quarta-feira, 21 de maio de 2008

Mulher melancia, Internet e globalização

Obviamente, todo nós conhecemos a Mulher Melancia e a dança que ela faz. E, sinceramente, não lembro o nome da moça nem estou afins de procurar agora no Google para colocar aqui no texto (faça vc mesmo isso e veja fotos e videos dela também). Mas, eu já sei o que é kuduru, juking, perreo, reggaeton, mapouka e funama (tem links pra tudo isso aí embaixo). Sei também que todas essas danças estão na Mulher Melancia.

A Mulher Melancia é fruto da globalização, de costumes, das fronteiras fugazes que ultrapassamos a um clique do mouse. Sua dança é um apanhado do estilo africano de expressão corporal que, pelo q parece, foi cooptado em academias por dançarinos profissionais --- provavelmente os americanos ou os europeus visitando suas ex-colônias em busca de novas inspirações.

Sei disso pq fiquei clicando por aí. Navegando na Internet -- >>> um hábito saudável que ainda deve constar em um post separado aqui no Techboogie. Mas, voltemos.

É uma dança que, em princípio falaria a linguagem do país em que se desenvolveu. Seria vernacular. Mas, virou global. E o que ela diz? Simples alegria, satisfação com o corpo, expressão de desejo e superioridade de um grupo de indivíduos.

Hoje, há um despertar de uma individualidade que faz com que as pessoas tentem controlar-se em meio a prognósticos de um mundo sombrio de Aldous Huxley ou George Orwell. A dança da Mulher Melancia é um manifesto contra isso. Não está escrito, mas está claramente explicado.

A improvisação é a meta. A marca é a pessoa. É sexo? É. Pra caramba, principalmente para quem assiste. É um simples produto? Sim, e exportável. Mas, acima disso, elas mexem a bunda pq de alguma forma isso significa liberdade e reconhecimento em qq parte. E não é a bunda. Qtos músculos se movem nessa dança? Lembre-se também que a Mulher Melancia é uma dançarina, uma trabalhadora do ramo do entretenimento. E ela está pronta para se vender mundialmente, nesses conceitos.

E isso serve para qualquer cultura, em qualquer parte, para qualquer raça ou cor de pele. É, para uma simplificação, uma booty dance mundial. A dança da bunda que dominou o mundo. Na verdade, estava dominando já pela globalização e isso foi aumentado com as redes digitais de comunicação.

É fácil tomar contato com isso na Internet. Se hoje a Mulher Melancia se vangloria de uma capa na Playboy e apenas é vista como um subproduto da Gretchen, há mais. Ela é a novidade de algo que apenas tomávamos conhecimento na TV, mas existia há tempos na África e nas academias de dança pelo mundo afora.

Hoje, podemos ver isso no Youtube... e a proliferação da booty dance é apenas uma amostra de como culturas regionais podem se expandir com tanta mídia ao alcançe de nossas mãos. Procure e veja qtas americanas, brasileiras e européias estão na Internet imitando a booty dance. Aqui cabe lembrar que a globalização é um fenômeno maior e mais antigo que a Internet, que só facilitou a troca de informações e impulsionou a primeira.

E qual será o próximo vernáculo a se tornar global? Pq vc não descobre sozinho?

Conheça mais dessa expressão e curta o feriadão.
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kuduru - 1 não vi nada de duro nisso aí; e 2 (veja o que é expressão corporal, e eles não têm a perna)
juking - não sei o que é to juke, mas aparentemente é isso q o cara está fazendo com a garota.
Perreo - Se vc acha o Créu audacioso, veja isso!
reggaeton - aparentemente isso começou no Panamá, ou foi na Jamaica para os USA e voltou... não sei.
Booty house - ah! Fácil! Bunda e house juntos.
Soukous - também conhecido como Congo... e surgiu.. adivinha?
Grupo de dança da etiópia -
mapouka ou macouka - da Costa do Marfim. E, que costas!!!
banghra - me falaram q há coisas mais picantes na banghra, mas não achei.
Funama - parece nome de órgão do governo para políticas públicas. Não é. Nem pudicas.

movimentos do lap dancing - tem um aspecto profissional aqui, não?

4 comentários:

Anônimo disse...

Isso tem a ver com aquilo que você teima que o rock morreu com o Slayer?

opiumseed disse...

Acho que os primeiros refluxos do vernáculo lombar cooptado foram os clipes de Rap, R&B e Hip Hop dos anos 70/80.

Para um exemplo antigo e outro contemporâneo de clipes, basta ver o Bust a Move do Young MC e My Hump do Black Eyed Peas.

Os traseiros já se sacudiam dentro da cultura norte americana (celeiro da cultura de massa) desde o início de sua história multiétnica. Os primeiros Hipster (Hip é quadril, o hipster é o rebolador, assim como o Hip Hop é o Hop do quadril) dos anos 40 e 50 eram os brancos indo aos clubes negros aprender a dançar.

Pelo gingado do quadril se migra de realidade social e se transforma o mundo. Nada mais democrático que uma rebolada.

Gilberto Pavoni Junior disse...

anô - sim, tem a ver. E tem tb com outra coisa q digo: "a TV já não é o melhor lugar para assistir videos de música". No fundo, esse post é uma programação no estilo MTV... ou SuperPop, para os mais antigos.

opiumseed - sabe que exsitem uns filmes da pré-história do rock n roll tinha danças audaciosas dessas? E era anos 50. Era o underground da época.

Claudia Dall'Ovo disse...

Feriadão serve pra muitas coisas.. em minha ida ao zoo descobri que tem um veadinho que se chama Kudu, natural lá da África... será que tem algo a ver com o tal do Kuduru?
olha a imagem dele aí http://www.cathouse-fcc.org/gifs-jpegs/southafrica/kudu.jpg

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