os maiores beneficiados com o Wikileaks.

Pelo site eles souberam que:

  • - os impostos pagos são pessimamente usados pq só trazem informações conhecidas e os serviços de inteligência estão comendo dinheiro.
  • - estão pagando por tortura. (tem quem goste, tem quem não goste e paga do mesmo jeito).
  • - O dinheiro dos impostos não impede vazamentos para terroristas.
  • - Os políticos americanos não encaixam no mundo atual da Internet.

Mas, a coisa mais marcante que ficou na minha cabeça sobre o Wikileaks é o seguinte:

Wikileaks é a Orkutização do jornalismo investigativo.

Antes, investigar tretas de governo e empresas era coisa de jornalistas especializados. Aqueles que tinham acesso privilegiado às fontes que burlavam a segurança oficial para vazar documentos que provavam alguma atitude antidemocrática ou ilícita.

Isso agora é do Povão.

Qq um pode investigar.

Qq fulano pode ser um Bob Woodward e Carl Bernstein. Ou... melhor... qq ZéMané brasileiro pode ser melhor que o César Tralli, da Globo.

Para isso, basta acessar o Wikileaks e ir fuçando os documentos. Não é um trabalho fácil. Precisa entender alguma coisa de investigação. Tem de cruzar mais de um documento ou, no mínimo, ver a época em que foram divulgados e qual o contexto histórico de qq declaração. Mas, tb não é um bicho-de-sete-cabeças. Um pouquinho de massa cinzenta resolve.

Talvez, por isso, o maior medo que tenho visto em relação ao Wikileaks venha de gente que tb teme a orkutização de tudo. Existe um povo que não gosta de povo. Eles têm medo que sua privacidade vaze.

Oras, eu não entendo isso. Na quase totalidade, é um tipo de gente que tb está no Facebook. E o Facebook vaza muito mais dados pessoais do q o Wikileaks. O q o Wikileaks tem feito é vazar dados do governo e empresas para você. O q o Facebook faz é vazar dados seus para empresas e governo. Não entendo esse cagaço.

Sobre as análises até aqui do Wikileaks, eu acho todas válidas.Mas, com ressalvas.

- Guerra Cibernética - OK. É sim. Provavelmente a primeira cyberwar em âmbito mundial. Mas, já existiram outras. Georgia, Estonia, Taiwan e Myanmar já sofreram ataques cibernéticos e há quem diga que o próprio governo americano faz isso constantemente e chegou mesmo a fazer para tirar o Wikileaks do ar. Só q cyberwar é um pedaço de um conceito maior chamado Guerra de Quarta Geração... muito pior. Sem defunto. Ou melhor, sem corpo e a distância.

- Anônimos como força. Isso é super OK. Mas, tb foi um caso isolado até agora. Foi a primeira vez que uma quantidade extraordinária de gente que não entende de hacktivismo lutou. Qdo eles se reunirão novamente é uma incógnita. Não vai ser toda hora.

- Tendência. Sim. Outros sites como o Wikileaks vão proliferar. Mas, mais do que os sites, a atitude de vazar pode contaminar muita gente na Internet. Divulgar informações que revelam ações ilegais para a concentração de poder devem dar o tom nos próximos anos. Não tem a ver com o verbo vazar exatamente. Tem ligação com a força que a transparência e a sustentabilidade tem conseguido com os consumidores.

- Medo. Eu não gosto, mas até entendo o medo de quem vê no Wikileaks uma semente de uma atitude anti-privacidade. O site em si não tem motivo nenhum para isso. Ele só mostra como governos, principalmente o americano, é ruim e antidemocrático. Mas, há outros movimentos pelo mundo que podem se misturar no hype da discussão e fazer um melê. Há um site que vaza declarações sobre colegas de profissão. Certamente virão outros e virão paralelamente ao Wikileaks. Podem começar a ganhar mais vitrine pq de alguma forma tb são ligados a vazamentos.

- Julina Assange é um herói? Não. Isso é coisa de livros e cinema. Não existiam heróis que não tivessem pisado no tomate antes e não existem ainda. Assange é um gestor de um site importante para o mundo atual. É acusado de um crime comum em muitos países, mas grave na Suécia. Deve responder por isso pq é algo que afeta a relação e o respeito pelas mulheres. É humano e, provavelmente tem mais defeitos do que qualidades. Mas, sem ele a gente não estaria com os pelos ouriçados agora. É, sem dúvida, o personagem do ano.

Há muitas perguntas para serem respondidas ainda sobre o Wikileaks e Julian Assange. Mas, essas são as minhas certezas.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Empresas devem mostrar valor social

Os negócios estão mudando. Forçadas pelas expectativas dos consumidores e funcionários, as empresas devem cada vez mais mostrar quais são seus objetivos na sociedade. Parece simples, mas é uma mudança grande de atitude. Companhias nasceram para gerar lucro e esse tem sido o dogma sob o qual elas têm evoluído desde quando surgiram no mundo para substituir o trabalho de produção artesanal.

Hoje em dia, consumidores e funcionários querem saber mais. Querem ter detalhes de como a empresa contribui para melhorar o mundo. E isso envolve mais do que lucro. Não que isso seja ruim. Lucro é o oxigênio para a sobrevivência das companhias. O que a sociedade quer saber é: "e a partir daí, o que ela faz?".

O professor da MIT Sloan School of Management, Dean David C. Schmittlein, concedeu uma entrevista interessante ao The Huffington Post recentemente sobre o tema. Segundo ele, o contrato social estabelecido entre empresas e sociedade está mudando. Há uma expectativa para que qualquer empreendimento comercial possa cumprir algo mais do que simplesmente obter lucro e sobreviver. Isso não era comum há 50 anos, e mesmo há 10 anos.

Na entrevista (é só clicar no link lá em cima q vc pode ler), Schmittlein conclama as organizações para que mostrem seu propósito social. Algo que parece simples para nós consumidores, mas é complicadíssimo para empresários. Tente perguntar para algum "qual o propósito da empresa para a sociedade?" A provável resposta é que a empresa faz o melhor produto, oferece um serviço diferenciado, pelo melhor preço e, em seguida, vem um desfile de ações assistencialistas que parecem mais uma esmola dada aos necessitados.

Ok, que o professor aproveita a entrevista para enaltecer a própria instituição que representa. Mas, no meio do discurso, há várias dicas. Como por exemplo quando ele diz que não se enxerga nisso um problema contábil, de marketing ou de como devem funcionar as fábricas. Ou que "ter princípios," "inovar," e "melhorar o mundo" fazem parte da atitude da escola e que isso não está claramente definido em outras organizações. A partir dessas definições, alunos e professores são conduzidos a seguir esses parâmetros de comportamento.

É preciso conhecer um pouco como funcionam Missão, Valores e outros códigos de conduta empresarial. Mas, essa discussão é para quem conhece isso mesmo. Os consumidores não conhecem tais definições e é bom que não se preocupem com a forma da coisa. Basta que continuem pressionando.

Traduzindo alguns conceitos escondidos no texto, é o seguinte.... Uma empresa não pode mostrar apenas que dá lucro porque isso, no fundo, pode ser uma propaganda sobre como ela concentra renda. Ela precisa mostrar que paga bem os empregados. Algo mais do que os direitos básicos. Participação nos lucros (com boas regras e transparência), benefícios e salários adicionais, programas de capacitação, etc. Tudo isso mostra que ela "faz bem pra sociedade".

Há diversas maneiras de mostrar isso. Ter creche, incentivar o uso de bicicletas ou ter transporte que evite que funcionários usem os próprios carros e poluam o ambiente, etc.

Mas, isso tem de ser mais do que propaganda. É preciso que seja atitude. Uma empresa não pode ter tudo isso e ser campeã de reclamação sobre falhas em produtos e serviços. Não pode ter ações sociais e patrocinar corrida de bicicleta se as embalagens de seus produtos ou suas propagandas mentem.

  • Pagar por uma marca famosa ou pagar a mais por uma boa atitude?
  • Pagar por uma novidade que ainda não sabe como vai poluir o ambiente ou pagar por algo que é comum, mas já existe reciclagem?
  • Enaltecer uma empresa "verde" que pode ter feito biopirataria ou outra que não tem nada de "verde", mas ao menos tem atuação mais legalizada?
  • Ser contra uma indústria petroquímica que tem vazamento ocasionalmente ou considerar isso um risco comum ao negócio e pressionar por soluções imediatas?
  • Ser fervoroso defensor do carro elétrico ou de menos carros, mesmo que com combustível fóssil?
  • Preferir uma marca de cerveja porque a propaganda exibe tipos atléticos e gente famosa ou porque os funcionários da empresa são bem pagos?

