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sábado, 18 de junho de 2011

Protestos e redes sociais

Nessa semana, enquanto muita gente babava na foto do casal se beijando no quebra-quebra em Vancouver por causa de uma partida de hóquei na qual o time local perdeu vexatoriamente... eu fiquei pensando no Egito... é... lembra aqueles protestos por lá?

Há alguns meses temos visto populações saindo às ruas no Norte da África e Mundo Árabe para protestarem contra governos. Esse povo tinha um motivo comum – afastar seus governantes – e uma boa arma na mão – o poder de engajamento e comunicação das redes sociais.
Opa! Não vou aqui falar que foi o Facebook e o Twitter que fizeram os protestos.

Esse determinismo tecnológico é da pior espécie.

É como se a Xerox dissesse que as fotocopiadoras é que faziam as pessoas saírem em passeatas nos anos 70 e 80...

Ou as fabricantes de mimeógrafos fossem as responsáveis pelos protestos estudantis dos anos 60...

Ou as gráficas se vangloriassem de serem as responsáveis pelo sucesso do catolicismo só pq imprimem imagens de santos em papéis...

Nem o fundador do Facebook acredita nisso.

Esse povo saiu às ruas pq os governos eram ruins e havia pressão econômica. Em todos os países havia corrupção alta, muito alta mesmo. Faltavam empregos e não se achava comida no supermercado. Não estou falando de iogurte ou café com aroma de baunilha... faltava farinha, óleo, arroz, legumes.

Outros países com dificuldades financeiras e governos contestáveis viveram o mesmo em algum momento.
Espanha e
Grécia foram os mais famosos.
Irlanda,
Itália e
Portugal viveram algo pontual também.

Podem esperar. Vai haver mais disso. É só ficar de olho no noticiário. Onde houver governo que perde a legitimidade, falta de comida, desemprego... haverá povo na rua. E, com smartphones na mão.

Muitas fotos tiradas com o Instagr.am, notícias no Twitter, convite para protestos no Facebook, etc.

As redes sociais ajudam na união dos interesses e na comunicação imediata. Mas, não criam protestos. São um meio, lembra? Nem são uma benção tecnológica que libertará o mundo da opressão. Podem, inclusive serem usadas para tal.

Não foi o Facebook ou o Twitter que fizeram algo. Foram a insatisfação e a economia que fizeram todos esses protestos. Até pq quando essas redes foram bloqueadas no Egito, no auge da confusão por lá, os manifestantes usaram fax, ondas curtas e panfletos para se comunicarem.
As redes são boas.

Só que também são neutras.

No quebra-quebra de Vancouver, as redes foram usadas pelos arruaceiros para se vangloriarem de cada viatura policial virada, cada carro incendiado e cada loja invadida e depredada.
Na Internet, o sucesso foi o beijo do casal.

Foi esquecido o uso das redes sociais para promover a patifaria, o vandalismo e o crime. Os supostos especialistas em tecnologia que falavam muito durante os protestos do Egito sumiram.
Esqueceram disso. Não se importaram...

Vai ver que as redes sociais não são tão neutras assim.

... então, vamos protestar.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Você é a Interface

O impressionante video abaixo mostra alguns estudos sobre o uso do corpo como interface tecnológica. É uma das linhas de pesquisa sobre o futuro de dispositivos, principalmente celulares. A idéia é simples. A parafernália de nervos, músculos, pele e ossos do nosso corpo é capaz de emitir sinais com mais precisão do que qq outra máquina inventada. O problema até agora era: "como fazer as bisonhas máquinas q inventamos até hoje comunicarem-se com essa outra máquina muito mais superior e maravilhosa"? A resposta está aí.
Aos 58 segundos de video é mostrado como jogar Tetris sem teclado ou joystick, apenas tocando os dedos.... coisa pra impressionar nerds.



Essa tecnologia é a Skinput, da Microsoft. Já havia sido anunciada há pelo menos um ano e nos últimos dias voltou aos foruns de tech. Parece que por causa de uma notícia na FastCompany que ligava isso ao desenvolvimento do Kinect - o apetrecho para consoles de games da MS que é comandado por gestos.

Tudo a ver. É bem promissor mesmo. Há diferenças entre elas, como o uso da acústica do corpo... mas, tem lá suas ligações evolutivas também. Por enquanto, o que temos são iniciativas dispersas.

Nesse outro artigo sobre os caminhos futuros do reconhecimento gestual por sensores, vemos que não só Microsoft, mas Google e Apple tb estão investindo de alguma forma nisso. Ainda focados no mercado atual de games e não exatamente nesse do video. Mas, deve ser uma questão de tempo. O executivo de uma empresa de sensores fala isso nesse texto. Finalmente a tecnologia de reconhecimento gestual foi aceita pelo "mainstream".

E, se foi aceito, é sinal q já está sendo comercialmente aprimorado.

Será preciso algo mais confortável para o Skinput. Questão de tempo. Enquanto isso, as possibilidades começam a surgir com o que há de disponível atualmente.

Há inclusive grupos de hackers kinecteiros trabalhando modelos pouco convencionais de interação com a plataforma Kinect atualmente.

A Skinput ainda é coisa pros próximos anos. Mas, o lance do Kinect e do reconhecimento gestual é pra daqui a pouco. Não é por acaso que a Softkinetic, uma empresa especializada na plataforma, tem o slogan "The Interface is You". Há muita novidade pronta pra despontar aí.

Uma aplicação prática é usar uma enfermeira-robô que imita o que o cirurgião faz (coisa q pode funcionar até mesmo a grandes distâncias). Pesquisadores de empresas de eletrônicos esperam usar as tecnologias de reconhecimento gestual para aprimorar monitores de TV e telas touch screen de celulares.

E, como não poderia deixar de ser, o exército americano tb está estudando a trolha. Uma espécie de Wii para pilotos controlarem as aeronaves fazendo aviãozinho com as mãos.

A Lenovo mostrou há alguns dias seu laptop capaz de reconhecer o movimento dos olhos. Outra empresa q planeja ganhar mercado aí é a Primesense. Aqui tem um video com as possibilidades

O duro é imaginar tudo isso funcionando num mundo de tecnologia ubíqua e hiperconectado. Não vai dar pra se mexer muito sem enviar um twitt para seus amigos... e eu nem quero imaginar o q artistas performáticos vão inventar com isso nas mãos... nos pés.. e em outras partes do corpo.

---- Mais

Vi isso hoje - Movimentos do corpo são capazes de controlar um robô-humanóide

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Robô é coisa de velho. Adeus Geração Y

A tão falada Geração Y pode não surfar na próxima onda da tecnologia. Essa é minha impressão... por enquanto. Os jovens de hoje (muitos nem tanto, já com seus 30 aninhos) são tidos como os mais envolvidos com as novas formas de se conectar e usar a Internet (blá-blá-blá-redes-sociais, blá-blá-blá-celular, blá-blá-blá, blá-blá-blá). Eles estão tão envolvidos na 'morte da Internet', em suas redes baseadas em aplicativos, que nem estão ligando para o que está indicando o futuro. Robôs.

Não é culpa deles. Há três grandes campos nos quais os robôs estão avançando. E nenhum deles tem a ver com jovens. Há robôs domésticos, para ajudar na limpeza e organização da casa. Há os robôs-armas-de-guerra, que servem exatamente para isso que se supõe. E há os robôs-enfermeiras. Esses últimos estão sendo criados para cuidar de velhinhos, seus pais ou avós.

Donas-de-casa, generais e idosos. Serão os baby boomers a geração mais conectada do futuro próximo? Já pensou nisso?

Há outros aspectos paralelos e complementares que me levam a crer que a resposta para isso seja sim. O emprego para jovens tem ficado mais complicado. -- isso em termos mundiais, ok? No Brasil há diferenças -- As vagas estão diminuindo, os salários ficando achatados, etc. Isso tem feito muitos jovens terem medo de morar sozinhos. Muitos jovens ainda continuam morando com os pais ou muito... muito próximo deles...

...usando a casa dos velhos como porto-seguro, eventual dormitório, restaurante, home office e... motel. (Oq?!?! Motel não!!! Pô, vai te catar marmanjo).

Desencana.

Com isso, a demanda para robôs poderá vir mais da casa dos pais ou dos avós do que do apê minúsculo que os jovens (alguns) têm condições de bancar.

Outra coisa.

Os velhos estão mais próximos de terem condições de pagar um robô. A aposentadoria garante uma renda interessante e a essas alturas da vida a grana pra carro já foi empenhada. Com isso, o robô se tornaria o próximo bem a estar na mira, ou o próximo eletrodoméstico, ou cibereletrodoméstico (palavrinha ótima pra jogar forca, hein?!?!).

Outra coisa ainda.

A revolução das redes sociais pode estar madura, mas não significa que está no fim. Há muito o que avançar nisso. Eu costumo dizer que isso vai ser paralelamente e não como tem sido até agora. Mas, que há muito o que ser inventado, isso há.

No turbilhão de novidades que devem surgir nesse ramo da tecnologia, os jovens de hoje, a Geração Y, estará muito ocupada para ver os robôs dominarem a casa dos pais, as escolas, os hospitais, etc.

Para mim, eles vão perder essa revolução.

Nem a Geração Y nem a Z. Peça pro seu filho desenhar um robô. Será um típico humanóide da década de 50.

Robôs. Isso será a revolução dos velhos. Robô é coisa de velho.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Impressões rápidas sobre o Foursquare

Lado ruim
Usuários parecem cachorro marcando território... fazendo xixi no poste.

Lado bom
É o melhor exemplo de consumo como mídia.

Lado pior do que parece
O que é mesmo o consumo como mídia?

