terça-feira, 16 de junho de 2009

Carne, pra que te quero?

Estamos churrascando o planeta. Esse é o alerta de muitos ambientalistas que propõem a eliminação ou, ao menos, a redução no consumo de carnes nas refeições. A idéia está muito bem exposta nessa notícia da Exame na qual o ex-beatle, Paul McCartney, ativista dessas causas, diz para que as pessoas deixem de consumir bifes às segundas-feiras. Seria o fim do Virado à Paulista nos botecos???

Se a idéia ganhar sustância, sim.


O caldo meatless (sem carne, em inglês) tem se encorpado. A cidade belga de Ghent, lançou recentemente uma campanha para convencer a população a não comer carne pelo menos um dia por semana. As alegações vão desde as preocupações com a saúde pública até os benefícios sobre o meio ambiente. Para incentivar essa atitude na população, altos funcionários públicos foram os primeiros a aderirem.

Não é um evento isolado. Na Holanda, o Partido dos Animais, produziu um bom documentário sobre as influências maléficas que os rebanhos de gado, suínos, etc. causam e como contribuem para o efeito estufa. “Meat the Truth” pode ser visto no Youtube. Nele, o alerta é claro: enquanto a frota mundial de veículos colabora para 13% do aquecimento global, somente a pecuária (sem contar a linha de produção fabril que leva bifes e nuggets para nossas mesas) fica com 18%. Você troca uma chuleta pela nossa camada de ozônio?

Não é um blá-blá-blá radical que costuma espantar quem não é VEGAN e tem o hábito adquirido de eras a fio de comer carne (eu aqui, por exemplo, esse carnívoro que escreve essas linhas mastigadas). O discurso é muito parecido com o Nobel da Paz, Rajendra Pachauri, presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Ambos aconselham a simples redução no consumo de carnes.

Um churrasquinho a menos no ano ou um dia comendo gostosuras meatless. Arroz, feijão e salada de beterraba no almoço. No jantar uma sopinha de cebola no pão italiano... e blz!
.... aliás, muito fáceis de se achar na Internet e até com pratos famosos da culinária tradicional como o panaché de legumes ou adaptações como o tutu de feijão sem ligüiça.

Esse movimento deve ir ao encontro de outra onda que pode afetar os negócios e o comportamento de consumo. Pais em todo o mundo estão preocupados com a OBESIDADE INFANTIL e a má-alimentação de crianças. Hambúrgeres, cachorros-quentes e demais lanches do tipo são duramente criticados e a tendência é que esse cerco aumente. Não será surpresa se algum dia pedirmos um nº1 no MacDonald's e a cestinha trouxer frutas e iogurte. Esse movimento saudável já é sentido nos EUA, conforme se lê nesse texto do blog de saúde do NYTimes.

No Brasil, o burburinho não é tanto. Fica um pouco maior por volta do Dia Mundial sem Carne, em 20 de março, e o Meatless Day, em 25 de novembro, quando alguns grupos vegan, anti-especismo e ligados a culturas orientais fazem manifestações.

É interessante quando o papo de respeito aos seres vivos se encontra com forças de mercado e é impulsionado pela tendência irrevogável do ambientalismo. Isso torna a onda abrangente e forte. Dá pra apostar nisso como novo comportamento. Se não total e radical, pelo menos será muito comum termos mais amigos e parentes adeptos do meatless casual.

A única parte que precisa de evolução ainda é o aspecto científico. A produção de carne-falsa - algo como bifes de laboratório - ainda é um experimento. Mas, há gente interessada nessas pesquisas. O Pessoas por um Tratamento Ético de Animais (Peta) ofereceu um milhão de dólares para quem criasse um projeto de carne-falsa em escala industrial.

Esse novo prato está cozinhando e em breve deve ser servido ao mundo. No cardápio, prepare-se para consumir o conceito de ALIMENTAÇÃO ÉTICA.

7 comentários:

Rodrigo Gonzatto disse...

Isso cai diretamente na idéia de vegetarianismo político.

Gilberto Pavoni Junior disse...

Pq diz isso? Vejo q, se configurando como uma atitude de consumo, impacta mais diretamente no lado econômico.

Rodrigo Gonzatto disse...

O vegetarianismo político, ao meu ver, é justamente a preocupação em diminuir o consumo de carne, pois a manutenção do sistema de produção desta ser insustentável e responsável por diversos problemas sociais.

Exemplo: eu decido diminuir o meu consumo de carne, não porque eu não goste, não porque eu me preocupo com os animais, não porque é caro. Mas porque ao comer carne eu incentivo sua produção e isso repercute no modo como se desenvolve a sociedade.

Francesco disse...

A escolha de comer menos carne e' antes que tudo uma escolha alimentar / de saude, depois ecologica. Agora tambem politica, mas como reflexo, como consecuencia, nao e' a causa primaria.

Comemos menos carne, sobretudo ai no Brasiu!

Gilberto Pavoni Junior disse...

Obrigado pela visita Francesco.
Todos devem concordar com o q vc aponta. Mas, esse aspecto político-econômico realmente me fascina. Me parece mais abrangente e menos focado no indivíduo... além de servir como fato decisório convincente para outros não tão preocupados com a saúde ou ecologia.
É mais um fator para pensar o tema.
Garanto q aí na Europa, o assunto é mais discutido sobre vários pontos de vista

abs

Popys© disse...

Tenho um 'quê' de dúvida sobre o papel de vilão 'da carne' nesta história toda. O fato é que com TANTA gente no mundo (!!!) quase tudo pode ser elevado ao status de vilão. Acho que seria muito interessante se, além desses comportamentos (que são importantes - que isto fique claro), mas que só tratam as causas, a gente pensasse mais seriamente na disseminação da idéia da importância do planejamento familiar. É muita gente no mundo e ele não tá mais dando conta!!!
Feita esta despretensiosa consideração, com o pedido de licença para visitar aqui o seu espaço, quero dizer que esta carnívora aqui achou o post muito simpático e não, não é nenhum sacrifício ficar um dia na semana sem comer carne não, mas não precisa ser logo o dia do Virado à Paulista, né??? eheheh
um abraço,
@popysp

Gilberto Pavoni Junior disse...

Boa popysp... é por aí.

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