quinta-feira, 24 de novembro de 2005

Adeus emprego

A situação de trabalho para os jornalistas não está fácil. Muito trabalho, pouco dinheiro e quase nenhum reconhecimento... Mas, como diz Murphy, tudo pode ser pior ainda no futuro. Muitas redações estão trocando os textos dos jornalistas por material enviado pelos leitores. A tele celular Claro acaba de fazer isso com o Foto Repórter Estadão.

Na europa, essa prática está consolidada. Tanto que o Sindicato Nacional de Jornalistas do Reino Unido e Irlanda (NUJ) chama esses leitores de testemunhas-cidadãs ou colaboradores-testemunhas... como se isso fizesse a menor diferença para quem consome a notícia.

Para mim, seções de Viagens, Cidades (principalmente buraco de rua), Policial e Colunas Sociais devem ser as primeiras a serem destroçadas com essa nova relação... depois, caem todas... sobrará quem consegue ter estilo literário próprio e opinião validada pelos leitores.

Chris Elliott, editor-executivo do The Guardian, diz que a preocupação maior das empresas de mídia é "aumentar a interatividade" e não cortar custos com mão-de-obra. E ele está certo. Há tanto jornalista desempregado q seria muito fácil arrumar algum por um salário menor... mas isso não resolveria a interatividade a q ele se refere.... Poderemos entrar em uma época de textos mais emotivos e menos eqüidistantes??? ....Certamente... Mas, talvez seja essa mesmo a saída.

7 comentários:

Ale Carvalho disse...

andei olhando o Foto Repórter. Imagens sobre trânsito, chuva, árvore caída, que são coisas bem do dia-a-dia. Isso já rolava de certa maneira antes, mas sem fotos, só com cartas. (Até me lembrou daquele jornal extinto do SBT o "Aqui Agora", onde o repórter enfiava o pé na lama e tal.). Aguardo uma situação de "impacto" pra ver o desempenho do pessoal das fotos cotidianas.
Aliás, no Comunique-se, tá rolando um pau sobre a questão que vc puxou por causa da proposta do cidadão-jornalista. Não tive paciência:**
http://www.comunique-se.com.br/index.asp?p=Conteudo/NewsShow.asp&p2=idnot%3D25061%26Editoria%3D135%26Op2%3D1%26Op3%3D0%26pid%3D154430329%26fnt%3Dfntnl

Gilberto Pavoni Junior disse...

Olha... nem vou ver.. estou meio cansado desse corporativismo q não resolve nada e acaba criando uma elitização de quem sobrevive no mercado.

Edu disse...

É meu velho editor, a casa tá desabando, não tá mais caindo. Como vc se lembra bem, viramos "commodity". Qualquer Zé Ruela vai se transformar em "jornalista".

Edu disse...

Ah, esqueci, vou postar esse se texto no Pérolas... com os devidos créditos!

Françoise Terzian disse...

Gente, eu entendo que estejamos vivendo uma era da interação e da aproximação com o leitor-ouvinte-telespectador - afinal a internet, a telefonia móvel, o rádio digital, a tv digital permitirão isso.

Mas a questão é: se houver troca onde vão parar a ética, a objetividade, a assertividade? receber imagens do leitor é uma coisa, colocar uma matéria séria de denúncia, tendência, análise é outra. não sinto que estamos ameaçados, mas obrigados a nos reinventar.

Alessandro Martins disse...

Concordo quando dizem que precisamos nos reinventar. É preciso que todos estejam atentos às mudanças para acompanhá-las de alguma forma positiva sem sermos passados para trás. Não acho que exista um "vilão" em especial nessa história, talvez até exista. Mas as mudanças acontecem independentemente deles. É só ver como era o jornalismo no início do século XX e como é hoje. O do final do século XXI será bem diferente do de agora.

Mari Ceratti disse...

Já era, Edu... a era dos Zés Ruelas transformados em jornalistas começou muito antes da criação do foto-repórter do Estadão. Basta lembrar de cabeças pensantes como Feiticeira, Tiazinha e todos os atores da Globo transformados em repórter por um dia (risos).
Ficou stáile esse seu template novo, Giba!!!Agora só falta um link para o MCDQEPD :-D
Beijos!! Mari

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