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O novo Twitter e o velho sonho

Ontem ocorreu o lançamento da nova interface do Twitter. O anúncio foi feito durante a noite e pegou de surpresa muito jornalista no Brasil. Eu, por acaso (ow... faz-me rir) estava on-line trabalhando e pude acompanhar o evento muito porcamente por um streaming. Mas, foi irresistível não ficar comentando com algumas pessoas a novidade.

Em resumo, os criadores do Twitter concentraram-se no seu produto principal, o site do Twitter. Existem centenas de desenvolvedores independentes que criam soluções para usar o Twitter no celular, no navegador, que deixam fazer textos mais longos, colocar vídeos, fotos etc. Mas, eles focaram só no Twitter.com, que é o jeito mais usado do treco, 78% usam o Twitter pela Web. veja

Essa é a apresentação oficial do Novo Twitter.

A novidade, não me pareceu uma novidade. No fundo, eles só acrescentaram alguns serviços criados por desenvolvedores e fortaleceram a infraestrutura tecnológica e a interface para facilitar a publicação e a visualização de tudo isso. A página nova dos usuários ficará assim, o @ikegalli foi um dos primeiros a sentir a mudança logo de cara.

Eu tenho alguns receios quanto ao novo Twitter. Mas, eles são muito ligados à usabilidade do serviço por essa nova interface web, peso, travamento.... Sendo assim, é algo que pode ser driblado por um aplicativo mais simples, como o Echofon, por exemplo. Então não vou me deter nisso.

Minha preocupação maior é sobre o futuro do Twitter... é que achei o Twitter novo muito parecido com o Facebook. Isso ainda me deixa dúvidas se é bom ou ruim. O Facebook é uma rede social mais completa em termos de ferramentas e tem lá seu valor muito bem aceito. Imitá-lo é como refugar na inovação, deixar de ditar tendência e passar a seguir a de um concorrente.

Pode dar certo. Só q em geral não dá. Especialistas em Mkt sabem q a primeira imagem é a que fica (thiiiipuuu.... não adianta um sabão em pó gastar os tubos pra dizer q lava mais branco pq todo mundo tem no inconsciente q quem lava mais branco é OMO). É necessária uma diferenciação.

No Twitter, essa diferenciação era ser um serviço focado no "aqui-agora" e simplicidade extrema.

Traduzindo. Qq um, desde o zé mané q sou eu até a Lady Gaga e o Stephen Fry podiam publicar o q estavam pensando ou fazendo naquele exato momento. Vários outros sites de redes sociais tb. Mas, o Twitter ficou na nossa mente por isso. O que está rolando. E não "o que rolou q eu posso ver". O Twitter virou o Plantão da Globo mundial de cada um de nós - com informações úteis ou não.

Com as mudanças, o Twitter é o agora e o passado recente (coisa de dias). Se iguala à outras redes.

É uma briga boa.

Eu sou um crítico do Orkut tentar imitar o Facebook. Pra mim isso tirou o sentido popular terceiromundista de um em favor de um elitismo anglo-saxão de outro. Papo complicado, mas q eliminou a essência de uma rede criada por um turco e que faz sucesso no Brasil e Índia por uma q faz nasceu de estudantes americanos brancos e filhos universitários de classe-média.

É impossível renegar tais origens. Mas, isso pode ser até um ponto favorável ao Twitter.

Só q a facebookização do Orkut é um problema para o Orkut no Brasil. Se há realmente essa facebookização do Twitter, ela ocorre em um mercado diferente (mundial) e em um momento posterior (redes sociais mais usadas e conhecidas). Não dá pra comparar.

Me parece, na essência, que o novo Twitter está buscando seu lugar ao sol num sonho recente almejado por todas essas redes sociais -- ser a plataforma tecnológica q irá traduzir e divulgar nós para o mundo. Ele quer ser nosso filtro da ubiquidade.

Não é só relacionamento. As redes sociais (vou adotar um conceito amplo aqui, muitos teóricos dividem isso em várias percepções) buscam ser o você ampliado.

O novo Twitter adicionou um monte de ferramentas que permitem isso. Vc não é só vc em texto. Pode ser em texto, vídeo, foto, som, mapa, etc. Agora, também não ó vc do momento, é o vc de agora há pouco, de uns instantes ou dias atrás.

Tudo era possível ser feito antes, só que com o uso de vários sites. Agora está tudo dentro do novo Twitter. Facebook e Orkut tb partiram pra isso um pouco antes com vários sabores e prioridades. Todos agora são concorrentes direto de Lifestreaming (q já foi conhecido como Lifecasting). O novo Twitter consolidou isso. Se é ele q vai sobreviver no mercado ou não, eu não sei e se tem alguém q diz q sabe está mentindo ou sendo ingênuo. Tem chances, muito boas até. Não o único nisso. Creio q o consumo tende a ser tão amplo q pensar em um dominando tudo isso é puro desconhecimento das forças de mercado.

Futuro
Isso é OK. Parece ser um caminho escolhido, já trilhado e até já estão colocando asfalto, placas de sinalização e mesmo um comércio em volta tem surgido.... tem até uns cruzamentos com moleques querendo vender bala :)

O problema todo continua a ser como ganhar dinheiro nessa trolha.

Bem ou mal. Todas essas empresas de mídia social sabem que o único faturamento possível é com serviços de publicidade. É por isso que elas tem se concentrado em gerar cada vez mais conteúdo porque a base aumenta e a busca se torna essencial.

Mas, o problema é que o aumento do conteúdo é um aumento geral. Aumenta a porcaria e a coisa bacana. Adivinha qual aumenta mais?

Problema? Sim, não, talvez.... não importa. O lance é que é assim. Conforme-se.

O legal de analisar o Novo Twitter é tentar ver justamente isso. Fazer o diabo pra aumentar a geração de conteúdo e tentar ser nossa interface de ubiquidade é só um passo em direção ao novo patamar disso tudo.

Como achar o q eu quero sem ser interrompido pelo q não quero? Como separar o eu do não-eu? O cumpadre do colega suportável de trampo? A notícia factual da análise-chute-no-saco sobre o mesmo tema?

Saída.... Inteligência Artificial, web-services, Internet semântica... Matrix :) .... ih, tem um monte de termos q definem e tratam desse novo momento.

Enquanto isso não chega, quem for a plataforma mais usada para mediar o você-você com o você-digital... quebra aí um galhão. Esse é o foco dessas empresas. Conhece o Contentus? Umas pensaram q poderiam chegar aí sendo mais fechadas, outras completamente abertas (questões q já são passado).

O novo Twitter é legal. Mas, legal mesmo é o que ele consolidou e abriu.

Consolidou?!?!?!

Ooops... próximo paradigma, please. Se já está OK, vamos olhar pra frente.

sábado, 7 de agosto de 2010

Como fazer e seguir listas no Twitter

Sabe o Who to Follow? ... esqueça.

O recurso de listas no Twitter não é novo. Foi lançado em outubro de 2009 e logo foi amplamente utilizado na rede social de tirinhas. (Pra vc quem tem pressa para uma dica, use o Listorious para achar boas listas - boa ferramenta gratuita) Essencialmente é..... um jeito de fazer listas. Algo de suma importância para o ser-humano depois que ele saiu da caverna.

- pegar água.
- acender o fogo.
- caçar um dente-de-sabre.
- coletar barro vermelho pra retocar a pintura na parede da caverna.
- arrumar um osso bonito pro cabelo da mulher.


Listas ajudam na ROTINA desde que temos rotinas.

Mas, as listas do Twitter não são "o que fazer". São mais sobre "onde está quem". Algo também essencial desde inventaram a roda e começamos a expandir os limites geográficos e conhecer mais pessoas. Esse recurso do Twitter é assim... uma agenda de contatos. Contudo, eu me apaixonei por ele usando na base do "o que saber".

Eu demorei uns três meses para fazer as primeiras listas e as mantive fechadas ao público. Estava testando o modo de usar, tirar o maior proveito. Hoje tenho 32 listas. Vinte são minhas, que é o limite permitido para um perfil criar. Outras 12 são listas que outros criaram e eu achei muito boas.

Opa.. leiam de novo essa última frase --- Esse é o melhor jeito de seguir listas.


Elas dependem de uma curadoria de conteúdo on line. Por isso, investigar os perfis para achar gente que seja um bom filtro sobre determinado assunto é sempre melhor do que tentar criar uma própria de um assunto no qual não se tem completo domínio. Por exemplo, o blogueiro Robert Scoble é especialista em vários assuntos. Dentre as 349 listas que ele segue, várias são interessantes como fonte de informação sobre pessoas e notícias de tecnologia, empreendedorismo digital e tb quem é quem no jornalismo de tech em língua inglesa. Gosta desses assuntos? Vá escarafunchar o dito cujo.

Outro jeito de achar boas listas é ver quem listou determinado perfil e, a partir daí, seguir essa lista ou ver outras que essa pessoa criou. Por exemplo, entre as mais de 12 mil listas q incluem o Scoble, há uma de notícias essenciais diárias, criada pelo @calderonroberto (q eu não conheço nem sigo). É uma boa lista que mistura informação de economia, geral e tecnologia. Esse perfil pode ter outras boas listas. Vá investigar... quem sabe...

Se vc não gostar da escolha dele, pode clicar em um perfil que vc julgue relevante e ver quais as listas que esse outro tem.

Isso pode ser feito várias vezes.

É cansativo. Mas, é uma das essências da Web e que a tornam interessante e geradora de conhecimento.

NAVEGAR fora das rotas. Criar rotas e portos seguros.

O maior segredo é saber quem separa melhor toda a enxurrada de informações pra vc. São esses filtros (ou curadores de conteúdo, numa linguagem mais específica) que vão lhe dar confiança de que a escolha foi certa. Mais do q simplesmente listar, eles separam bem.