É tudo parte de um assunto complexo que, ao meu ver, nem os consumidores sabem ao certo todas as implicações. A própria pressão sobre isso pode ser um limitador para pequenos negócios e favorecer quem tenha mais capital para investir.

Pode.

Não é certo.

Há muito de inovação e relacionamento para ser usado nisso e que pode contornar o volume de investimento. Contudo, é um movimento que parece não ter mais volta.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O novo Twitter e o velho sonho

Ontem ocorreu o lançamento da nova interface do Twitter. O anúncio foi feito durante a noite e pegou de surpresa muito jornalista no Brasil. Eu, por acaso (ow... faz-me rir) estava on-line trabalhando e pude acompanhar o evento muito porcamente por um streaming. Mas, foi irresistível não ficar comentando com algumas pessoas a novidade.

Em resumo, os criadores do Twitter concentraram-se no seu produto principal, o site do Twitter. Existem centenas de desenvolvedores independentes que criam soluções para usar o Twitter no celular, no navegador, que deixam fazer textos mais longos, colocar vídeos, fotos etc. Mas, eles focaram só no Twitter.com, que é o jeito mais usado do treco, 78% usam o Twitter pela Web. veja

Essa é a apresentação oficial do Novo Twitter.

A novidade, não me pareceu uma novidade. No fundo, eles só acrescentaram alguns serviços criados por desenvolvedores e fortaleceram a infraestrutura tecnológica e a interface para facilitar a publicação e a visualização de tudo isso. A página nova dos usuários ficará assim, o @ikegalli foi um dos primeiros a sentir a mudança logo de cara.

Eu tenho alguns receios quanto ao novo Twitter. Mas, eles são muito ligados à usabilidade do serviço por essa nova interface web, peso, travamento.... Sendo assim, é algo que pode ser driblado por um aplicativo mais simples, como o Echofon, por exemplo. Então não vou me deter nisso.

Minha preocupação maior é sobre o futuro do Twitter... é que achei o Twitter novo muito parecido com o Facebook. Isso ainda me deixa dúvidas se é bom ou ruim. O Facebook é uma rede social mais completa em termos de ferramentas e tem lá seu valor muito bem aceito. Imitá-lo é como refugar na inovação, deixar de ditar tendência e passar a seguir a de um concorrente.

Pode dar certo. Só q em geral não dá. Especialistas em Mkt sabem q a primeira imagem é a que fica (thiiiipuuu.... não adianta um sabão em pó gastar os tubos pra dizer q lava mais branco pq todo mundo tem no inconsciente q quem lava mais branco é OMO). É necessária uma diferenciação.

No Twitter, essa diferenciação era ser um serviço focado no "aqui-agora" e simplicidade extrema.

Traduzindo. Qq um, desde o zé mané q sou eu até a Lady Gaga e o Stephen Fry podiam publicar o q estavam pensando ou fazendo naquele exato momento. Vários outros sites de redes sociais tb. Mas, o Twitter ficou na nossa mente por isso. O que está rolando. E não "o que rolou q eu posso ver". O Twitter virou o Plantão da Globo mundial de cada um de nós - com informações úteis ou não.

Com as mudanças, o Twitter é o agora e o passado recente (coisa de dias). Se iguala à outras redes.

É uma briga boa.

Eu sou um crítico do Orkut tentar imitar o Facebook. Pra mim isso tirou o sentido popular terceiromundista de um em favor de um elitismo anglo-saxão de outro. Papo complicado, mas q eliminou a essência de uma rede criada por um turco e que faz sucesso no Brasil e Índia por uma q faz nasceu de estudantes americanos brancos e filhos universitários de classe-média.

É impossível renegar tais origens. Mas, isso pode ser até um ponto favorável ao Twitter.

Só q a facebookização do Orkut é um problema para o Orkut no Brasil. Se há realmente essa facebookização do Twitter, ela ocorre em um mercado diferente (mundial) e em um momento posterior (redes sociais mais usadas e conhecidas). Não dá pra comparar.

Me parece, na essência, que o novo Twitter está buscando seu lugar ao sol num sonho recente almejado por todas essas redes sociais -- ser a plataforma tecnológica q irá traduzir e divulgar nós para o mundo. Ele quer ser nosso filtro da ubiquidade.

Não é só relacionamento. As redes sociais (vou adotar um conceito amplo aqui, muitos teóricos dividem isso em várias percepções) buscam ser o você ampliado.

O novo Twitter adicionou um monte de ferramentas que permitem isso. Vc não é só vc em texto. Pode ser em texto, vídeo, foto, som, mapa, etc. Agora, também não ó vc do momento, é o vc de agora há pouco, de uns instantes ou dias atrás.

Tudo era possível ser feito antes, só que com o uso de vários sites. Agora está tudo dentro do novo Twitter. Facebook e Orkut tb partiram pra isso um pouco antes com vários sabores e prioridades. Todos agora são concorrentes direto de Lifestreaming (q já foi conhecido como Lifecasting). O novo Twitter consolidou isso. Se é ele q vai sobreviver no mercado ou não, eu não sei e se tem alguém q diz q sabe está mentindo ou sendo ingênuo. Tem chances, muito boas até. Não o único nisso. Creio q o consumo tende a ser tão amplo q pensar em um dominando tudo isso é puro desconhecimento das forças de mercado.

Futuro
Isso é OK. Parece ser um caminho escolhido, já trilhado e até já estão colocando asfalto, placas de sinalização e mesmo um comércio em volta tem surgido.... tem até uns cruzamentos com moleques querendo vender bala :)

O problema todo continua a ser como ganhar dinheiro nessa trolha.

Bem ou mal. Todas essas empresas de mídia social sabem que o único faturamento possível é com serviços de publicidade. É por isso que elas tem se concentrado em gerar cada vez mais conteúdo porque a base aumenta e a busca se torna essencial.

Mas, o problema é que o aumento do conteúdo é um aumento geral. Aumenta a porcaria e a coisa bacana. Adivinha qual aumenta mais?

Problema? Sim, não, talvez.... não importa. O lance é que é assim. Conforme-se.

O legal de analisar o Novo Twitter é tentar ver justamente isso. Fazer o diabo pra aumentar a geração de conteúdo e tentar ser nossa interface de ubiquidade é só um passo em direção ao novo patamar disso tudo.

Como achar o q eu quero sem ser interrompido pelo q não quero? Como separar o eu do não-eu? O cumpadre do colega suportável de trampo? A notícia factual da análise-chute-no-saco sobre o mesmo tema?

Saída.... Inteligência Artificial, web-services, Internet semântica... Matrix :) .... ih, tem um monte de termos q definem e tratam desse novo momento.

Enquanto isso não chega, quem for a plataforma mais usada para mediar o você-você com o você-digital... quebra aí um galhão. Esse é o foco dessas empresas. Conhece o Contentus? Umas pensaram q poderiam chegar aí sendo mais fechadas, outras completamente abertas (questões q já são passado).

O novo Twitter é legal. Mas, legal mesmo é o que ele consolidou e abriu.

Consolidou?!?!?!

Ooops... próximo paradigma, please. Se já está OK, vamos olhar pra frente.

sábado, 26 de junho de 2010

Cala a Boca Galvão, UmdiaSEMGlobo e Fail

Nessa semana na qual o País de Chuteiras acompanhava as possibilidades da Seleção de futebol classificar-se para as oitavas de final da Copa da Àfrica do Sul, as empresas grandes e tradicionais tiveram de encarar um novo desafio trazido pelas chamadas novas mídias. O consumidor tem voz ativa e está virtualmente aí ao lado, com um megafone na mão.

Há muito se teoriza sobre isso - antes mesmo do Twitter e do Facebook. Porém, o caso pode se tornar exemplar ao expor tudo que antes era restrito e pouco visível.

A história gira toda em torno da Seleção, seu técnico, a Globo e ainda ganhou ares políticos em ano de eleição ao recuperar um ressentimento antigo com a manipulação de notícias da TV, provavelmente algo ainda não digerido da disputa presidencial entre Collor e Lula. Mas, todo o fuzuê é uma lição sobre como funciona o comportamento do consumidor atual. Serve para qualquer empresa.

Tudo começou com uma insatisfação com o principal narrador esportivo da maior rede de televisão do País -- Galvão Bueno -- ganhou força no Twitter e gerou uma onda de críticas que fez a expressão "Cala a Boca Galvão" ser o assunto mais comentado na rede social de 140 caracteres por dias seguido. Teve lá umas gambiarras anárquicas para elevar o assunto artificialmente, mas ainda com cara de protesto.

