segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Previsões para 2011

Algumas tendências para ficar de olho em 2011. Como (quase) todo ano faço, descrevo algumas coisas que, creio, serão mais fortes no ano que chega. Quem me conhece sabe que não é aquele tipo de lista de "o que vai acontecer em 2011". É mais uma lista de "agora vai". Não é o modelo consolidado, são ondas que ficaram tão fortes que nos arrastarão de agora em diante. Não é uma lista do que ver em 2011, mas uma lista daquilo que vc deve começar a ver a partir de 2011.

Medo do terrorismo, neocons e intolerância - eu poderia escrever um post sobre cada uma dessas forças que, na minha opinião, serão macrotendências que definirão outras. Mas, acho q elas se encaixam num pacotão de comportamento que vem ganhando espaço nas decisões de governos e empresas. Há um receio cada vez maior de que algo catastrófico possa acontecer. O que exatamente? Não importa... pq a crença de que vai acontecer é maior do que qq reflexão sobre a realidade. Com isso, os novos conservadores (neocons), que dominam o pensamento decisivo em governos e empresas ganham espaço e começam a bolar táticas para proteção. Mais vigilância, mais perseguição. Tudo apoiado por mais tecnologia. E fora da cúpula das decisões, isso irá encontrar eco em muita gente que é intolerante. Não gosta do governo eleito, não gosta de homossexuais, de pobre, etc. Todos tentarão encontrar um novo 9/11 para efetivar seus medos. //// Dá pra trabalhar isso. Um dos meus próximos posts será como usar esses conceitos para falar da sustentabilidade.

Mídias sociais já eram - Não que elas acabem. Pelo contrário, serão cada vez mais importantes para um monte de coisas. Mas, não haverá grandes inovações. Tudo o que ocorrer nesse setor poderá ser considerado um avanço paralelo. Novas ferramentas que se ligam em outras, novas características que potencializam o que já existe ou fragmentação com novas redes de nichos. Isso não é ruim. Mostra que é hora de planejar direito o que fazer com tudo isso que fatalmente será parte da nossa vida.

A nova fronteira da tecnologia - Durante os últimos dois anos tenho conversado com muito especialista (dos bons) que pregava que coisas como Twitter, Orkut e Facebook seriam parte da última fronteira da tecnologia. Depois de digitalizarmos nosso comportamento, amizade, relacionamento, comunicação... interação social, enfim... nada mais restava. Pois eles não viram um lugar onde não havia tecnologia: dentro de nós. Olho com chip, pernas e braços que parecem computadores e neurosensores são parte de um desenvolvimento q tem sido pouco falado. A última fronteira não é expansão, é introdução. E é só o primeiro passo... Deixa o que nós conhecemos como informática mudar. Moléculas em vez de silício, química no lugar da eletrônica, nanotecnologia no lugar de gadgets.

Nerd é comum, Internet não é underground - O estereótipo de nerd equivale ao nosso "querido" CDF. Mas, a indústria de Hollywood e a mídia americana precisava de um termo para definir o jovem empresário que dominava o mundo. Não havia um rótulo para Bill Gates e seus seguidores. A gíria escolar nerd foi sublimada e difundida então. Há alguns anos, nerd (ou geek) não quer dizer nada. Basta saber algo mais sobre computador e cultura pop q vc é rotulado assim. Com a Internet, qq um pode saber isso. Ao mesmo tempo, o mundo digital não é mais novidade. Poucos grandes conglomerados produzem tudo o que vc lê (Vivendi, NewsCorp, Viacom, Disney entre elas.... A Globo, Estadão e a Folha no Brasil... ). Todas estão muito bem fora da Internet e dentro da Internet. Isso vem se acentuando. Tanto que o que geralmente é discussão nas redes sociais é só um reflexo do que passa nelas. E 2010 não teve um fato sequer que apontasse que nerd é algo que direciona ao novo e que Internet não é mainstream. OK... o Wikileaks... Mas, o site não mostra, na realidade, que é preciso combater esse mainstream? Em 2011 , não haverá jeito de achar q nerd é novo e Internet é underground. Será a pedra fundamental no túmulo desses conceitos que já dão sinais de ocaso há alguns anos.