Por exemplo. Há muitas listas sobre segurança na Internet. Mas, eu sentia falta de uma que fosse só dos laboratórios de empresas que fabricam produto para isso. Montei, então, uma só disso. Lista de laboratórios de segurança em tecnologia no Twitter. Ela é diferente da outra que criei que é sobre Notícias de segurança digital no Twitter.

As listas do Twitter tem se transformado na minha leitura prioritária do dia. Para mim, têm mais valor do que o noticiário do jornal, já que estão diretamente ligadas ao meu dia-a-dia e não a um interesse generalizado. Elas também superaram meu interesse pela timeline do Twitter. Essa virou um termômetro. Eu sigo muitas pessoas justamente para saber qual é o humor do mundo que passa por mim. Não precisa seguir alguém para colocá-lo numa lista, o q é muito importante para não corromper a timeline... ao menos desse jeito q eu uso.

É por isso que quando me perguntam sobre o Twitter hoje eu já digo logo - entre e se preocupe com as listas. Crie, siga, mescle, brinque com elas.


Na vitrine, o Twitter tem ficado cada dia mais parecido com o que se vê na televisão e na mídia em geral. As listas estão salvando a ferramenta dessa hegemonia.

Eu deveria escrever sobre o novíssimo recurso "Who to follow" (Quem seguir) do Twitter. Mas, ele é inútil para isso que expliquei. O algoritmo dele foi feito baseado em quem é seguido por quem vc segue. Isso me trouxe dezenas de indicações de gente que eu já havia descartado seguir. No fundo, é mais uma padronização. É a cultura de massa. O lado entreguista do Twitter.

Fique com as listas.

Eu cuido muito bem das minhas e elas estão em constante aprimoramento. Também procuro não deixá-las grandes. Há muito perfil que tem o assunto mas na verdade apenas replica. Têm o mesmo papel de uma banca de jornal. Outros são noticiários que bebem na mesma fonte ou publicam a informação tardiamente. Esses precisam ser limpados das listas.

Minhas listas estão todas aqui.

Divirta-se. Compartilhe.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Meus problemas com a Geração Y

Tenho algumas críticas quanto ao conceito de Geração Y (pessoas nascidas na década de 80 e início de 90). Acredito sim que essa geração possui novos hábitos de consumo porque nasceram em uma época na qual a globalização é uma realidade, a Internet na sua forma comercial está consolidada e toda a tecnologia de comunicação deixou de ser coisa de engenheiro e especialista e se tornou muito mais próxima do nosso dia-a-dia.

Mas, daí a achar que são algo absolutamente novo que merece toda essa lambeção que vemos no noticiário vai uma grande distância.

Primeiro, se você pegar toda a punhetação teórica em cima do termo irá perceber que na verdade ele define o comportamento instável de um jovem típico. Quer sempre aprender mais, não pára no emprego, necessita de acompanhamento de uma pessoa mais velha (os especialistas em Recursos Humanos sempre dizem q a Geração Y não deslancha sem um coaching ou mentoring), gostam de dinheiro e novidades, etc... E, principalmente, reage de forma passional e receptiva aos temas que são importantes à sua época (como ecologia, ética) e que geram uma ruptura com o que pensam seus pais. Ou seja, é um jovem como um jovem deve ser.

Era assim na década de 70 e na de 60 /// não dá pra ir muito mais longe nessa comparação porque o estudo de gerações começou recentemente, com o fenômeno dos baby boomers, que são os filhos do pós-guerra e da estabilidade econômica e da reconstrução do pós 2ª Guerra. Mas, acredito que em gerações anteriores não era diferente... costumo ver os conflitos na história da arte e do pensamento para tirar uma idéia ou outra nesse sentido.

Me aponte uma nova geração que não rejeitou ou redefiniu os valores da anterior e eu apago esse post.

A geração Y está na moda apenas porque é um novo e potencial mercado para as empresas venderem seus produtos. O que me leva a crer que o hype em cima do termo é mais influenciado pelo comércio do que qq aspecto social. Eles são bons consumidores porque têm dinheiro na mão e uma ânsia de comprar coisas que sejam típicas de sua geração.

O q tb não é novidade. A publicidade e o marketing sabem há décadas que os jovens usam o consumo como forma de aceitação social.

Jovens também costuma se ligar em pessoas com o mesmo pensamento e criam comportamentos alternativos para serem aceitos em grupos e ajudar na difícil fase de transição da adolescência para a vida adulta. Com isso acabam assumindo liguagens próprias desses grupos. Nenhuma novidade.... interagir entre eles com palavras e expressões q são estranhas aos mais velhos (saca as conversas por SMS?), fortalecer os laços dos grupos onde são aceitos (saca comunidades virtuais e movimentos como emos, cyberpunks, etc... e saca as tão faladas comunidades?).

Qual a novidade então?

A novidade é que a geração Y é usuária plena da tecnologia.

Uau!!! Mas, que tecnologia? A que eles criaram? Não. É a que os pais criaram.

E aí o caldo da geração Y começa a entornar.

A Internet foi desenhada e nasceu na Guerra-Fria, ou seja, é uma invenção de baby-boomers. Tudo bem que era só coisa de militares, cientistas e governantes com medo que o inimigo destruisse o mundo... Mas, mesmo a rede mundial de computadores que conhecemos hoje foi obra de Tim Berners-Lee e outros gênios q estão longe de serem geração Y. O Mosaic, primeiro navegador visual de sucesso da então careta Internet é de 1993, criado por um grupo de acadêmicos que eram ou baby-boomers ou geração X.

A Web Social, ou Web 2.0, ou seja lá como queiram chamar, também é fruto do movimento comercial iniciado no final dos anos 90 por jovens que trataram de abrir a fronteira do comércio eletrônico e ajudaram a criar a bolha pontocom. Eram mais geração X do que qq outra coisa.

Sim, a geração Y é filha da tecnologia... mas esse "filha" deveria ser melhor entendido. E, se bobear, nem é a que mais sabe lidar com isso. Já que nasceram com tudo isso amadurecido, não conseguem ver as rupturas da mesma forma q alguém q passou sem computador, viu como o bicho era útil, não tinha Internet e viu como a rede era útil... não sabe a diferença entre um mainframe e uma arquitetura cliente-servidor, não sabe o que foi o downsizing para a taxa de emprego, não sabe a diferença entre a reserva de mercado e a globalização, etc, etc, etc....

Para a GenY, a ruptura é normal. E, sendo assim comum, não é percebida de imediato. Já, quem viveu várias rupturas, tem maior capacidade de enxergar qdo algo está mudando ---> questão de experiência acumulada.

E, por aí vai... A geração Y gosta de falar inglês e é valorizada por isso. Mas, a globalização é um fenômeno que vem do fortalecimento do mercado de massa e do apetite financeiro mundial que se iniciou com os baby-boomers e recebeu muito fermento da GenX.

Há uma coisa típica da GenY q nunca é destacada. Até porque é uma falha e as empresas nunca vão falar.. "Olha q idiotas vcs são".. pq pode perder um potencial consumidor. É a geração que teve os ritos de passagem da infância pra adolescência e para a fase adulta (sim, os caras já beiram os 30 anos e já são homenzinhos e mulheres formadas) mais livres. A GenX e os baby boomers foram péssimos pais, foram ausentes por diversos motivos.... Não é por acaso que existe um conceito muito bom para definir os nascidos na década de 80 que é a Peter Pan Generation... mas, que foi esquecido. Ah... o conceito Mileurista (q é europeu e não americano como a geração Y) tb é muito mais explicativo às vezes.

Sim, a Geração Y é um conceito americano e até parece q encaixa muito bem naquele país. Mas, no Brasil, já é meio torto. Ah, é a geração Internet. Mas, que Internet? Hoje temos cerca de 35 milhões de internautas ativos aqui no Brasil e só um terço disso tem banda larga e pode viver toda experiência do modo de vida online. Pô, são 200 milhões de habitantes... Nos EUA, a Internet cobre 90% da população e entre 60% e 70% são de banda larga... e isso há alguns anos.

Qual é a GenY brasileira se nem Internet ela tinha e só começa a ter agora??? E que poder de consumo definido esses jovens têm se só agora a família começou a ter grana pra gastar com compras que não são apenas para sobrevivência? Posso pensar aqui com meus botões q a GenY brazuca é mais GenX do q outra coisa??? No máximo um X' ou -Y?

Evidentemente q posso.

Então, a Geração Y brasileira é só o jovem bem nascido? Sim. São os jovens filhos de profissionais liberais e de uma elite que sempre teve a vida ligada ao mundo? Filhos de uma cultura global de quem já teve acesso a isso a gerações anteriores? É uma elite?

No Brasil, o conceito de Geração Y só cabe se vc estiver falando desses jovens da antiga classe média... antes da estabilidade econômica dos últimos anos.... OK, pustza novidade voltar o foco pra eles com conceitos importados dos EUA...

O assunto é longo e não gosto de escrever textos grandes assim no blog. Mas, prometo voltar ao tema. Enquanto isso, reflita um pouco se isso tudo não é relativo e estamos perdendo o foco sobre as nossas gerações... O Brasil tem mudado mais do que o mundo de uma forma geral e é bem provável que esses conceitos americanos só fiquem bons mesmo lá nos EUA.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Google TV incendeia a convergência de mídias

Ontem o GoogleTV foi lançado na conferência de desenvolvedores da empresa. O sistema não está pronto e deve ser aprimorado nas mãos do pessoal técnico pelo menos nos próximos dois anos e lembrar o caminho percorrido pelo Android até virar um produto de consumo em celulares.

É mais uma tentativa de juntar TV e Internet. O blog Zumo traz um bom apanhado do que existe ou existiu no mercado até agora com essa finalidade... desde as tentativas de web TV na época da bolha pontocom até os modernos sistemas que entusiasmam os mais novidadeiros.

