segunda-feira, 18 de abril de 2011

Realidade reprogramável

O que significam os novos materiais para o futuro da tecnologia?

Olhe ao seu redor e responda. Um telefone preto é um telefone preto, um abajur é um abajur, uma cadeira é uma cadeira sempre? Sim - dirá você... provavelmente com uma insinuação não muito elogiosa à minha pergunta.

E se eu dissesse pra vc que as coisas são assim pq são assim? OK... mais sutis espinafradas...

E se eu dissesse que as coisas são assim pq não se inventou nada melhor do que isso?... ainda.

Tudo na vida é passageiro. Não é esse o ditado?

E há muita coisa sendo desenvolvida por aí que realmente quer fazer o dito valer na realidade. Querem reprogramar o mundo. Transformar radicalmente as coisas como elas são.

Por exemplo. Há um grupo de cientistas trabalhando no conceito de Claytronics para que tudo em nossa volta seja matéria programável e mutável. Assim, um telefone pode ser também um laptop. Veja o video abaixo



Incrível.

Mas, não quero me deter no conceito de Claytronics. É fácil achar referências sobre isso na Web se vc ficou curioso demais com isso.

O que eu quero alertar é para a mudança radical que pode ocorrer se houver inovação nos materiais, conceitos e processos. Se as coisas começarem a ser produzidas com nanorobôs em vez de plástico e aço inerte, o mundo a sua volta muda completamente. E essa não é a única coisa que pode deixar vc de boca aberta.

O próprio Claytronics, que parece uma viagem na maionese, conta com vários protótipos criados pelos pesquisadores da Carnegie Mellon University. Há também tintas que mudam de cor de acordo com os spins (algo que pode ser programável e não apenas como os brinquedos que precisam molhar para trocar a cor). Há o vidro mais forte do que o aço. Há o grafeno para novos chips de computador e mesmo uma chance de ser fazer um computador quântico, no qual os bits zero e um são zero e um ao mesmo tempo.

Há realmente muita coisa sendo criada. Procure por "new materials" por aí. Se esses novos materiais conseguirem produção suficientemente barata e em grande volume, podemos esperar mudanças radicais de uma hora pra outra. Algo parecido com as indústrias de papel e celulose terem de conviver com a Microsoft, Facebook, Apple e Google como concorrentes.... e vc começar a achar legal ler um jornal numa telinha que cabe na mochila.

Só que no caso dessa mudança que citei, houve uma digitalização do que era conhecido. Os novos materiais vão promover a qualquercoizalização do que conhecemos. Não dá pra definir um termo pq nem sabemos o que irá ocorrer. Poderia ser a claytronização, por exemplo.

Negócios surgem onde jamais se imaginava. Que tal uma granja de termoplásticos? Que tal uma limpadora de água contaminada com radiação que funciona com resíduos da fábrica de sopa de ostra? Ou uma construtora de estradas e geradora de energia?

Ainda não dá pra saber o que pode dar certo de tudo isso. Mas, é bom vc se acostumar a olhar o telefone preto da sua mesa todo dia e se perguntar: isso ainda é um telefone?

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Carros x banda larga

Não sei se vcs perceberam mas há uma série de carros sendo desenvolvidos que dispensam o motorista. Os chamados driveless car pilotam sozinhos. Vc não precisa acelerar, desviar de buracos, das madames na pista da esquerda, de cachorros (cachorros-loucos inclusive.... se é q me entendem), estacionar é uma manha etc.

Acho engenhoso tudo isso. Há um medo de dirigir entre os mais jovens que, por empirismo, tenho notado que vem crescendo. Creio que é algo relacionado com o clima de guerra que virou o trânsito e tb pq há muita gente que consegue se virar com transporte público ou alternativo.

Não é meu caso. Moro fora de São Paulo e qq coisa que eu faça que necessite de deslocamento envolve algumas dezenas de quilômetros. Não é legal vc chegar numa reunião de bicicleta e suado após pedalar 40 Km...

Google, Audi, VW, Mercedes são algumas das empresas que possuem projetos de carros-sem-motorista. Aparentemente é uma boa. Mas, não é. Antes de se deslumbrar com o tema, pense: "pra que mesmo se deslocar tanto"?

Essa é a questão que pode fazer esse desenvolvimento tecnológico estacionar.

Vou dar meus exemplos de vida. Em geral, eu me desloco para reuniões, entregas de documentos e notas fiscais (vida de free lancer, saca?), e cobertura de alguns eventos. Essa é minha vida profissional. Tirando o último, tudo daria pra ser feito em home-office. Bastaria uma conexão de banda larga boa e barata. Não temos. (expliquei tb a falta de banda larga para outro problema das cidades no último post)

De resto é vida pessoal. Escola, levo alguém pro metrô ou ponto de ônibus mais fácil e talz. Isso já é meio complicado de resolver com banda larga. Meio. Pq na verdade, muitas das funções desempenhadas em outro local são basicamente telefone, computador e Internet.