O feedback oficial até foi rápido e simpático. Galvão Bueno respondeu. Utilizou um dos programas especiais da Copa na Globo para dizer que tb concordava com o protesto, já que era conhecido como papagaio entre colegas.

O assunto poderia ter morrido alí não fosse outro fato relacionado com a Copa e a Globo ter vindo à tona. Em uma entrevista coletiva, o técnico da Seleção, Dunga, soltou uns palavrões murmurantes ao criticar um jornalista da Globo que tentava arrumar entrevistas exclusivas com os jogadores do time. Dunga havia proibido essa prática. O atrito ganhou um editorial xexelento no programa Fantástico, na voz do apresentador Tadeu Schmidt. Imediatamente, o Twitter foi inundado por uma nova expressão - Cala Boca Tadeu Schmidt.

Simultaneamente, iniciou-se um movimento também de protesto. Com a tag #DiaSEMGlobo, algumas pessoas começaram a organizar um boicote ao canal de TV durante o último jogo da Seleção na primeira fase da Copa, contra Portugal. Evidentemente, a Globo acionou seu time de estrelas para defender a instituição e parece que até usou de alguma consultoria em redes sociais para fazer um contramovimento.

Não vou entrar no mérito de cada estocada na Globo, suas respostas nem na validade desse tipo de protesto on-line. O que quero alertar é que algo que há muito tempo era teorizado finalmente deu as caras de forma incontrolável e visível.

O consumidor de hoje é menos tolerante.
Ele seguramente irá reclamar diante de qualquer falha, demora, imprecisão e outro problema que possa ocorrer em qualquer produto ou serviço prestado. Se ele não vai à rua com um cartaz na mão pedindo boicote, ele ao menos irá reclamar na Internet. E como o mundo digital é exemplar em conectar gente com o mesmo pensamento, em minutos ocorre um tsunami de opiniões semelhantes que pode afetar a imagem de qq empresa.

Os protestos contra a Globo evidenciam que aos olhos de muitos de seus consumidores a empresa tem problemas na oferta de seu produto.

- Cala a Boca Galvão mostra que o narrador não é uma unanimidade como muitos acreditam e seus erros nas transmissões são tão aceitos como uma embalagem que não abre, um sabão que não limpa ou um carro que sai de fábrica com barulhos na suspensão.

- DiaSEMGlobo evidencia que há consumidores insatisfeitos com o modelo centralizador, discriminante e draconiano do noticiário da TV - principalmente o político. Se a Globo fosse uma lanchonete, vc seria amarrado ao balcão e só comeria as únicas duas ou três opções do cardápio. Não daria nem pra pedir seu sanduíche sem cebola. É claro q vc pode escolher outro estabelecimento... se todos não imitassem esse modelo. Os consumidores querem mais opções, mais itens no cardápio e a possibilidade de consumir um hambúrger mais ou menos tostado.

- Cala Boca Tadeu Schmidt é aparentemente uma série de comentários discordantes sobre a linha editoria da Globo. Não seria tão grave se não viesse acompanhado de muita insatisfação com outra crítica ao modelo de negócio e ao produto da emissora. Nas últimas Copas, a concentração da Seleção foi transformada em Big Brother e o péssimo desempenho do time sempre foi atrelado posteriormente à essa espetacularização da notícia esportiva. Provavelmente, os consumidores (essa fatia que protesta, ao menos) querem um produto-notícia mais isento.

Uma última dica para quem quiser estudar mais o caso.

Cala a Boca por cala-boca, isso não é uma ofensa como uma pedrada na vitrine. Expressões como cala a boca, fail e lol fazem parte da expressão dos jovens de hoje. São gírias. Devem ser entendidas não com seus sentidos descritos no dicionário, mas com seus significados como linguagem típica atual. É uma crítica, mas não um chute no saco com botinada no nariz.

Por mais que os protestos contra a Globo tenham falhado. Fail maior é não entender as lições que isso traz sobre o novo consumidor e como ele se comunica. Hoje, foi a Globo... que tem lá suas vitrines prontas para serem apedrejadas. E amanhã? Sua empresa está preparada? É com políticas de crise em comunicação ou simplesmente com portas abertas às sugestões dos consumidores???

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Meus problemas com a Geração Y

Tenho algumas críticas quanto ao conceito de Geração Y (pessoas nascidas na década de 80 e início de 90). Acredito sim que essa geração possui novos hábitos de consumo porque nasceram em uma época na qual a globalização é uma realidade, a Internet na sua forma comercial está consolidada e toda a tecnologia de comunicação deixou de ser coisa de engenheiro e especialista e se tornou muito mais próxima do nosso dia-a-dia.

Mas, daí a achar que são algo absolutamente novo que merece toda essa lambeção que vemos no noticiário vai uma grande distância.

Primeiro, se você pegar toda a punhetação teórica em cima do termo irá perceber que na verdade ele define o comportamento instável de um jovem típico. Quer sempre aprender mais, não pára no emprego, necessita de acompanhamento de uma pessoa mais velha (os especialistas em Recursos Humanos sempre dizem q a Geração Y não deslancha sem um coaching ou mentoring), gostam de dinheiro e novidades, etc... E, principalmente, reage de forma passional e receptiva aos temas que são importantes à sua época (como ecologia, ética) e que geram uma ruptura com o que pensam seus pais. Ou seja, é um jovem como um jovem deve ser.

Era assim na década de 70 e na de 60 /// não dá pra ir muito mais longe nessa comparação porque o estudo de gerações começou recentemente, com o fenômeno dos baby boomers, que são os filhos do pós-guerra e da estabilidade econômica e da reconstrução do pós 2ª Guerra. Mas, acredito que em gerações anteriores não era diferente... costumo ver os conflitos na história da arte e do pensamento para tirar uma idéia ou outra nesse sentido.

Me aponte uma nova geração que não rejeitou ou redefiniu os valores da anterior e eu apago esse post.

A geração Y está na moda apenas porque é um novo e potencial mercado para as empresas venderem seus produtos. O que me leva a crer que o hype em cima do termo é mais influenciado pelo comércio do que qq aspecto social. Eles são bons consumidores porque têm dinheiro na mão e uma ânsia de comprar coisas que sejam típicas de sua geração.

O q tb não é novidade. A publicidade e o marketing sabem há décadas que os jovens usam o consumo como forma de aceitação social.

Jovens também costuma se ligar em pessoas com o mesmo pensamento e criam comportamentos alternativos para serem aceitos em grupos e ajudar na difícil fase de transição da adolescência para a vida adulta. Com isso acabam assumindo liguagens próprias desses grupos. Nenhuma novidade.... interagir entre eles com palavras e expressões q são estranhas aos mais velhos (saca as conversas por SMS?), fortalecer os laços dos grupos onde são aceitos (saca comunidades virtuais e movimentos como emos, cyberpunks, etc... e saca as tão faladas comunidades?).

Qual a novidade então?

A novidade é que a geração Y é usuária plena da tecnologia.

Uau!!! Mas, que tecnologia? A que eles criaram? Não. É a que os pais criaram.

E aí o caldo da geração Y começa a entornar.

A Internet foi desenhada e nasceu na Guerra-Fria, ou seja, é uma invenção de baby-boomers. Tudo bem que era só coisa de militares, cientistas e governantes com medo que o inimigo destruisse o mundo... Mas, mesmo a rede mundial de computadores que conhecemos hoje foi obra de Tim Berners-Lee e outros gênios q estão longe de serem geração Y. O Mosaic, primeiro navegador visual de sucesso da então careta Internet é de 1993, criado por um grupo de acadêmicos que eram ou baby-boomers ou geração X.

A Web Social, ou Web 2.0, ou seja lá como queiram chamar, também é fruto do movimento comercial iniciado no final dos anos 90 por jovens que trataram de abrir a fronteira do comércio eletrônico e ajudaram a criar a bolha pontocom. Eram mais geração X do que qq outra coisa.

Sim, a geração Y é filha da tecnologia... mas esse "filha" deveria ser melhor entendido. E, se bobear, nem é a que mais sabe lidar com isso. Já que nasceram com tudo isso amadurecido, não conseguem ver as rupturas da mesma forma q alguém q passou sem computador, viu como o bicho era útil, não tinha Internet e viu como a rede era útil... não sabe a diferença entre um mainframe e uma arquitetura cliente-servidor, não sabe o que foi o downsizing para a taxa de emprego, não sabe a diferença entre a reserva de mercado e a globalização, etc, etc, etc....

Para a GenY, a ruptura é normal. E, sendo assim comum, não é percebida de imediato. Já, quem viveu várias rupturas, tem maior capacidade de enxergar qdo algo está mudando ---> questão de experiência acumulada.