Acho meio complicado esperar por uma popularização imediata desse mercado com o lançamento do Google TV. Será preciso esperar um pouco mais. Ainda não se tem idéia de quanto isso irá custar para o consumidor final. O sistema não roda na TV que temos atualmente e provavelmente será preciso algum penduricalho tecnológico e um ponto de acesso à Internet perto da estante da sala. Tudo isso envolve gastar algum dinheiro.

Vindo do Google, a gente pode esperar custos baixos nisso tudo. O problema é que fabricantes de eletroeletrônicos devem ser parceiros no esquema e esse tipo de empresa não tem a mesma visão sobre popularização que o Google tem. Pode haver problemas regulatórios nisso daí também, já que os países costumam dividir suas leis sobre Internet e TV e evitar que uma empresa seja concorrente de outra em outro ramo. Concorrentes não vão deixar isso acontecer assim tão facilmente e vão movimentar seus lobistas.

Porém, independentemente disso, há algo que vale a pena dizer nisso. Uma certeza mesmo.

A convergência de mídias está forçando a barra para se tornar realidade. O GoogleTV é uma voadora no peito do mercado atual.

Mais do que as empresas lançando produto. O que importa... o que realmente acontece... é que o consumidor está se lascando para o fato de algo ser web, TV ou celular.

Ele quer consumir video.

Em qualquer lugar e a qualquer instante.

Programas de TV, conteúdo capturado ou produzido por internautas numa webcam ou no celular e cinema começam a ser entendidos como apenas um produto do mesmo balaio.

A tela do computador, o celular ou a TV na sala são apenas formas diversas que permitem esse consumo. Como escrevi em 2007, o que está mudando é a forma de consumir video.

Hoje, isso se tornou obrigatório. Quem nunca pensou em coletar mais informações sobre o programa que está assistindo na TV ou ter acesso a seus amigos durante um jogo de futebol para detonar aquele cabeça-de-área ruim de bola?

É o tempero das redes sociais como Twitter, Facebook e Orkut.

É o nascimento da TV Social, como alerta essa reportagem do TechnologyReview? Provavelmente sim. Mas, tudo ainda como uma convergência geral e irrestrita no conceito "assistir video".

Tudo devidamente setupado para quando eu sentir saudades do tempo em que assistia televisão de forma passiva eu possa desligar a trolha e ficar babando na frente da tela sem vontade de fazer nada.

A maior vantagem do GoogleTV é que ele já nasce meio q resolvendo dois e encaminhando um dos três problemas que sempre afetaram o problema de TV interativa e t-commerce: a produção de conteúdo específico e o faturamento publicitário da bagaça parecem claros. É Google, é Internet... é tudo o que já conhecemos e que deu certo.

O outro, ainda meio nebuloso, é a briga por padrões técnicos de desenvolvimento. O Google seria mais um. Mas, novamente... É Google, é Internet... é tudo o que já conhecemos e que deu certo.

... e torna todo esse papo de convergência de mídias mais fácil de entender.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A dificuldade da revolução 2.0

Antes q eu me esqueça.
Antes q seja tarde.
Antes q enfiem os pés pelas mãos.

Vivemos sim um revolução causada pelo ganho de poder do consumidor final (também conhecido como pessoa comum). Mas, essa trasformação toda ficou mais complicada nos últimos 2 anos por conta da democratização do acesso e condições de criação e publicação de conteúdo.

Comprometimento tem se tornado uma métrica pra lá de importante.

Aquele blogueiro é bom e tem audiência. Mas, ele está sendo financiado por qual empresa ou tem interesse em qual assunto?

Esse perfil no Twitter é relevante. Mas, ele é guru de qual empresa e será automaticamente questionado sobre quais opiniões? Quais vai refugar?

Tal usuário do Foursquare é assíduo nos comentários. Mas, o quanto ele está interessado em ganhar somente uns descontos em troca da sua opinião?

Olha... já se foi o tempo de gente ingênua nas redes sociais. Muitos querem ganhar alguma coisa e isso pode ser um benefício individual e não disperso.... público... democrático.

Nessa tal de web social as pessoas entraram primeiro, as empresas depois.

Ingenuas tem sidos as empresas.

E
, eu
me recuso
a engolir a ingenuidade das empresas como grandes cases de marketing.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A inovação tecnológica, o tempo e o hype

Ao falar sobre novas idéias eu sempre gostei mais da imagem da peneira do que a do divisor de águas. Quando uma nova descoberta muda os conceitos e formas de produção no mundo, não há um desvio no qual uma parte das empresas e pessoas toma uma direção errada enquanto outra parte segue o fluxo por outro caminho. O que existe é uma barreira. Quem consegue passar por ela continua sua vida - bem transformada, é verdade. Quem não consegue ultrapassar esse ponto acaba ficando pra trás.

Não é questão de perder o rumo. Pra lá ou pra cá. É avançar ou parar.

É a hora da decisão.

Bobeira na peneira, não.

Esses momentos dão a impressão que surgem do nada. A gente está lá pela vida, de bobeira, e ... záz! Aparece uma novidade tecnológica que muda nossa vida como se fosse enviada por um portal interdimensional ou colocada na frente do nosso nariz pelo dedo de Deus.

Nós somos assim deslumbrados mesmo com tecnologia. É um comportamento que nos impede de sentir as novidades nascendo.

A primeira pesquisa científica que vc fala: UAU! Embora não tenha a mínima idéia de onde aquilo possa ser usado.

O primeiro experimento que aparece no noticiário com fotos. Embora vc não entenda porque aqueles caras de avental batem palma para aquela zona de fios, luzes piscantes e gráficos coloridos.

O primeiro produto lançado no mercado - e invariavelmente cheio de falhas e com desempenho ridículo.

É difícil saber como será o futuro. E também não é.

O começo do que vai ser o mundo daqui a 15, 20 anos está aí. Em algum lugar... mas está.

Celular, Internet, globalização, relacionamento digital. Em algum momento isso estava ali, clamando por atenção. Quer um exemplo? As tão faladas redes sociais de hoje já eram possíveis de serem visualizadas há 10 anos. Sites como Classmates, SixDegrees, AsianAvenue, BlackPlanet e MiGente já mostravam o potencial da web social por volta do ano 2000. Dez anos atrás. (e nem estou lembrando de fases anteriores da Internet, como o BBS).

No link do video abaixo, o cientista-chefe da IBM, Fabio Gandour, faz uma conta sobre isso. Ele diz que - com sorte - demora de 9 a 14 anos para uma inovação tecnológica sair das universidades e virar um produto à venda no mercado.

Ele lembra do iPod. O MP3 player da Apple só foi possível graças aos estudos da

magnetorresistência gigante
que tem sido conceitualizada desde os anos 80.

O nome é complicado, mas é esse fenômeno que permitiu a criação de memórias MRAM (Magneto-resistive Random Access Memory), que são peças fundamentais no iPod, netbooks e vários dispositivos de comunicação móvel.


Ache outros vídeos como este em Zomo


E o que vem por aí? Gandour dá algumas dicas no vídeo. Elas coincidem com a opinião de outros cientistas brasileiros que entrevistei recentemente. As apostas são em estudos que ampliam (e muito) o que temos hoje.

São áreas como a Domótica, uma união de domus (casa) e robótica (controle automatizado). Ambas desenvolvidas na base de muita rede wireless de banda larga e muito sensor para ampliar o espectro da informática e criar a chamada Internet das Coisas.

Outras pesquisas são realmente coisas novas: modelagem matemática de fenômenos, spintrônica, cinética química e genômica funcional. Elas devem influir de novos materiais a novos processos industirais e, possivelmente, a previsão do comportamento do consumidor e concorrência no mercado.

Grafeno e nanotubos de carbono são a melhor aposta para expandir ou modificar a Lei de Moore no mercado de chips. Esses nanomateriais possuem propriedades mecânicas, eletrônicas, óticas e de transporte de elétrons inovadoras e podem revolucionar a computação como a conhecemos. Isso, se não forem substituídos por computação química ou pela fotônica, que aposentaria os elétrons que são a base de quase tudo que conhecemos hoje em termos de equipamento e comunicações.

O cenário pode ficar ainda mais complicado com as descobertas do colisor de partículas LHC. Conversando com o prof. Sergio Novaes, da Unesp, que faz parte dos estudos, fiquei impressionado com as possibilidades de renovação tecnológica que isso pode trazer. Ele mesmo não arrisca a imaginar novos produtos ou negócios saídos das descobertas -- É tudo ainda ciência pura. É como um bebê que a gente não sabe o que vai ser quando crescer, disse ele quando o entrevistei. Contudo, ele lembra que foram essas pesquisas sobre partículas, a necessidade de fazer cálculos monstruosos e de comunicação dos cientistas que nos deram a WWW que conhecemos hoje.

Não dá pra ficar apostando em tudo que está surgindo. Mas, é possível ao menos ficar de olho e - quando surgir a tal peneira pela frente - conseguir uma brecha para passar e não ficar pra trás, lamentando como o mundo mudou.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

10 tendências para 2010

Se não me engano, deixei de fazer previsões aqui no blog em 2007. Tudo pq não via grandes coisas que não estavam já sendo discutidas por muita gente perto de mim. Mas, esse ano é diferente. Estou sentindo um certo gap no ar. Tudo que vejo comentado é algo muito específico ou desfocado das grandes macrotendências. Então, resolvi juntar energias geradas por um período de festas longe da Matrix sem conexão e celular para postar minhas idéias (aquelas q ninguém liga mesmo, mas eu sempre me vanglorio delas dois anos depois).

1- Ecogeeks - É simples de entender. São pessoas que gostam de viver num mundo digno e não querem desgrudar das facilidades da tecnologia. Não é nada de notebooks de bambu. Tem mais a ver com sustentabilidade. Baixo consumo, reciclagem dos aparelhos e uso de materiais não-tóxicos na produção, além de produtos que economizam recursos (um serviço na Internet q evite deslocamentos de carro ou avião, por exemplo) são idéias que agradariam a esse público e sei q existem empresas com planos para isso - seja sob a marca ecogeek ou não.

