quarta-feira, 3 de junho de 2009

Descubra se alguém está mentindo

Todos são mentirosos. É sincero somente aquele que é descoberto (Centlivre)

Dizem que há mentiras boas. Pode ser. A ironia poderia entrar nessa análise. Para alguns, a arrogância não é um vício, é algo de valor. Vai lá saber, disso depende muito o contexto onde se dá a falta da verdade. Voltaire disse uma vez que se a mentira causa boas coisas, é uma boa mentira. O pensador do Liberalismo, também conselheiro de déspotas esclarecidos, tinha fama de irônico e sarcástico. Então, devia saber, e só ele, o que queria dizer com isso. Mas, "boa coisa" é sempre relativo. Alguém sempre sai perdendo.

Mentir é natural dos seres humanos e, dizem, até dos animais. A gorila Koko, uma das celebridades do mundo científico, certa vez teve um acesso de raiva e arrancou uma pia de sua jaula. Aos olhos consternados de seus tratadores, o animal usou a linguagem de sinais que tinha aprendido para acusar: – Foi o gato! Apontando para seu bicho de estimação. Evidentemente não colou e isso deve ter tirado algumas notas de inteligência na avaliação de Koko (ou não?).

Se mentir é algo tão natural, o que seria do mundo sem mentiras?

Difícil imaginar.

Seria muito bom se pudéssemos saber se um assassino que sai da cadeia após cumprir a sentença irá matar novamente. Roubaria um homem de negócios que recebe habeas corpus? E um suicida que tem o dom de se expressar muito bem e esconder seus sentimentos, iria ele se matar após a última sessão de análise? São todos bom exemplos de como o mundo poderia ser melhor sem a mentira.

Quem crê na recuperação moral da sociedade conduzida pela verdade plena tem obrigação de conhecer os estudos do professor da Univerdade da Califórnia, Paul Ekman. Ele criou o detector de mentiras FACS (Facial Action Coding Systemque) nos anos 70, que usa técnicas de reconhecimento facial baseada em microexpressões para gerar uma margem de acerto praticamente exata, 75%. É possível tomar contato com o projeto pela Internet. Clique aqui.

Seu estudo para chegar ao engenho envolveu a pesquisa de 40 entrevistas gravadas com pacientes psiquiátricos. Esquadrinhando o modo como os músculos, olhares e demais comunicações não verbais se davam, ele chegou a uma tabela da verdade. Cruzando os resultados, é possível saber se uma pessoa mente ou não.

Se você se interessa pelo assunto e quer descobrir se alguém mente pode fazer um treinamento pela Internet acessando www.mettonline.com.

-Ponto. Pausa -

Antes de se entusiasmarem com um mundo sem mentiras, pesquisem sobre o teorema da incompletude de Gödel ....

-Pausa e mais pausa -

Eu iria escrever muito mais sobre lógica aristotélica, Kant e concepções filosóficas da verdade. Desencanei de tal complicação. Como vocês não veriam minha cara, não saberiam se eu estou mentido ou não. Por isso, acessem somente o site do treinamento. É útil. O site sobre Göedel, ainda mais.

Mas, posso estar enganado. Ou exagerando.

Desconhecer a verdade ou engrandecer o fato é mentir?

- e...

antes que eu me esqueça....

o título desse post pode ser um paradoxo -

:)

2 comentários:

Rodrigo Gonzatto disse...

Está escrito "sicero".

Gilberto Pavoni Junior disse...

corrigido. Grrato.

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