E, por aí vai... A geração Y gosta de falar inglês e é valorizada por isso. Mas, a globalização é um fenômeno que vem do fortalecimento do mercado de massa e do apetite financeiro mundial que se iniciou com os baby-boomers e recebeu muito fermento da GenX.

Há uma coisa típica da GenY q nunca é destacada. Até porque é uma falha e as empresas nunca vão falar.. "Olha q idiotas vcs são".. pq pode perder um potencial consumidor. É a geração que teve os ritos de passagem da infância pra adolescência e para a fase adulta (sim, os caras já beiram os 30 anos e já são homenzinhos e mulheres formadas) mais livres. A GenX e os baby boomers foram péssimos pais, foram ausentes por diversos motivos.... Não é por acaso que existe um conceito muito bom para definir os nascidos na década de 80 que é a Peter Pan Generation... mas, que foi esquecido. Ah... o conceito Mileurista (q é europeu e não americano como a geração Y) tb é muito mais explicativo às vezes.

Sim, a Geração Y é um conceito americano e até parece q encaixa muito bem naquele país. Mas, no Brasil, já é meio torto. Ah, é a geração Internet. Mas, que Internet? Hoje temos cerca de 35 milhões de internautas ativos aqui no Brasil e só um terço disso tem banda larga e pode viver toda experiência do modo de vida online. Pô, são 200 milhões de habitantes... Nos EUA, a Internet cobre 90% da população e entre 60% e 70% são de banda larga... e isso há alguns anos.

Qual é a GenY brasileira se nem Internet ela tinha e só começa a ter agora??? E que poder de consumo definido esses jovens têm se só agora a família começou a ter grana pra gastar com compras que não são apenas para sobrevivência? Posso pensar aqui com meus botões q a GenY brazuca é mais GenX do q outra coisa??? No máximo um X' ou -Y?

Evidentemente q posso.

Então, a Geração Y brasileira é só o jovem bem nascido? Sim. São os jovens filhos de profissionais liberais e de uma elite que sempre teve a vida ligada ao mundo? Filhos de uma cultura global de quem já teve acesso a isso a gerações anteriores? É uma elite?

No Brasil, o conceito de Geração Y só cabe se vc estiver falando desses jovens da antiga classe média... antes da estabilidade econômica dos últimos anos.... OK, pustza novidade voltar o foco pra eles com conceitos importados dos EUA...

O assunto é longo e não gosto de escrever textos grandes assim no blog. Mas, prometo voltar ao tema. Enquanto isso, reflita um pouco se isso tudo não é relativo e estamos perdendo o foco sobre as nossas gerações... O Brasil tem mudado mais do que o mundo de uma forma geral e é bem provável que esses conceitos americanos só fiquem bons mesmo lá nos EUA.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A dificuldade da revolução 2.0

Antes q eu me esqueça.
Antes q seja tarde.
Antes q enfiem os pés pelas mãos.

Vivemos sim um revolução causada pelo ganho de poder do consumidor final (também conhecido como pessoa comum). Mas, essa trasformação toda ficou mais complicada nos últimos 2 anos por conta da democratização do acesso e condições de criação e publicação de conteúdo.

Comprometimento tem se tornado uma métrica pra lá de importante.

Aquele blogueiro é bom e tem audiência. Mas, ele está sendo financiado por qual empresa ou tem interesse em qual assunto?

Esse perfil no Twitter é relevante. Mas, ele é guru de qual empresa e será automaticamente questionado sobre quais opiniões? Quais vai refugar?

Tal usuário do Foursquare é assíduo nos comentários. Mas, o quanto ele está interessado em ganhar somente uns descontos em troca da sua opinião?

Olha... já se foi o tempo de gente ingênua nas redes sociais. Muitos querem ganhar alguma coisa e isso pode ser um benefício individual e não disperso.... público... democrático.

Nessa tal de web social as pessoas entraram primeiro, as empresas depois.

Ingenuas tem sidos as empresas.

E
, eu
me recuso
a engolir a ingenuidade das empresas como grandes cases de marketing.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A inovação tecnológica, o tempo e o hype

Ao falar sobre novas idéias eu sempre gostei mais da imagem da peneira do que a do divisor de águas. Quando uma nova descoberta muda os conceitos e formas de produção no mundo, não há um desvio no qual uma parte das empresas e pessoas toma uma direção errada enquanto outra parte segue o fluxo por outro caminho. O que existe é uma barreira. Quem consegue passar por ela continua sua vida - bem transformada, é verdade. Quem não consegue ultrapassar esse ponto acaba ficando pra trás.

Não é questão de perder o rumo. Pra lá ou pra cá. É avançar ou parar.

É a hora da decisão.

Bobeira na peneira, não.

Esses momentos dão a impressão que surgem do nada. A gente está lá pela vida, de bobeira, e ... záz! Aparece uma novidade tecnológica que muda nossa vida como se fosse enviada por um portal interdimensional ou colocada na frente do nosso nariz pelo dedo de Deus.

Nós somos assim deslumbrados mesmo com tecnologia. É um comportamento que nos impede de sentir as novidades nascendo.

A primeira pesquisa científica que vc fala: UAU! Embora não tenha a mínima idéia de onde aquilo possa ser usado.

O primeiro experimento que aparece no noticiário com fotos. Embora vc não entenda porque aqueles caras de avental batem palma para aquela zona de fios, luzes piscantes e gráficos coloridos.

O primeiro produto lançado no mercado - e invariavelmente cheio de falhas e com desempenho ridículo.

É difícil saber como será o futuro. E também não é.

O começo do que vai ser o mundo daqui a 15, 20 anos está aí. Em algum lugar... mas está.

Celular, Internet, globalização, relacionamento digital. Em algum momento isso estava ali, clamando por atenção. Quer um exemplo? As tão faladas redes sociais de hoje já eram possíveis de serem visualizadas há 10 anos. Sites como Classmates, SixDegrees, AsianAvenue, BlackPlanet e MiGente já mostravam o potencial da web social por volta do ano 2000. Dez anos atrás. (e nem estou lembrando de fases anteriores da Internet, como o BBS).

No link do video abaixo, o cientista-chefe da IBM, Fabio Gandour, faz uma conta sobre isso. Ele diz que - com sorte - demora de 9 a 14 anos para uma inovação tecnológica sair das universidades e virar um produto à venda no mercado.

Ele lembra do iPod. O MP3 player da Apple só foi possível graças aos estudos da

magnetorresistência gigante
que tem sido conceitualizada desde os anos 80.

O nome é complicado, mas é esse fenômeno que permitiu a criação de memórias MRAM (Magneto-resistive Random Access Memory), que são peças fundamentais no iPod, netbooks e vários dispositivos de comunicação móvel.


Ache outros vídeos como este em Zomo


E o que vem por aí? Gandour dá algumas dicas no vídeo. Elas coincidem com a opinião de outros cientistas brasileiros que entrevistei recentemente. As apostas são em estudos que ampliam (e muito) o que temos hoje.

São áreas como a Domótica, uma união de domus (casa) e robótica (controle automatizado). Ambas desenvolvidas na base de muita rede wireless de banda larga e muito sensor para ampliar o espectro da informática e criar a chamada Internet das Coisas.

Outras pesquisas são realmente coisas novas: modelagem matemática de fenômenos, spintrônica, cinética química e genômica funcional. Elas devem influir de novos materiais a novos processos industirais e, possivelmente, a previsão do comportamento do consumidor e concorrência no mercado.

Grafeno e nanotubos de carbono são a melhor aposta para expandir ou modificar a Lei de Moore no mercado de chips. Esses nanomateriais possuem propriedades mecânicas, eletrônicas, óticas e de transporte de elétrons inovadoras e podem revolucionar a computação como a conhecemos. Isso, se não forem substituídos por computação química ou pela fotônica, que aposentaria os elétrons que são a base de quase tudo que conhecemos hoje em termos de equipamento e comunicações.

O cenário pode ficar ainda mais complicado com as descobertas do colisor de partículas LHC. Conversando com o prof. Sergio Novaes, da Unesp, que faz parte dos estudos, fiquei impressionado com as possibilidades de renovação tecnológica que isso pode trazer. Ele mesmo não arrisca a imaginar novos produtos ou negócios saídos das descobertas -- É tudo ainda ciência pura. É como um bebê que a gente não sabe o que vai ser quando crescer, disse ele quando o entrevistei. Contudo, ele lembra que foram essas pesquisas sobre partículas, a necessidade de fazer cálculos monstruosos e de comunicação dos cientistas que nos deram a WWW que conhecemos hoje.