2- Vida Digital Low Cost - os netbooks provaram, na realidade, que o estilo de vida conectado necessita de preço baixo. Com a popularização das tecnologias de comunicação e informação (TICs) avançando para muito além dos nerds e técnicos, qualquer produto desse tipo entra em um novo patamar de prioridade no consumo desse novo público popular e late adopter. A tecnologia está bem atrás na intenção de gastos dessas pessoas. Vem depois da alimentação, educação e lazer - ao menos dessas. Portanto, preço premium não cola mais. Aparelhos com o Android tb devem influenciar essa tendência.

3- Conteúdo pago ou remunerado - Parece uma heresia apostar nisso, mas a essas alturas da nossa experiência na Web já descobrimos que está muito mais fácil se deparar com conteúdo mediano do que diferenciado nas buscas. Culpa do Page Rank, talvez... Certamente um outro fenômeno da popularização da Internet, dos blogs, da Web 2.0 etc. Quanto mais pessoas comuns conseguem acesso e poder de publicação, mais conteúdo comum é produzido. E o sistema comercial sabe muito bem lidar com o esquema "crie a dificuldade para vender a facilidade". E a facilidade hoje é: economizar tempo e conseguir atenção. Muitas pessoas pagariam para achar o que querem ou entrar em contato diretamente com especialistas... sem perder uma ou duas horas no Google. Empresas comuns q viraram mídia ao criarem blogs, sites, perfis no Twitter tb querem alguém q escreva o correto no tempo certo... e pagariam (pouco, é verdade) por isso. Não é q tudo será pago. Simplesmente essa estratégia será mais OK. O sucesso (embora ainda restrito) do Kindle tem a ver com isso... e nem estou citando o cerco sobre os downloads...

4- Web em tempo real - A grande revolução do Twitter nos negócios on-line é ter mostrado que há uma necessidade incrível das pessoas se mostrarem vivas digitalmente. E as empresas, lógico, sentiram que podem interagir com elas a qq momento. Só que isso precisa de ferramentas para ligar esses interesses. Location based applications, buscas q mostram resultados de segundos e sistemas que capturem padrões de comportamento e gerem estratégias comerciais antes que os consumidores mudem de opinião ou local irão bombar.

5- Simpatia por robôs - O computador já se tornou um eletrodoméstico há vários anos. Então, qual seria a próxima techtralha a conviver conosco em casa? Minha aposta: um robô. A evolução deles tem sido espetacular nos últimos anos e, embora pareça que só os japoneses gostem disso, eu acredito que iremos ser mais simpáticos a esses humanos de metal e circuitos em 2010. Provavelmente ainda não iremos comprá-los no Carrefour, mas já começaremos a imaginar como eles ficariam lindos com uma vassoura na mão, contando histórias para os filhos ou ajudando a colocar a lata de arroz em cima do armário.

6- Web anti-social - ninguém gosta de viajar para um paraíso longínquo no litoral e encontrar com o chefe, o colega chato, o primo babaca, o contador e a mina do call center q te cobra a dívida do carnê. Pois, a praia digital que era pra poucos está assim -- muvucada de rotina comum de nossas vidas. A única saída é procurar um local mais deserto ou cercar tudo em um condomínio exclusivo.

7- Todo mundo é hacker - Simplesmente pq nem todo mundo na Internet é geek. Isso irá criar novos problemas de segurança, tão simples de resolver quanto fáceis de criar. É o fim da era romântica dos grandes criminosos digitais e o surgimento da banalização dos cybermeliantes. (OK, eu sei do termo hacker x cracker - o título tem a ver com a falta de maneirismo com a gíria de tecnologia, é baseado na própria tendência).

8- Conflito na classe média - essa fatia da sociedade aumentou no mundo todo, principalmente puxada pelos emergentes Brasil, Índia, China, África do Sul (q tb podem ser chamados de classe média da geopolítica). Mas, são pessoas que têm renda para isso mas não têm serviços básicos. Têm dinheiro mas não estudaram nos colégios quatrocentões. Podem ir ao shopping Iguatemi mas não foram na festa de ontem. E o q faz a classe média dos Jardins qdo encontra seus supostos pares do Capão Redondo? (tá.. eu disse q ñ ia colocar links, mas esse post da @ladyrasta é bem exemplar) Há empregos, clubes, diversão, assunto etc para todos? Não.

9- Contra as massas, petiscos - Cada vez mais as recentes revoluções tecnológicas se provam excelentes ferramentas de cultura de massa. Só que ao contrário da era pré-digital, as mesmas coisas que promovem a padronização também ajudam na diferenciação. Só que não há novidade no caminho da antimassificação. O que resta é sempre família, regionalismo, religião e arte. Tudo que não é grande público vai se tornar cada vez mais interessante para early adopters... seja on-line ou off-line. Quem não sabe por onde fugir da Matrix, encontrará o caminho nisso aí. Somente nesse movimento iremos ver o que o futuro revolucionário reserva.

10- Novo dinheiro - Está cada vez mais claro o declínio da economia dos Estados Unidos. Acho um pouco confuso discutir o fim do império do mal e essas coisas. Mas, uma coisa é certa - fora do domínio do Tio Sam, outras coisas têm mais valor do que o dinheiro. Em países não anglo-saxões, a amizade e a felicidade são mais reconhecidas. Em países pobres, o bem-estar não tem muito a ver com o que o governo te dá.. até pq ele nunca deu muita coisa. Não acho q em 2010 vejamos um novo conceito de valor na moeda tão renovador quanto o acordo de Bretton Woods ou a desvinculação do valor da moeda ao ouro. Mas, algo novo já poderá ser sentido. Quem lida com novas regras de contabilidade da IFRS e ativos intangíveis sabe que existe mudança no ar... O problema é q essa potência dominante e seus pensamentos econômicos surgiram na Segunda Guerra e ninguém quer ver uma Terceira Guerra... mas, a gente já escutou sobre cyberguerras que causam prejuízos financeiros, né ? Mas, qual cyberataque deixaria em ruínas uma sensação de felicidade?

Hipermídia somos nozes - Ops! Essa é a décima primeira previsão... Mas, é só para lembrar que eu tenho lá minhas diferenças com o conceito de hipermídia quando ele é centralizado na produção. Gosto mais quando ele está calcado no consumo. Então, não coloquei links... vcs procuram na web o q acharem mais interessante ou instigante e vão fazendo a leitura não linear de vcs.

H+ - aãããmmmm.. hummm... somente prestem atenção ao pós-humanismo, o humano aprimorado, o mais do que humano. Não é pra 2010.... e um dia escrevo sobre isso e minha idéia de ciborguismo cognitivo.


De resto... um 2010 de muita foda pra combater tanta punheta egocêntrica e improdutiva.
:)

domingo, 15 de novembro de 2009

Trilha sonora inusitada da Web 2.0

Em 2007, quando ainda escrevia para a B2B Magazine mesmo após ter saído de lá (pra quem não sabe, fui editor-chefe da publicação), fiz o artigo Web 2.0 ou Web Chinelão? Era um texto no qual eu alertava para o foco no aspecto demográfico e estatístico do termo e não em qualquer josta de tecnologia. Eram idéias curtas e jogadas, embora tenham ficado interessantes.


Atualmente, acho q o termo Web 2.O poderia ser melhor explicado. A popularização é um sinal evidente de sucesso das redes sociais. Só que ela traz algumas coisas que não são tão legais assim. O problema é que.... continuo com a mesma dificuldade em me expressar de forma concisa longe dos meus trabalhos profissionais - é, não sei se vcs sabem, mas o blog Techboogie não é um problog, isso não é meu lado profissional contabilmente falando.

Então, voltando ao assunto Web 2.0, o máximo que consigo fazer agora para me explicar é uma lista de 10 músicas que são um retrato do atual paradigma. Confira as músicas ou letras nos links... procure as letras ou os links por aí. Tem um tal de Google q parece legal.

Mister Eco - Alvarenga e Ranchinho
O importante hoje em dia não é produzir, é garantir que seja reproduzido. O valor do eco é muito maior do que o valor do emissor. Coisas da blogosfera relevântica movida por métricas que não ganhariam um Prêmio Ignóbil de Economia ou um uma Ratazana em Cannes. E o pior é que na hora H, todos refugam.

Na hora da sede - Clementina de Jesus
O custo da comunicação na Internet, por meio de blogs, redes sociais, virais e coisas do tipo é muito pequeno se comparado às ações normais em jornais, revistas e TV. Todo esse ferramental da web está disponível há alguns anos, mas só agora, em meio a uma crise de grana e credibilidade algumas empresas olharam para isso. E se a fonte secar?

So You Want To Be A Rock And Roll Star? - The Birds
E quem não quer? As celebridades estão aí e todos podem ser nano-pseudo-celebridades tão cheias de energia e vazias de sentido e exemplos como qualquer outra. Afinal, é a era do estrelato on line. Guitarras? Basta um blog. Conhecimento? Ah.. sim... lembro vagamente de alguma teoria sobre isso.

Acquarius - Hair (trilha sonora)
Harmonia, simpatia, compreensão. A tecnologia, usada por todos e levando todos a um novo estágio do convívio social frutífero. São os neo-hippies. E na hipermodernidade, os neo-hippies são meta-yuppies também, cyberpunks de butique, mods da rejeição e almofadinhas do progresso científico popularizado pelos avós. Nesse liquidificador de conflitos de gerações sem tempo ou espaço... coitado de quem é cético.

Como nossos pais - Belchior
É isso aí. Se a elite da Internet brasileira não fosse um stand up pronto para achar um termo, um personagem, um caso para transformar em lucro no adsense, talvez tivesse entendido que... Ah! Deixa pra lá... Estão só imitando as elites anteriores. Eles venceram.