Reconhecimento facial - É uma das únicas coisas em temos de tecnologia da informação que me entusiasma. Na excelente reportagem do NYTimes sobre computadores que fazem reconhecimento facial uma série de avanços é mostrada. As máquinas estão cada dia mais avançadas nesse aspecto. Recentemente eu vi uma demonstração de um aplicativo que seria inserido em cartazes de propaganda eletrônica (digital signage) e conseguia identificar se uma pessoa é homem ou mulher e qual o humor que apresentavam. De acordo com isso, uma dica de consumo seria apresentada. Argumentei sobre a possibilidade de cruzamentos com bancos de dados de cartão de crédito, contas de telefone etc. Assim, além de saber o q a pessoa apresentava naquele momento, seria possível tirar todo o perfil dela. Bom.... e ruim... a reportagem discute um pouco disso.

O que é um computador mesmo? - Eu tenho um carro meia-boca que a única parte cyber é uma central eletrônica que eu já troquei num ferro-velho. Mas, é um veículo velho. Hoje, a indústria automobilística está enfiando cada vez mais coisas digitais dos seus produtos. Os carros mais modernos, já no mercado, estão a um passo se transformarem em um smartphonezão com rodas. Se vc pensar bem, um celular poderia ser substituído por uma jóia de braço e um brinco. As empresas que trabalham com computadores vestíveis conseguiram estabilizar o custo de produção e estão prestes a entrar em uma economia de escala. Qualquer coisa que existe na sua casa pode virar um treco inteligente e conectado.

3D - Não é a TV... q, aliás, é um lixo e parece um monte de lâminas como sobras sobrepostas e que dá ânsia de vômito. Ver as coisas em três dimensões é algo útil e necessário. Não é nada novo. A humanidade sabe disso desde o Renascimento, desde os estudos sobre a perspectiva nos quadros, no séc 13. As porcarias das indústrias de tecnoologia é que não investiam para recuperar esse tempo perdido. Sairemos das trevas das duas dimensões.... a caminho da holografia interativa e da compreensão da Teoria M no dia-a-dia... Não! Não, não... Sem viagem... um simples 3D resolve.

Bioética - Tudo que deve se consolidar em 2011 leva a discussões legais, morais e éticas. Nada escapa. Com isso, questões sobre como matar seu pet robô, considerar ou não o recorde de um atleta com perna ciborgue, contratar ou não um funcionário com um biochip começarão a encher a cabeça de filósofos, especialistas de mercado, advogados e juízes ao mesmo tempo em que terão de pensar sobre novos sensores nas ruas, câmeras vigiando, banco de dados de cidadãos, chips na identidade, etc... Não acredito muito que usem esse termo. É muito novo e até assusta. Mas, no fundo estarão discutindo isso.

Direito fundamental 2.0 - Com tanto avanço, tanta vigilância, tanta oferta sendo mandada para meu prazer, a liberdade vira off-line. Todos têm de ter o direito de desligar o plug. Inovador e revolucionário será quem sabe lidar com o on-line e, principalmente, o off-line. Que sabe hackear o que não é on-line. Que sabe desligar tudo.... algo cada vez mais difícil.

2 comentários:

Paulinha disse...

"Qualquer coisa que existe na sua casa pode virar um treco inteligente e conectado." Isso me entusiasma!

Priscila Pavoni disse...

Olá Gilberto! Também sou jornalista e temos o mesmo sobrenome ... Meu avô, Adelmo Pavoni, veio da Itália aos 26 anos ... ele morava no Ipiranga, ai em Sp, mas agora está em Valinhos ...

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