Não dá pra ficar apostando em tudo que está surgindo. Mas, é possível ao menos ficar de olho e - quando surgir a tal peneira pela frente - conseguir uma brecha para passar e não ficar pra trás, lamentando como o mundo mudou.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Guitar Hero Brasileiro, já!

Pq eu estou fazendo esse post??? Porra.. sei lá... falta de tempo. Falta de assunto.. ou simplesmente pq o Guitar Hero fez a criançada cantarolar Slow Ride em vez de pagode-frouxo-que reclama do-apogeu. Porra! E a última coisa q eu imaginei na vida era uma criança de 5 anos cantarolando Foghat.

O fato é que.. tudo bem.. o rock nacional não é lá grande coisa (E vc não concorda comigo? Então leia esse genial post antigo do maldito @gravz /// se vc não acha ele maldito vai começar a achar depois disso. Ou genial. Ou sei lá...) comparado com quem inventou esse treco... ou mesmo fica lá longe se comparado às bandas inglesas (as boas, tá?!?!. Não aquelas que cantam chorandopra dentro e com a mão no bolso).

... mas, é rock nacional. E é coisa q pega pelo simples fato de ser daqui para aqui.

Eu não quero discutir o Guitar Hero. Não acho ele lá um grande game revolucionáro e acho até q ele está mais para o último suspiro do rock na beira da morte do que uma revigoração... Mas, gostaria de ver alguma coisa q é daqui, do Brasil, antes disso tudo acabar. Sabe? Do Rock virar coisa do século 20 mesmo e ficar ao lado de coisas tão incoerentes como o steampunk... ou, quem sabem.. numa aposta mais otimista... virar um despautério como um luddismo cultural assíncrono e metamorfosiado da cultura de massa.

O fato é que eu odiei o GH e Rock Band e ao mesmo tempo adorei. Mas, antes que me encham o saco... mais odiei do que amei.

E... baseado no lado "amei" eu sinto falta de tocar algumas músicas do Rock brasileiro que mostra pra as futuras gerações que o Brasil tem sim um Rock... lá meia boquíssima... mas, é a cara do Brasil também. E... essa tal de Música Popular Brasileira é um conceito mais complicado e fajuto do que "governança corporativa".

Eu gostaria que um Guitar Hero.br trouxesse:

- Balada do Louco - do Arnaldo Baptista... mas do Singing Alone, que tem ele tocando todos os instrumentos e seria uma prova lisérgica de erudição roquenlolística para os jogadores. E.. se algum vizinho tirar sarro pq te viu tocando uma guitarrinha na frente da TV vc diz - Louco é quem me diz.

- Carimbador Maluco - do Raul Seixas - Não é a melhor música do Raul... ou é? Eu passei uns 10 anos pra digerir o Maluco Beleza num especial da Globo. Depois, passei a adorar a temática justamente na Vênus Platinada com esse tipo de mensagem. Quer saber... crianças precisam dessa música. Ela devia ser cantada em festas do Dia dos Pais em pré-escolas.

- Kamikase do Rock - com o Made in Brazil. É.. lembra pra caralho AC/DC. Mas, é sem dúvida um dos melhores riffs nacionais e a letra é algo que poderia exorcizar qualquer banda emo que se acha roqueira.

- Casa do Rock - com Casa das Máquinas. Tudo bem. Vc que é nerd, jovem e acha q o rock começou no mundo quando o U2 surgiu pode até pensar que é uma mistura de @lucasfamapop com São Paulo Fashion Week e Barão Vermelho. Mas, o fato é que é uma puta música, com uma pustza guitarra e o melhor vocalista brasileiro de hard rock que já existiu.

- Lucifer - com O Peso - ah, vai. É melhor do que ficar punhetando com Muse no GH Legends of Rock...

- A Namoradinha que eu Amei até o Sangue Jorrar - com Kães Vadius. Pq um game de guitarra q não tem psycobilly é game de fresco. Eu gosto dessa música. Mas, pode colocar qq uma do Kães Vadius pq é leeeegalllll....

- O Adventista - com Camisa de Vênus - Eu escutei a primeira entrevista q o grupo deu numa rádio obscura de SP (até pq eles falaram q era a primeira). O locutor perguntou - Pq o nome? O Marcelo Nova falou - OK, é forte. Se vc quiser a gente troca pra Capa de Pica. Beeeeeeemmm rock'n roll. O Gustavo Mullen é um baita guitarrista de rock.

- Grandola Vila Morena - Com o 365. Olha, esse hino anarquista precisa ser repassado para as próximas gerações... tá ligado... entende o q eu estou tentando dizer?

- Deixa Meu Cabelo Em Paz - de Oswaldo Nunes. Infelizmente o único vídeo q achei é esse. Mas, eu garanto. Essa música é muuuuiiiiiito Rock'n roll. Olha esse rifff.... e essa letra.... ?!?!?!?! Caralho!!! Não ria antes de tentar achar em sites de MP3 ou então com seu amigo especializado em Jovem Guarda. .... seu diretor. Bom. Um Guitar Hero brazuca tem q ter lá um toque todo especial também.

- Meu Bem - com Ronnie Von. E só com ele. Pq seria uma tiração de sarro com o Rock Band Beatles. Na real, não seria um Guitar Hero. Seria um Franja Hero. Pq vc tem q tocar a musiquinha chata e jogar a franja como o príncipe fazia.... sensacional.

- Pode Vir Quente que Eu Estou Fervendo - com Erasmo Carlos. Na boa, é a melhor letra de rock q já foi feita no Brasil (se não me engano é do Carlos Imperial). O Tremendão era.. e é.. super rock'n roll. Quem conhece a história do rock no bairro paulista da Pompéia sabe. Infelizmente, ele tinha um melhor amigo muito do brega. Se vcs gostaram... vcs precisam ouvir isso instrumental com o The Jordans.

- Bicho do Mato - com o Som Nosso de Cada Dia. Eu ia adorar tocar Guitar Hero e ficar cantando "Quero ir pra serra, ser gente, ser fera.... ser bicho do mato. Do matuuuuuuuuu". É um tanto quanto hipermoderno isso... rs.

- Umbabarauma - com o Soulfly. Pq tem q mostrar o q é esse tal de Rock Popular Brasileiro...

- Nicotina - com Replicantes. Ah.. vá... punk rock é fácil... é só 3 acordes. Toca aí então. Passa aí esse solo na primeira q eu quero ver. Toca aí Serra!!!!

- Ideologia - com Cazuza. Vc sabe q eu não gosto. Vc sabe q eu não gosto. Vc sabe... Mas, a letra é boa. Muito boa. E.. deve ser gostoso tocar isso na guitarrinha q dá LER e DORT. E, como game é ainda um treco meio burguês. Quem sabe... sei lá... rock é meio atitude ainda... eu acho.... ainda acho...

- Velha Mistura - com Golpe de Estado. Um dos melhores guitarristas de rock brasileiro de todos os tempos com um dos piores vocalistas (se bem q com uma das melhores presenças de palco - tchiiipuuu um Anthony Kids nacional...rs). Acho q mostra um pouco do que é o rock nacional.. muita luta e pouca... hãmmmm... oportunidade.


- Mardito Fiapo de Manga - com Joelho de Porco. Poucas letras de rock são tão profundas e mostram tanto a mistura que o brasileiro pode fazer com algo tãããão... hã.. hmmm.... curtura de maça como o Roquinhol. Entra aí no lugar do Black Magic Woman... rs.

- Os Metaleiros Também Amam - Pq tem q ter um toque assim.... brazuca no Guitar Hero.

Legião? Paralamas? Kid Abelha? Fresno? Pitty...
ah..

se
foder....

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

10 tendências para 2010

Se não me engano, deixei de fazer previsões aqui no blog em 2007. Tudo pq não via grandes coisas que não estavam já sendo discutidas por muita gente perto de mim. Mas, esse ano é diferente. Estou sentindo um certo gap no ar. Tudo que vejo comentado é algo muito específico ou desfocado das grandes macrotendências. Então, resolvi juntar energias geradas por um período de festas longe da Matrix sem conexão e celular para postar minhas idéias (aquelas q ninguém liga mesmo, mas eu sempre me vanglorio delas dois anos depois).

1- Ecogeeks - É simples de entender. São pessoas que gostam de viver num mundo digno e não querem desgrudar das facilidades da tecnologia. Não é nada de notebooks de bambu. Tem mais a ver com sustentabilidade. Baixo consumo, reciclagem dos aparelhos e uso de materiais não-tóxicos na produção, além de produtos que economizam recursos (um serviço na Internet q evite deslocamentos de carro ou avião, por exemplo) são idéias que agradariam a esse público e sei q existem empresas com planos para isso - seja sob a marca ecogeek ou não.