Police On My Back - The Clash
Ainda na web chinelão... Onde tem povo, tem vigilância. Onde tem interesse, tem vigilância. Onde tem lucro, tem vigilância. Segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado, domingo. Mas, o que foi que eu fiz? Foi só um downloadzinho seu puliucia!

Falador Passa Mal - Originais Do Samba
Ah! A fase romântica da Internet. A gente podia se esconder atrás de um avatar e podia falar o que quiser pq confiávamos na impunidade ou na livre expressão. Mas, quem a gente nunca pensou que pudesse responder está hoje também na rede. Ameaças, ordens judiciais, direitos de respostas... são só sabores de um mesmo cenário.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

O mundo como um mural virtual

Quando eu era criança costumava ficar sozinho em casa e, muitas vezes, só me comunicava com minha mãe - q trabalhava fora e era separada - por meio de bilhetes. Em cima da TV, na geladeira, no fogão, no espelho do banheiro... Em algum lugar desses havia um recado quase diário entre eu e ela.

Hoje, muitos ainda conservam esse hábito. Bilhetes pra cá, bilhetes pra lá.

Mas, há uma forte possibilidade de esses manuscritos tão tradicionais virarem coisa do mundo virtual. Há dois programas bem interessantes que fazem isso e acabei indicando-os na coluna do jornalista Gustavo Miller, do Estadão, e foi publicada no dia 4, na página 18 do suplemento TV&Lazer. CLIQUE NAS IMAGENS P/ VER OS TRECOS EM AÇÃO.

Sekai Camera


Um jeito de colocar etiquetas e cartazes no mundo sem poluir o ambiente com papel. Dicas, opiniões e pichações virtuais aparecem no visor do iPhone como se estivessem flutuando no ar.

Enkin
Uma forma de tornar ainda mais úteis os mapas do Google. Utiliza GPS, sensores de direção e aplicações gráficas 3D para botar etiquetas virtuais informativas


E se ao nos prepararmos para comprar uma barra de chocolate naquelas vending machines fossemos avisados que ela engole a moeda? Ou, numa vitrine do shopping alguém deixaria um aviso que há uma oferta melhor na esquina.

É o mundo etiquetado que se aproxima. (ah! Os spammers, os floods, o incansável mkt que consome todo espaço virtual ou não para empurrar produtos goela abaixo... sim, nem tudo é uma maravilha como parece). Bacana? (ou não?)

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Lista de sites de video e lifestreaming

Tenho passeado por sites de video. Não os que parecem o Youtube, onde se põe algo para todos assistirem depois. Andei por aqueles que se pode ligar a câmera e fazer a transmissão ao vivo. A vida ao vivo.

Boa parte deles permite que se grave um video do celular e faça a transmissão - pelo menos para os países onde há acordo com as companhias telefônicas. Se não fazem isso, permitem, ao menos, que se transmita pela webcam de um computador conectado à Internet. Todos podem entrar no conceito amplo de lifestreaming, que é quando se publica passo-a-passo da própria vida na Internet. Um termo pra lá de abrangente mesmo, o Twitter e o FriendFeed são lifestreaming também e não são de video especificamente.

Sites assim, se tornaram popular depois do Youtube dar um pé na porta do video online e no conteúdo gerado por usuários (UGC). Mas, aproveitaram uma segunda onda, a das redes sociais.

Uma lista de sites assim pelos quais andei espiando é essa:
Kyte.tv
Zannel
Mogulus
Stickcam
Yaika
Justin.tv
Qik
LiveVideo
Blogtv
Ustream.tv
Live.yahoo.com
12seconds.tv

Querem saber? Foi uma chateação. A quase totalidade das pessoas que estava transmitindo não tinha o que dizer que me interessasse, o visual era o mesmo (alguém sentado em frente ao computador com os olhos baixos e um fundo sombreado e feio por trás) e o conteúdo tb o mesmo (conversas bobas, um chat com video).

De bom mesmo, vi uma atriz novaiorquina interpretando, alguns músicos se exibindo (a maioria não fez meu estilo, mas um ou outro até q tocavam algo interessante) e minha amiga de vista da web @anarina dando dicas de limpeza da sua casa na Galícia, ensinando as maravilhas de uma fregona e sendo cobaia de minhas análises ao conceito de lifestreaming.

Contudo, ainda gosto da facilidade e acredito no potencial disso tudo.

O problema é que a ferramenta tecnológica à disposição não representa criatividade ou audiência por si mesma. Ainda vale o talento - aí, na forma remixturada de ator, produtor, roteirista, improvisador, videomaker, etc.

Eu não sei porque de se renegar toda uma evolução na forma e nos processos de se produzir video conseguidos com o cinema e a TV. Isso é bom, é fantástico. Se não se gosta da TV como modelo de negócio ou modelo de doutrinação em massa, bom, isso é uma coisa. A qualidade da maneira de se produzir é outra. Se é para renegar, que venha uma linguagem nova, um roteiro novo... sem isso, vira apenas mais uma forma de publicação sem recheio, sem conteúdo.


Sem que isso seja explorado, não há muitas chances desses sites revolucionarem o modo como as pessoas assistem videos. É claro que as pessoas perderão mais alguns minutos neles que poderiam ser gastos em cinema e TV. Mas, uma transformação mais profunda fica bem distante.

Tudo bem que isso fica relativo quando há um fato marcante. Se alguém transmitir um terremoto, um assalto ou um suicídio - como o q já houve no Justin.TV - a relevância do factual se sobrepõe. Mas, do contrário, tem de valer a qualidade do conteúdo, daquilo que é realizado, seja pela técnica, pela linguagem ou pelo conteúdo inovador.

Regulamentação e vigilantismo
Há um perigo muito grande desses sites sofrerem com questões legais. Há muito conteúdo de direitos restritos que são veiculados sem que se obedeça a lei vigente (não quero entrar na questão se isso é bom ou ruim). Existe também um canal livre para material pornográfico sem controle. E já sabemos como isso é um prato cheio para legisladores e juízes exigirem vigilância total de tudo e de todos nesses sites.

Esses sites devem ter mais vitrine em 2009 e, aqui no Brasil, devem ser mais usados com notebooks e netbooks conectados em redes Wi-Fi mais do que em celulares (coisa de $$$). Mas, os problemas devem continuar os mesmos também... a falta de recheio na ferramenta.

domingo, 23 de novembro de 2008

Reuters abandona o Second Life

A empresa jornalística Reuters abandonou o mundo virtual Second Life. Enquanto esteve por lá, foi, na minha visão, pioneira e audaciosa. Montou uma belíssima redação virtual com repórteres exclusivos para o SL e mantinha um blog que trazia informações de lá para o mundo real. Na via inversa, transmitia um noticiário para que quem estivesse curtindo a plataforma da LindenLab ficasse sabendo o que acontecia por aqui, onde a poeira incomoda o nariz.

O Second Life está em baixa, mas o interesse em mundos virtuais está crescendo. Já escrevi sobre isso e mantenho a impressão. "Na verdade, o que importa no Second Life é tudo O QUE ELE REPRESENTA, menos ele em si.". É coisa para evoluir ainda.

Há bons links para acompanhar a história da Reuters no SL. Um bom texto é o do Sillicon Alley Insider: "Exclusive: Why Reuters Left Second Life, And How Linden Lab Can Fix It". Onde o autor, Eric Krangel, dá dicas sobre como salvar o negócio.

Eu só fico com a impressão que a Reuters demorou para sair. Ela é uma empresa que ganha muito ao seguir um hype tecnológico e tem boa parte dos seus consumidores formadores de opinião ligados nessas ondas. Então, é lógico que ela deve surfar no maior número possível delas e, sempre acompanhando o movimento dos mais novidadeiros.

Só que, à medida que o movimento for esfriando, ela deve sempre se antecipar na retirada.

Quem se vangloria de ser um dos primeiros a entrar, tem que ter sensibilidade para indicar a saída para os outros. ....--- E partir para a próxima para manter sua imagem de avançado.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

O celular (?) dos sonhos

Um aparelho elegante, fácil de carregar, que tenha as funcionalidades que conhecemos hoje e mais um montão de coisas que nem os iphones mais malucos da atualidade conseguiram nos dar.

Esse é um resumo do que imagino ser um aparelho pessoal de comunicação dos sonhos de qualquer viciado digital.

Não sei se ele ainda seria chamado de celular. Provavelmente não, já que o próprio, na sua evolução, deixou de ser chamado de telefone também.
O resultado disso estará na última página do especial sobre NOVAS TECNOLOGIAS que a revista Super Interessante está tirando do forno em mais alguns dias.

Nas páginas, vcs encontrarão aquelas dicas sobre equipamentos – de TV a iPhone – e também um guia de compras. Coisas que são essenciais para uma revista que tem 2 milhões de leitores (incluindo aqueles que ficam por cima do seu ombro :)) e quase 440 mil exemplares. Ou seja, uma campeã de bancas. Eu ajudei na edição, junto com o jornalista Pedro Burgos e os editores da publicação Sergio Gwercman e Bruno Garattoni.

A parte que mais gostei desse especial é a sobre TENDÊNCIAS, na qual colocamos (naquela linguagem típica da Super) conceitos como cloud computing, o futuro dos notebooks e o fim do mouse. Ah! E, claro, esse penduricalho digital, móvel e fabuloso.

O gadget dos sonhos foi idealizado em algumas conversas e troca de emails que mantive com Burgos. O briefing que passamos para o designer transformar nossas idéias em uma belíssima ilustração é mais ou menos isso aqui:

O aparelho precisa ser elegante, fácil de carregar (q ocupe pouco lugar no bolso) e tenha as funcionalidades que conhecemos hoje de um celular ultramoderno e mais algumas. O aparelho em si não é muito grande (algo menor que o iPhone).