2- Vida Digital Low Cost - os netbooks provaram, na realidade, que o estilo de vida conectado necessita de preço baixo. Com a popularização das tecnologias de comunicação e informação (TICs) avançando para muito além dos nerds e técnicos, qualquer produto desse tipo entra em um novo patamar de prioridade no consumo desse novo público popular e late adopter. A tecnologia está bem atrás na intenção de gastos dessas pessoas. Vem depois da alimentação, educação e lazer - ao menos dessas. Portanto, preço premium não cola mais. Aparelhos com o Android tb devem influenciar essa tendência.

3- Conteúdo pago ou remunerado - Parece uma heresia apostar nisso, mas a essas alturas da nossa experiência na Web já descobrimos que está muito mais fácil se deparar com conteúdo mediano do que diferenciado nas buscas. Culpa do Page Rank, talvez... Certamente um outro fenômeno da popularização da Internet, dos blogs, da Web 2.0 etc. Quanto mais pessoas comuns conseguem acesso e poder de publicação, mais conteúdo comum é produzido. E o sistema comercial sabe muito bem lidar com o esquema "crie a dificuldade para vender a facilidade". E a facilidade hoje é: economizar tempo e conseguir atenção. Muitas pessoas pagariam para achar o que querem ou entrar em contato diretamente com especialistas... sem perder uma ou duas horas no Google. Empresas comuns q viraram mídia ao criarem blogs, sites, perfis no Twitter tb querem alguém q escreva o correto no tempo certo... e pagariam (pouco, é verdade) por isso. Não é q tudo será pago. Simplesmente essa estratégia será mais OK. O sucesso (embora ainda restrito) do Kindle tem a ver com isso... e nem estou citando o cerco sobre os downloads...

4- Web em tempo real - A grande revolução do Twitter nos negócios on-line é ter mostrado que há uma necessidade incrível das pessoas se mostrarem vivas digitalmente. E as empresas, lógico, sentiram que podem interagir com elas a qq momento. Só que isso precisa de ferramentas para ligar esses interesses. Location based applications, buscas q mostram resultados de segundos e sistemas que capturem padrões de comportamento e gerem estratégias comerciais antes que os consumidores mudem de opinião ou local irão bombar.

5- Simpatia por robôs - O computador já se tornou um eletrodoméstico há vários anos. Então, qual seria a próxima techtralha a conviver conosco em casa? Minha aposta: um robô. A evolução deles tem sido espetacular nos últimos anos e, embora pareça que só os japoneses gostem disso, eu acredito que iremos ser mais simpáticos a esses humanos de metal e circuitos em 2010. Provavelmente ainda não iremos comprá-los no Carrefour, mas já começaremos a imaginar como eles ficariam lindos com uma vassoura na mão, contando histórias para os filhos ou ajudando a colocar a lata de arroz em cima do armário.

6- Web anti-social - ninguém gosta de viajar para um paraíso longínquo no litoral e encontrar com o chefe, o colega chato, o primo babaca, o contador e a mina do call center q te cobra a dívida do carnê. Pois, a praia digital que era pra poucos está assim -- muvucada de rotina comum de nossas vidas. A única saída é procurar um local mais deserto ou cercar tudo em um condomínio exclusivo.

7- Todo mundo é hacker - Simplesmente pq nem todo mundo na Internet é geek. Isso irá criar novos problemas de segurança, tão simples de resolver quanto fáceis de criar. É o fim da era romântica dos grandes criminosos digitais e o surgimento da banalização dos cybermeliantes. (OK, eu sei do termo hacker x cracker - o título tem a ver com a falta de maneirismo com a gíria de tecnologia, é baseado na própria tendência).

8- Conflito na classe média - essa fatia da sociedade aumentou no mundo todo, principalmente puxada pelos emergentes Brasil, Índia, China, África do Sul (q tb podem ser chamados de classe média da geopolítica). Mas, são pessoas que têm renda para isso mas não têm serviços básicos. Têm dinheiro mas não estudaram nos colégios quatrocentões. Podem ir ao shopping Iguatemi mas não foram na festa de ontem. E o q faz a classe média dos Jardins qdo encontra seus supostos pares do Capão Redondo? (tá.. eu disse q ñ ia colocar links, mas esse post da @ladyrasta é bem exemplar) Há empregos, clubes, diversão, assunto etc para todos? Não.

9- Contra as massas, petiscos - Cada vez mais as recentes revoluções tecnológicas se provam excelentes ferramentas de cultura de massa. Só que ao contrário da era pré-digital, as mesmas coisas que promovem a padronização também ajudam na diferenciação. Só que não há novidade no caminho da antimassificação. O que resta é sempre família, regionalismo, religião e arte. Tudo que não é grande público vai se tornar cada vez mais interessante para early adopters... seja on-line ou off-line. Quem não sabe por onde fugir da Matrix, encontrará o caminho nisso aí. Somente nesse movimento iremos ver o que o futuro revolucionário reserva.

10- Novo dinheiro - Está cada vez mais claro o declínio da economia dos Estados Unidos. Acho um pouco confuso discutir o fim do império do mal e essas coisas. Mas, uma coisa é certa - fora do domínio do Tio Sam, outras coisas têm mais valor do que o dinheiro. Em países não anglo-saxões, a amizade e a felicidade são mais reconhecidas. Em países pobres, o bem-estar não tem muito a ver com o que o governo te dá.. até pq ele nunca deu muita coisa. Não acho q em 2010 vejamos um novo conceito de valor na moeda tão renovador quanto o acordo de Bretton Woods ou a desvinculação do valor da moeda ao ouro. Mas, algo novo já poderá ser sentido. Quem lida com novas regras de contabilidade da IFRS e ativos intangíveis sabe que existe mudança no ar... O problema é q essa potência dominante e seus pensamentos econômicos surgiram na Segunda Guerra e ninguém quer ver uma Terceira Guerra... mas, a gente já escutou sobre cyberguerras que causam prejuízos financeiros, né ? Mas, qual cyberataque deixaria em ruínas uma sensação de felicidade?

Hipermídia somos nozes - Ops! Essa é a décima primeira previsão... Mas, é só para lembrar que eu tenho lá minhas diferenças com o conceito de hipermídia quando ele é centralizado na produção. Gosto mais quando ele está calcado no consumo. Então, não coloquei links... vcs procuram na web o q acharem mais interessante ou instigante e vão fazendo a leitura não linear de vcs.

H+ - aãããmmmm.. hummm... somente prestem atenção ao pós-humanismo, o humano aprimorado, o mais do que humano. Não é pra 2010.... e um dia escrevo sobre isso e minha idéia de ciborguismo cognitivo.


De resto... um 2010 de muita foda pra combater tanta punheta egocêntrica e improdutiva.
:)

domingo, 22 de novembro de 2009

Entendendo a briga Chrome OS e Windows

Quando a Microsoft lancou o Windows, em 1985, o sistema operacional não era algo muito glamuroso no mundo da informática. Ou até era, mas não chegava aos pés de qualquer hardware. As máquinas eram as rainhas da época.

Isso tem uma explicação muito simples. A máquina determinava a evolução. Qualquer byte a mais na memória, no processador, qualquer ponto a mais de definição no monitor, enfim, qualquer novidade mínima no hardware era saudada pelo mundo inteiro. E quando eu digo qualquer era realmente qualquer. O desempenho dos computadores no meio da década de 80 era inferior a muito carro com tecnologia embarcada, celular meia-boca e até de muitos aparelhos eletrônicos que se pode comprar em camelôs pelo Brasil. Portanto, qualquer mínimo avanço era um grande passo que levava todo o mercado junto.

Quem dominava esse mundo do hardware era a IBM. Haviam outras companhias que nem vou citar o nome pq até se tornaram irrelevantes ou sumiram do mercado. Para facilitar o entendimento da importância do Chrome OS, atenham-se à IBM.

O mundo da informática girava em torno da IBM e a Microsoft era uma das fornecedoras. Umas das importantes, com o software que fazia a máquina funcionar e era uma espécie de tradutor da linguagem humana para a linguagem dos computadores. Mas, era apenas mais uma na lista de companhias que ajudavam o negócio da IBM crescer.

Um dia, o dono da Microsoft descobriu que as máquinas não eram nada se não houvesse algo que fizesse o intercâmbio de informações entre os humanos e elas. Computadores não eram nada sem um sistema operacional (SO), até pq, sem isso, eles ligavam mas não faziam absolutamente nada a não ser piscar uma luzinha verde irritante no monitor.