Ele pode parecer algo como uma caneta (ou como um isqueiro). Quando na horizontal, apoiado em uma mesa, dele saem duas telas como o nintendo DS. Uma delas, touchscreen, resolverá o problema do tamanho do teclado.

As telas são flexíveis e escamoteáveis, como uma folha de papel
além de serem touchscreen e com virtualizações e feedbacks como as soluções de háptica da empresa Immersion.

Uma referência do q existe hoje sobre essas telas. Mas, considere isso como algo muito primitivo.

A de cima seria a tela com imagens e os programas. A de baixo seria o teclado touchscreen, mas sem o layout que conhecemos. Algo inovador e intuitivo como o Swype.

Precisa haver um fone de ouvido. Algo que seja muito discreto e possa ser um brinco para mulheres, ou outra coisa discreta para homens. Algo como o Nokia Morph.

Bateria com muita duração e material amigável à natureza. "Reciclável" e feito com materiais não-tóxicos.Multitarefa. A pessoa pode ver a foto em primeiro plano e atrás dela pode estar rolando outro aplicativo, uma chamada de videoconferência, por exemplo. GPS. Localizador. Memória potente e conexão com internet de banda larga.
Precisa mostrar que ele tem soluções de reconhecimento de voz e gestos. Ele não pode parecer um telefone, embora seja, também um. Precisa ser mais uma jóia como o Nokia Morph.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

O futuro dos blogs

Blogar é comunicar e se expressar. Simples assim. Na verdade, é mais a segunda do que a primeira. Já dizia o poeta italiano Arturo Graf: "se os homens quisessem falar só daquilo que entendem, quase não falariam". Manifestar opiniões e publicá-las para o mundo ver é uma conquista da última década. Blogs também são isso -- liberdade.

Tudo muito bonito, mas isso aqui não é trilha sonora de filme açucarado. A blogosfera está numa encruzilhada. Não tem nada de good morning sweet little world. Excesso de informação, profissionalização, falta de talento, estrelismo e a simples transformação de jovens em adultos (mesmo q ainda tardiamente como um mileurista) estão mudando o que se conhece hoje como blogosfera.

O problema é que esse discurso muito bonito e pomposo está sendo sufocado por uma realidade cada vez mais visível. O excesso de informação está confundindo a cabeça de muita gente. Já em 2005, o Technorati apontava que surgia um blog a cada segundo no mundo. Hoje... bom... hoje esse número não importa, qualquer coisa mais rápida que 1s é descabida.

Eu fico imaginando como seria a reação do mundo se todas as palavras ditas por pessoas se transformassem em imagens e ficassem flutuando no ar. Imagino isso em 1980, sem a Internet como algo diário de nossas vidas como é hoje. Assim, vc diz "oi, como vai?" e essa frase fica planando por aí.

Hoje, isso é o q acontece. Felizmente, todas as opiniões e frases expressas pela humanidade conectada estão somente no ambiente on-line. Ainda posso ir comprar pão na esquina sem tropeçar em um "oi, como vai?" perdido por aí.

Blogueiros pioneiros vão se lembrar que há 5 anos não se tropeçava em coisas dessas por aí na Internet afora. Era preciso procurar muito. E quando se encontrava alguém capaz de dizer algo q ficava flutuando no ar, tangível, comunicado, havia uma identificação imediata. Sempre rolava uma amizade entre esses mágicos da comunicação e expressão.

Só que isso era antigamente. Nos dias de hoje, ter um blog e dizer coisas que ficam expostas para todos verem é como ter uma calça jeans.

Alguém lembra qual o último número divulgado sobre quantas pessoas compram calças jeans no mundo? Não? É pq não existe essa estatística. Isso não importa (a não ser que seja um tema muito específico que necessite desse estudo). Blogs estão nessa mesma situação. Qtos blogs vc tem no armário? E qtos já descartou, doou ou fez pano de chão, almofada ou remendo para outros blogs?

Por outro lado, temos a profissionalização de vários blogueiros. Empresas como Polvora, Live Ad e Knowtec são exemplos disso. O mercado está amadurecendo e isso implica em mudanças, respeito às regras (muitas delas as mesmas que publicidade tradicional e jornais se submetem)... ou seja, algum ponto de nivelamento com o q já existe de tradicional. Só isso já força o surgimento de algo novo. Mas, tem mais.

A profissionalização expôs a lista dos popstars. Blogueiros conhecidos q se conhecem e concentram a atenção de muita gente e já formam um corporativismo. Nenhuma crítica... e nenhuma surpresa aqui. O que já foi amizade entre blogueiros começa a ser relacionamento comercial. Com tanto público e adequação ao sistema sistema comercial, há a possibilidade de se perder a individualidade nisso e dar vez, novamente, ao nivelamento para aumentar ainda mais a audiência e o poder de barganha como um negócio.

Outras forças de mudança, já q isso se dá em mais do que três dimensões: há o surgimento de uma nova gama de ferramentas que permitem a expressão. No último ano, ficaram evidentes os microblogs como o Twitter e serviços como o FriendFeed. Muita gente está preferindo esses métodos para se expressar.

Aí, provavelmente está o ponto principal onde se pode sentir a mudança dos blogs. Há uma procura por uma nova forma de expressão. Algo mais rápido e mais amplo, que não seja só as palavras expressas num local, mas um conjunto de tudo que se faz. É a sua vida exposta, publicada.

Do lado do público, há uma demanda crescente por isso. Não existe nada mais interessante do que ver como as pessoas resolvem seu dia-a-dia. Eu pessoalmente acho q isso se dá pq o mundo está mudando como um todo e estamos perdidinhos procurando respostas para isso. É uma espécie de procura por coisas que nos ajudam a sobreviver. E vamos buscar isso no registro on-line das pessoas que achamos que vão nos ajudar. Provavelmente isso ficará mais forte na medida na qual os mileuristas, a geração à procura de esperança, dominam o mundo.

Nesse contexto, o conceito de lifestreaming (ou lifecasting)parece ser o mais adequado ao futuro dos blogs. Um post no Read Write Web explica bem isso. Mas, já é um termo discutido em outros locais há algum tempo, conforme mostra esse artigo "Welcome to the Naked Generation ", da News.com e esse post do Opiumseed que diz "O entretenimento do "futuro" vai ser o lifecasting.". Eu escrevi sobre o Justin.TV em um artigo publicado na revista B2B Magazine, há um ano.

trechos:

"Não há edição, sua rotina transmitida descarta efeitos que resumem a vida em um pacote de entretenimento. Tudo que é captado é transmitido. Não há truques ou diretor de casting, os personagens são pessoas que ele convive e que aparecem na sua frente. Não há nada além da vontade de ser visto. É o a difusão do seu ponto de vista."
(...)
"É até meio clichê citar a famosa frase de Andy Warhol, "um dia, todos terão direito a 15 minutos de fama ", numa altura dessas, mas um dos melhores (e poucos) textos sobre o Justin.TV, publicado em outubro no NY Times cita o rei da Pop Art logo no título: “A Site Warhol Would Relish”. O verbo é algo como regozijar. Portanto, algo que esse artista tão simbólico das mudanças na sociedade sentiria muito prazer em experimentar.
Mas, Warhol está morto. Assim como os cineastas Jean-Luc Godard e Glauber Rocha. Eu pessoalmente gostaria de ouvir o que eles diriam sobre o Justin.TV. O francês disse uma vez “Cinema is not a dream or a fantasy. It is life”, já o brasileiro tem o famoso bordão “Uma câmera na mão e uma idéia na cabeça”. O que ambos teriam a dizer sobre um serviço que permite que pessoas comuns façam de suas 24 horas diárias de rotina algo que seja assistido por desconhecidos?"


Na verdade, não é uma ruptura, um breakthrough com o sentido de avanço seria mais apropriado. Depois que os blogs promoveram a democratização do poder de produção e divulgação da comunicação e expressão veremos a mesma democratização, só q agora mais ampla. O próximo passo dos blogs é agregar a vida das pessoas que o escrevem... ou ter uma vida publicada em texto (blog, Twitter), som (Last.FM, podcasts) e imagem (youtube, Seesmic, Justin.TV).... tudo junto.

Enxergue como a consolidação do interesse pelo Realismo, se quiser. A dúvida sanada pela averiguação empírica, em tempo real e distantemente ligada por uma conexão de banda larga.

Com o lifecasting, blogueiros pioneiros têm mais uma chance de se diferenciar pela posse de bens eletroeletrônicos e conhecimento de técnicas de produção e divulgação. Wi-Fi, 3G, celulares com câmeras e gadgets conectados à Internet e ainda com preço de produto premium estão aí para ajudarem nessa evolução. Só vai faltar uma vida interessante para exibir ou vontade de ver a vida dos outros ... Não! Isso não falta.

Não é pra todo mundo, óbvio. Há ainda gente q acredita que a Terra é chata e vamos despencar se avançarmos muito em mares desconhecidos. Mas, pioneiros e exploradores servem pra isso mesmo, pra ir lá nos limites e ver se tudo acaba num grande buraco ou não.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Sabedoria x Conhecimento

(um post sem links para incentivar o próprio tema exposto)




Vamos combinar uma coisa. Laranjas são laranjas e maçãs são maçãs.
OK?
Agora que já temos consenso sobre as diferenças entre duas espécies de frutos comestíveis, podemos avançar um pouco mais.

Então, vamos combinar outra coisa.
Sabedoria é sabedoria, conhecimento é conhecimento.

Isso vc PRECISA saber.

Ao confundir uma laranja com uma mação vc perde somente o sabor e alguns nutrientes que uma das frutas possui e a outra não. No entanto, ambas são gostosas e trazem benefícios para nosso organismo. Ou seja, se você se confundir, pode sair ganhando, dependendo do caso.