Então, o dono da então quase desconhecida Microsoft decidiu usar um truque de negócios muito eficiente e que faz parte da cartilha do bom capitalismo. Ele commoditizou o concorrente criando um novo paradigma de uso e consumo... Hã? Não entendeu? Complicou? Pois é fácil de entender.

Bill Gates sacou a importência do sistema operacional para a máquina e passou a trabalhar para que ele fosse ainda mais importante. As primeiras versões do Windows eram um lixo, mas já davam mostras do que era pretendido. O sucesso da estratégia veio mesmo com o Win 3.x, sucesso de vendas (e de pirataria) e realmente algo multitarefa e inovador.

O Windows 3.x era tudo que os usuários (usuário é um nome pedante para definir humanos consumidores, se é que vc não sabe disso) queriam. De uma hora pra outra, as pessoas passaram a perguntar nas lojas se havia o novo Windows pra vender e esqueceram dos PCs IBM.

Com isso, o computador ficou atrelado ao SO. Esse, por sua vez, passou a ter mais valor para os consumidores do que o computador.

Com isso, a IBM entrou em crise. Quase afundou. E só foi salva por um executivo sensacional e de grande visão de negócios, Lou Gerstner. Ele reuniu a cúpula da empresa e disse: "putada, fodeu. Ou a gente começa a faturar em cima de algo que não seja máquina ou vamos começar a engraxar sapatos de moleques que estão criando empresas de software" (bem, não foram essas as palavras exatas, mas vcs entenderam o discurso dele, que provavelmente foi muito mais polido).

Gerstner mudou o foco da empresa, fazendo a IBM desencanar do hardware e se preocupar em oferecer serviços em cima do hardware - dela ou de outros. Foi uma estratégia de grande sucesso e é digna de estudo até hoje.

Mas, pra entender o Chrome OS, a
história importa só até aí.


Pois bem, com o PC tendo valor igual a uma lata de óleo de soja e com diferenças exatamente iguais as que vc encontra na prateleira desses produtos no supermercado da esquina (pra quem não sabe o que é commoditização, essa é uma das melhores explicações), a Microsoft cresceu, floresceu e... bom, é o que é hoje.

Mas, a Microsoft nunca precisou mais usar o artifício de commoditização do concorrente. Usou dumping contra a Netscape (o caso mais clássico), desqualificação (com o Linux), sedução econômica (com o Yahoo)... Mas, commoditização nunca mais.

--> Agora é a hora que fala realmente do Chrome OS. E, se vc leu até aqui
achando que ia ter um tratado sobre isso... esqueça. Afinal, ficou simples
de entender.

Com o lançamento do Chrome OS, o Google está fazendo a mesma coisa que a Microsoft fez com a IBM. Está commoditizando o SO pq descobriu que a importância está nos aplicativos e na Internet.

Olhe, por exemplo, para o navegador Chrome. Vc digita uma frase no lugar do endereço do site e ele automaticamente vai buscar o que aquilo significa. Isso é um aplicativo do navegador. Importante pra caramba. Que outros aplicativos úteis poderia ter um navegador?

Se o aplicativo do navegador é útil, imagine por um momento o navegador mesmo. Ele é o não é o seu aplicativo mais usado? Se não for, garanto que está entre os três mais usados. É ou não é? (claro que é, afinal vc está lendo isso, então tem conexão e sabe lidar com conteúdo online. Não é qq público que está iniciando agora na web ou está na exclusão digital).

Então, a tática do Google é a mesma que a Microsoft usou contra a IBM. Não é lindo isso?... bom, diga vc. Pq o dia que eu começar a achar lindo esse tipo de rotina mercadológica, jogo todos os meus livros sobre Klimt no lixo.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Carne, pra que te quero?

Estamos churrascando o planeta. Esse é o alerta de muitos ambientalistas que propõem a eliminação ou, ao menos, a redução no consumo de carnes nas refeições. A idéia está muito bem exposta nessa notícia da Exame na qual o ex-beatle, Paul McCartney, ativista dessas causas, diz para que as pessoas deixem de consumir bifes às segundas-feiras. Seria o fim do Virado à Paulista nos botecos???

Se a idéia ganhar sustância, sim.


O caldo meatless (sem carne, em inglês) tem se encorpado. A cidade belga de Ghent, lançou recentemente uma campanha para convencer a população a não comer carne pelo menos um dia por semana. As alegações vão desde as preocupações com a saúde pública até os benefícios sobre o meio ambiente. Para incentivar essa atitude na população, altos funcionários públicos foram os primeiros a aderirem.

Não é um evento isolado. Na Holanda, o Partido dos Animais, produziu um bom documentário sobre as influências maléficas que os rebanhos de gado, suínos, etc. causam e como contribuem para o efeito estufa. “Meat the Truth” pode ser visto no Youtube. Nele, o alerta é claro: enquanto a frota mundial de veículos colabora para 13% do aquecimento global, somente a pecuária (sem contar a linha de produção fabril que leva bifes e nuggets para nossas mesas) fica com 18%. Você troca uma chuleta pela nossa camada de ozônio?

Não é um blá-blá-blá radical que costuma espantar quem não é VEGAN e tem o hábito adquirido de eras a fio de comer carne (eu aqui, por exemplo, esse carnívoro que escreve essas linhas mastigadas). O discurso é muito parecido com o Nobel da Paz, Rajendra Pachauri, presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Ambos aconselham a simples redução no consumo de carnes.

Um churrasquinho a menos no ano ou um dia comendo gostosuras meatless. Arroz, feijão e salada de beterraba no almoço. No jantar uma sopinha de cebola no pão italiano... e blz!
.... aliás, muito fáceis de se achar na Internet e até com pratos famosos da culinária tradicional como o panaché de legumes ou adaptações como o tutu de feijão sem ligüiça.

Esse movimento deve ir ao encontro de outra onda que pode afetar os negócios e o comportamento de consumo. Pais em todo o mundo estão preocupados com a OBESIDADE INFANTIL e a má-alimentação de crianças. Hambúrgeres, cachorros-quentes e demais lanches do tipo são duramente criticados e a tendência é que esse cerco aumente. Não será surpresa se algum dia pedirmos um nº1 no MacDonald's e a cestinha trouxer frutas e iogurte. Esse movimento saudável já é sentido nos EUA, conforme se lê nesse texto do blog de saúde do NYTimes.

No Brasil, o burburinho não é tanto. Fica um pouco maior por volta do Dia Mundial sem Carne, em 20 de março, e o Meatless Day, em 25 de novembro, quando alguns grupos vegan, anti-especismo e ligados a culturas orientais fazem manifestações.

É interessante quando o papo de respeito aos seres vivos se encontra com forças de mercado e é impulsionado pela tendência irrevogável do ambientalismo. Isso torna a onda abrangente e forte. Dá pra apostar nisso como novo comportamento. Se não total e radical, pelo menos será muito comum termos mais amigos e parentes adeptos do meatless casual.

A única parte que precisa de evolução ainda é o aspecto científico. A produção de carne-falsa - algo como bifes de laboratório - ainda é um experimento. Mas, há gente interessada nessas pesquisas. O Pessoas por um Tratamento Ético de Animais (Peta) ofereceu um milhão de dólares para quem criasse um projeto de carne-falsa em escala industrial.

Esse novo prato está cozinhando e em breve deve ser servido ao mundo. No cardápio, prepare-se para consumir o conceito de ALIMENTAÇÃO ÉTICA.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Falta de inovação contribui para crise americana

Uma reportagem da Business Week questiona se a falta de INOVAÇÃO na indústria americana não contribuiu para a crise na qual o país chafurda. O texto The Failed Promise of Innovation in the U.S. dá várias traulitadas na diferença entre discurso e ação das principais empresas da economia tradicional e joga na cara dos empreendedores e governo que desde a bolha pontocom havia indícios dos caminhos para inovar.


Olhar esse problema do ponto de vista de hoje é mais fácil. Mas... dizem por aí que empreendedor bom tem visão de futuro. Então, dá pra perceber que muito povo que só tem discurso bonito aí não passa de papagaio.

Desde a bolha, qualquer pesquisada na Internet mostra que várias novidades poderiam estar em produtos manufaturados há pelo menos uma década. Não estou falando de Facebook. Isso realmente é muito novo e, na visão dos negócios tradicionais, merece mesmo que se dê um tempo para os novidadeiros testarem suas funções e alguns empresários realmente espertos investirem em meios de se ganhar (muito) dinheiro com isso. Falo de células de combustível, serviços construídos em cima de software e acessados por meio de uma rede wireless qualquer, terceirização de atividades que não são foco da empresa, uso da globalização para conseguir novos parceiros de negócio para alguns processos fabris, etc.