Agora, não distinguir entre sabedoria e conhecimento é um problema grave... e só traz prejuízo. A começar pela sua imagem diante de outros mais eruditos.

Ter conhecimento não é ter sabedoria, embora essa surja, também, com (às vezes, pouco) conhecimento. Temperança, sensatez, reflexão são virtudes de quem tem o saber. A sabedoria vai além. Já quem conhece... bom... apenas faz o que conhece.

Conhecimento é algo técnico. Ele ajuda tarefas do dia-a-dia, profissionais, diversão, escola.... é um levantamento simples de dados.

Muito do que o Google e a Internet (e mesmo muito internauta q se julga o supra-sumo da inteligência) faz é apenas uma mineração e delivery de informação. É conhecimento típico... e técnico. Capturam, consolidam e passam adiante.

Conhecimento é knowledge, em inglês, e cognitio, em latim.
Sabedoria é wisdom e sapientia.

São termos distintos e até nos estereótipos podemos sentir a diferença entre eles.
Quando falamos que alguém é sábio ---> um senhor de roupas simples que vive em isolamento com seus cabelos longos e barbas descuidadas.
Quando falamos que alguém é conhecedor ---> bom funcionário, artesão exímio no seu ofício, atleta de alto nível de profissionalismo, bom naquilo que faz.
E pq estou lembrando disso agora?

Oras, estou cansado de ver muita confusão entre sabedoria e conhecimento quando se fala em efeitos da Internet na vida das pessoas. Há pessoas que acham que a rede deixa as pessoas mais iluminadas, como se isso fosse um toque mágico e metafísico, uma pedra filosofal para tirar as pessoas da obscuridade de suas idéias e rotinas. Muitos que dizem isso são inclusive alguns que se propõem consultores de mídias sociais --- Humpf!!!

Não se pode confundir a tal Sociedade do Conhecimento com uma eventual "Sociedade da Sabedoria". Temos, na realidade, essa primeira... e só. A outra depende de muita coisa ainda. A começar, depende de não confundir laranjas com maçãs.

Conhecimento é a técnica de observação de um objeto qq.
É o domínio da técnica.
É técnico.
É procedimento e controle.
É padrão,
template,
gabarito.

Sabedoria... por outro lado, é a observação sobre a utilidade dos conhecimentos previamente aprendidos. Uma ação reflexiva diante da sua vivência. Uma crítica sobre a prática comum, ...uma coisa para te engrandecer como um todo em coisas que você nem imagina para o dia-a-dia

.... é outra coisa.

A Internet ajuda na busca da sabedoria (e só ajuda, não a é). Muito do que vc precisa para ter saber está lá. Mas, é preciso misturar a Internet com outras coisas: leituras, conversas, pensamentos próprios, debates (e se misturar com Internet).....

E...

fuja.. vou dizer de novo... F-U-J-A dos resultados do page-rank (do Google e qq outro, já q ele é copyright da Universidade de Stanford, na verdade, que o vende para várias empresas) . O page-rank é o típico conhecimento. Vc deve saber o q todos sabem pq isso é bom para o dia-a-dia. Mas, não serve para uma contemplação e reflexão sobre qualquer coisa.

Fuja disso para encontrar a sabedoria. Por exemplo, dá pra achar as diferentes definições de sabedoria de Aristóteles até até Schopenhauer. Mas, as explicações não explicam, principalmente essas de cunho filosófico e sobre esse tema. Vc precisa sair da cadeira ou pelo menos desviar o olhar para a janela, dar uma volta no quarteirão, tomar uma cerveja ou conhaque, pensar sobre o que leu e tirar sua conclusão.

Volte, pesquise mais.

Descobra o q S. Thomás de Aquino falou tb. Pense mais.

Conhecimento é um objeto e como usá-lo. Sabedoria é o que age nisso e, principalmente, em volta disso.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Procuram-se mentores

Fantástico é o mundo de hoje. Inimagináveis possibilidades de interação e aprendizado com as redes de telecomunicações, troca de arquivos, customização de tecnologias, aparelhos pessoais para armazenamento de informações, etc.

--------> Fantástico, pero no mucho.

Eu fico abismado que diante de tanta possibilidade de se coletar algo novo para melhorar nosso caráter, nossa sabedoria ou nosso conhecimento técnico, a média das pessoas que entram na Internet só querem mesmo é virar papagaios das opiniões alheias. São poucos os que têm sensibilidade própria para analisar alguma coisa, fazer um resumo oportuno ou trazer uma visão nova sobre algo. O que se tem, geralmente, é um festival de repasse de links e frases de outros.

Isso tem me assustado ultimamente. Dá a impressão que se caminha para um nivelamento do pensamento e das atitudes em plena "Era do Conhecimento".

Não dá pra dizer que a Internet é a culpada. Eu sempre me pergunto, em casos assim, se isso já não acontecia e a Internet apenas trouxe à superfície visível algo que já se encaminhava. Desde que eu era um aluno de escola estadual eu vejo críticas à educação de jovens.... e lhes garanto, isso foi em um tempo muuuuuiiiiiiiito pré-Internet.

Talvez, a explicação esteja na síntese do livro "The Dumbest Generation: How the Digital Age Stupefies Young Americans and Jeopardizes Our Future (Or, Don't Trust Anyone Under 30)". Seu autor, Mark Bauerlein, tem outros livros sobre literatura, é professor da Universidade Emory, em Atlanta, e ex-diretor de Pesquisa e Análise na Fundação Nacional (americana) para as Artes.

Para ele, entre os problemas que evidenciam um emburrecimento da geração mais jovem, está uma razão muito simples: são jovens e, por isso, imaturos, afobados, deslumbrados e inexperientes. Antes que qq um fique nervoso, pense.
Vc se torna um bom amante só pq deu um beijo, ou mesmo antes de dar qq beijo?
Vc se torna um bom motorista só pq sabe andar de carrinho de rolimã?

Veja um bom quadro sobre os pontos do livro nesse slide show do The Boston Globe "8 reasons why this is the dumbest generation".

Outro ponto, explicado pelo jornalista Gilberto Dimenstein no seu site Aprendiz, no texto "Internet Emburrece?" é que:

"as tecnologias digitais permitiram que os jovens passassem ainda mais horas do dia trocando informações com seus pares, mas, ao mesmo tempo, diminuiu o tempo de intermediação dos adultos nos processos de aprendizado".
Não é realmente o caso de se culpar a Internet. O que me parece é que uma configuração qualquer da sociedade fez os jovens se distanciarem dos adultos. Dá pra ver que não é a rede por uma coisa que eu vejo há anos no mercado de trabalho. Há uma juniorização em várias atividades. Muitos jovens assumem cargos de grande responsabilidade sem terem a experiência ideal. Entre as razões para isso está simplesmente a busca por custos menores das empresas. Elas substituem o profissional sênior que ganha mais por um iniciante que ganha menos e não reclama porque acha isso uma grande oportunidade.

Ótimo para empresa, mas péssimo para a continuidade do conhecimento. Mesmo que muito da técnica necessária para a rotina do cargo não vá embora com o sênior e fique nos sistemas, processos e computadores da empresa, a chance de aprendizado que se perde é algo inestimável. Esses caras dispensados são os mentores dos mais novos.

Jovem sem mentor dificilmente consegue ser mais do que chorão e engraçado. São raros os que conseguem ter talento e atitude diante de desafios e novas idéias.

Recentemente, eu vi pessoas da área de publicidade e marketing reclamando disso. Não há quem ensine. Existem sim lá uns megasuperastros da publicidade na diretoria da agência, mas eles são inatingíveis. Lá, no estúdio, na sala, não tem. É tudo um monte de gente da mesma idade, com os mesmos problemas e as mesmas soluções. Falta alguém para se mirar, medir e desafiar (o que é natural para a evolução da pessoa e das idéias). Talvez, por isso mesmo a publicidade brasileira só tenha conseguido produzir essas piadas adolescentes nos comerciais ultimamente.

Acho que esse vácuo criado é que está sendo confundido com a Internet. O que a rede fez foi só aumentar os canais de comunicação entre esses jovens. O problema é que eles não descobriram os mentores ainda na Web. Não é o caso de ficar lendo o SmartMobs pra ver o que o Howard Rheingold está pensando, ou segui-lo no Twitter... ou fazer isso com qualquer outro pensador de mídias digitais. É ter alguém como se estivesse na mesa do lado, aquele cara que dá pra tomar café e trocar idéias, que te dá um insight quando reclama da vida e te chama de moleque.

Será que é um campo novo que se abre? Profissão: e-Mentor, especializado em rabugice e ceticismo.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Paulo Coelho é o Barack Obama brasileiro

-> acabei de abrir essa discussão na comunidade Cibercultura / Cyberculture.


Na boa, independentemente do seu trabalho como escritor... me citem alguém que esteja usando tão bem a tal Web 2.0 pra divulgar suas informações, conseguir simpatia, novos fãs.... e gerar algum tipo de lucro na sua atividade principal?

Vejam o trecho da otícia da Reuters, publicada no Estadão:

"O MySpace vai ajudar Paulo Coelho na adaptação coletiva de seu livro "A Bruxa de Portobello", sobre uma mulher misteriosa nascida na Transilvânia, que quando criança é adotada por um rico casal de libaneses."

Novela no MySpace, blog ativo, Twitter, Seesmic... e tudo funcionando.
http://www.paulocoelhoblog.com
http://twitter.com/paulocoelho

"Sem contar que ele liberou TODOS OS LIVROS pra quem quiser baixar no seu blog "Pirate Coelho", ainda informa o pedroxadai .

E... vcs sabem que o candidato democrata às próximas eleições americanas, Barack Obama , se tornou símbolo do uso da Web 2.0 na comunicação e Marketing.

Então, é ou não é?

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