Por exemplo, os carros poderiam ter outros combustíveis que não o petróleo. O programa do governo brasileiro sobre o álcool, para substituir os combustíveis fósseis em larga escala, tem mais de 20 anos, tendo sido criado por conta da crise do petróleo de 1973. As células de combustível tiveram grande avanço e barateamento na década de 90 - com o uso do Nafion para substituir o catalisador de platina - e desde então têm evoluído apesar da necessidade de maiores investimentos em pesquisa. As cidades americanas têm se tornado exemplo de uso de redes wireless desde o início da década.

A GM, que tem se convertido no símbolo dessa derrocada americana, poderia ter ocupado seu tempo em deixar seus carros mais verdes em vez de tentar transformar o Malibu e o Saturn em concorrentes à altura dos luxuosos japoneses ou tentar enfiar goela abaixo o beberrão Hummer aos consumidores.

É certo que a crise foi criada por uma sede de lucro em um mercado prá lá de altamente arriscado (sub primes). Mesmo esses chamados investimentos tóxicos poderiam ser contornados se os empresários se comunicassem mais com seus clientes e acionistas – aí sim, uma coisa estilo Facebook – para saber que a desconfiança que havia já era grande antes da quebra do Banco Lehman Brothers. E convenhamos, consumidores de uma forma geral estão pedindo ÉTICA nas empresas desde o caso Enron. Está tudo na Internet. E quem disse que novas atitudes e postura ética não são inovação também?

domingo, 23 de novembro de 2008

Reuters abandona o Second Life

A empresa jornalística Reuters abandonou o mundo virtual Second Life. Enquanto esteve por lá, foi, na minha visão, pioneira e audaciosa. Montou uma belíssima redação virtual com repórteres exclusivos para o SL e mantinha um blog que trazia informações de lá para o mundo real. Na via inversa, transmitia um noticiário para que quem estivesse curtindo a plataforma da LindenLab ficasse sabendo o que acontecia por aqui, onde a poeira incomoda o nariz.

O Second Life está em baixa, mas o interesse em mundos virtuais está crescendo. Já escrevi sobre isso e mantenho a impressão. "Na verdade, o que importa no Second Life é tudo O QUE ELE REPRESENTA, menos ele em si.". É coisa para evoluir ainda.

Há bons links para acompanhar a história da Reuters no SL. Um bom texto é o do Sillicon Alley Insider: "Exclusive: Why Reuters Left Second Life, And How Linden Lab Can Fix It". Onde o autor, Eric Krangel, dá dicas sobre como salvar o negócio.

Eu só fico com a impressão que a Reuters demorou para sair. Ela é uma empresa que ganha muito ao seguir um hype tecnológico e tem boa parte dos seus consumidores formadores de opinião ligados nessas ondas. Então, é lógico que ela deve surfar no maior número possível delas e, sempre acompanhando o movimento dos mais novidadeiros.

Só que, à medida que o movimento for esfriando, ela deve sempre se antecipar na retirada.

Quem se vangloria de ser um dos primeiros a entrar, tem que ter sensibilidade para indicar a saída para os outros. ....--- E partir para a próxima para manter sua imagem de avançado.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Nomes engraçados de empresas

Escolher o nome para uma empresa não é das coisas mais fáceis que há na vida. Eu mesmo já vi muita marca que causa mais riso do que paixão. Coisas que fazem a gente desconfiar do que os donos fumaram antes de nomearem suas companhias ou aprovarem aquele plano genial da agência de publicidade.

O Robin Wauters, no site Next Web, mostra 15 nomes idiotas para start ups da Web 2.0. É uma boa lista, muito engraçada e que me deixa muito triste de não ter colecionado os nomes idiotas de empresas de tecnologia que vi na vida.

Eu não sou dos que acham que o nome é que faz a empresa. Pelo contrário, é o sucesso da companhia que ajudará no modo como a marca será reconhecida. E isso serve para tudo. Quem imaginaria que uma banda que se apresentava com um trocadalho meia-boca entre ritmo e besouros (Beatles = beat + beetles) seria sucesso?

Há coisas piores. Imagine que vc trabalha numa imensa corporação que produz alta tecnologia para máquinas e equipamentos pesados, reconhecida no mundo inteiro, algo mesmo pra te deixar orgulhoso. Mas, aí, quando te perguntam onde vc trabalha, vc precisa responder: -- Eu sou gerente da Taturana!!! (o pior é que o jeito carinhoso de chamar a Taturana é “Gato”).

E se você fosse um genuíno pesquisador e empregado Goiaba? Powsz!!! Não riam, a Guava Technologies é uma empresa visionária que andou popularizando a citometria pelo mundo afora.

Tá rindo ainda?
Guava é engraçado?
E Apple, não é para vc?

E que tal trabalhar numa companhia exemplar da gestão de talentos, da inovação na plataforma digital e uma das players em seu foco de atuação? Legal né? Só que no seu crachá vai estar escrito Monstro. Isso aí!

José da Silva

Monstro


Nomes. São complicados os nomes.
Vai ver, por isso algumas pessoas apelam para a numerologia para escolher a marca.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Dicas de escrevinhar para blogs

Vc tem um blog e não sabe mais sobre o que escrever?
Ou,
não tem e entra em crise toda vez que pensa sobre isso?

Que tal procurar no Google sobre o último estudo do IVC (Instituto Verificador de Circulação)? Nesse link do Meio $ (oooops, &) Mensagem, o mais importante veículo de publicidade do Brasil, há alguns dados interessantes.

A pesquisa detectou um aumento de público de algumas publicações mensais. Vindo nesse momento de aumento de renda, principalmente em quem não tinha acesso ao consumo, é bem interessante.

Temas -- e estilo -- da revista Mundo Estranho, por exemplo, estão em alta. Já os da Rolling Stones Brasil, estão em baixa (parece q, ao contrário do slogan, isso não importa tanto ou não importa desse jeito). Pode haver, nesse último dado, alguma influência da web como concorrente da revista.... eu até acho q sim, Mas, cabe a vc testar e arriscar.

Ah! Sim, claro. Evidente. Essa dica é para quem se preocupa com audiência. Quem não está nem aí pra isso, pode desencanar e continuar a ser original.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

A Cauda Monga

Definição do blog "Pau no Cool Hunter" e a qual se deve anotar para futuros projetos.

"Saiba que a cauda monga é aquele pitoresco setor grande o suficiente para não ser um mero nicho e demente demais para curtir as sutilezas imbecis que você produz."

O tom sarcástico e humorado do post sobre a Cauda Longa (já tão discutida) não elimina a verdade que estampa. Confiram.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Enjaulando redes sociais

A MTV, empresa da MEGACORPORAÇÃO de mídia Viacom, já botou no ar o seu clone do Twitter. É o Backchannel, uma plataforma de microblog que servirá de canal de interação entre os fãs da novela-bisbilhotagem The Hills.

Qdo o programa for ao ar (há uma contagem regressiva no portal), as pessoas vão ter algo mais a fazer do que sentar-se no sofa e ver TV. Elas poderão fazer comentários sobre o que acontece e iniciar algumas polêmicas com outros fãs também on-line.

Ué, mas não poderiam fazer isso do Twitter mesmo? Pois é, podiam. Mas, as empresas têm mania de enjaular comunicação e comportamentos. Controle e padrões são conceitos que ainda imperam nas empresas, sabia? É com isso que é feita a gestão como a conhecemos hoje.

A MTV promete premiar os melhores comentários e picardias. Será uma espécie de ALPISTE PREMIUM para quem entrar nesse mundinho fechado e controlado.

Será um chat oficial do programa. Pra mim, algo esquisito e ruim. Duvido que a empresa não expulse quem se exalte ou queira conversar sobre outras coisas durante a programação. O Backchannel foi feito pra promover o "The Hill", qualquer coisa longe disso deve ser monitorada e limpada pela MTV.

Ah! Nessa semana também surgiu o Yammer, um Twitter corporativo. A idéia é que ele ajude no controle de projetos. Vc resume o que está fazendo ou procurando. Se outros colegas se interessam, te respondem e aí começa o workflow.

Pra entrar, vc precisa ter um email da empresa onde trabalha. Lá dentro, vc fala com as pessoas que têm o mesmo endereço após a @. Ou seja, vc consolida o consolidado. É como se o Yammer fosse uma salinha de café digital... muito longe de ser o boteco da esquina onde vc toma cerveja depois do expediente.

É uma tendência natural que as empresas façam isso. Elas ainda vivem sob esse paradigma da gestão do exagero do controle.... e a colaboração tb deve ser controlada. Mas, vc sabe a diferença de interação, networking e inspiração entre a máquina de café do corredor da empresa e o boteco, não sabe?

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