Na real, só sobra a escola na minha vida que depende de deslocamento. Algo q um ensino a distância resoveria.

Então, a pergunta que fica é pq o driveless car e não mais conexão? Eu preciso criar o adesivo "Meu outro carro é uma banda larga"...

A resposta é interesse comercial. A indústria automotiva é, talvez, a mais significativa da economia. É uma das únicas que a qualquer soluço da economia pode bater na porta do governo e dizer "olha, vamos perder tantos mil empregos e vc deixará de arrecadar tantos milhões em impostos". As contas demoram minutos para serem feitas e são reais. O setor conhece a cadeia produtiva de cabo a rabo e conta as vagas e as obrigações com o fisco desde o fabricante de parafuso até o vendedor da concessionária. Quase todos os outros setores são meio lerdos em fazer isso.

Pra mim, é por isso q a indústria automobilística ainda irá definir vários avanços tecnológicos.

E o carro-sem-motorista pode ser um desses. Ele serve pra esse ramo da economia e tb para o da indústria de petróleo.

Se fosse pegar meus gabaritos de pensamento eu descartaria na hora o driveless car. Mas, é impossível. É algo que cabe no mundo de hoje.

E eu ainda acho q eles serão um serviço essencial para as empresas de telecomunicações. Pq elas vão fazer o possível para adiar que vc tenha uma banda larga suficiente para que vc não saia de casa.

Um erro.... pq as teles poderiam lucrar com vários serviços digitais. Poderiam diminuir o trânsito nas cidades. Evitar poluição etc.

Mas, é mais provável que daqui a cinco anos vc compre um VW inteligente com patrocínio da Telefônica do que realize sua reunião por telepresença sem gastar gasolina e sem poluir o planeta.

A indústria da "economia digital" pode reverter isso. Só terá q ser tão profissional quanto a automobilística. Por enquanto, e talvez pelo histórico mais longo, isso é utopia. Espero, sinceramente, estar errado.

...é, o trânsito de segunda-feira faz isso com a gente.

sábado, 9 de abril de 2011

Motoboys? Não, prefiro pomboboys

E se houvesse um jeito de substituir as motos por alguma inovação tecnológica? Essa não é uma pergunta solta no ar. É um questionamento para a solução de um problema atual. Quem mora em grandes cidades já deve ter pensado em como evitar o atual crescimento do volume de motos nas ruas. O veículo de duas rodas não é o problema em si. O problema é a situação de disputa por espaço e os acidentes causados.

Veja o video antes de continuar o texto. Vamos liberar os grilhões do problema.



Quem mora em SP sabe o que estou falando. Todos os dias há retrovisores a menos e vidas a menos por conta dessa briga no trânsito. Carros e motos duelam por centímetros e por segundos. Por aqui há uma para cada seis automóveis e acredita-se que, se mantido o ritmo de crescimento de três vezes em relação aos carros, em 2013 teremos 1 milhão de pilotos sobre duas rodas. Outras regiões enfrentam a mesma situação.

As motos são ágeis, menores, e, pelo menos as mais modernas, são até menos poluentes do que os carros que percorrem mais Km com menos combustível. Apesar disso, são mais problema do que solução. Isso ocorre porque simplesmente as cidades não foram projetadas para motos. Sem espaço, elas andam no meio dos carros e causam acidentes fatais.

Mortes já são ruins por si só. Mas, em um país onde falta mão-de-obra elas são ainda uma garantia de estagnação econômica (e é bom q se tenha isso na cabeça pq políticos e empresários costumam pensar mais em cifrões do que em vidas).

Em SP, e em toda grande cidade com forte apelo no setor de serviços, boa parte das motos são os motoboys. Em outras cidades não. Rio Claro, por exemplo, muitas motos servem para levar operários para a fábrica. Mas vamos nos concentrar em SP. Aqui, são profissionais que andam daqui pra lá com documentos a serem entregues em prazos mínimos. Velocidade e audácia no trânsito são parte da rotina deles.

Reduz isso.

São possíveis tetraplégicos, defuntos e amputados correndo contra o tempo para agradar o cliente. Meio medieval isso não? Lembra muito os operários da indústria têxtil no início da Revolução Industrial q podima morrer no calor das fábricas pq seriam substituídos como uma peça do tear mecânico. Não faziam falta.

Ess tipo de visão não encaixa no mundo de hoje que é mais humano.... apesar de tudo. Nos preocupamos com a vida alheia mais do que no tempo dos senhores feudais e dos protocapitalistas do século 19.

Como substituir isso?

Eu costumo, há anos, brincar que para diminuir o número de motoboys em SP basta ter banda larga. A inclusão empresarial trataria de eliminar boa parte dos envios de docs pra lá e pra cá simplesmente pq isso seria feito pela Internet.
Ainda hoje isso é uma verdade. Muitos documentos poderiam ser transformados em bits e transmitidos para outro lugar.

No entanto, isso não é 100% válido. Há papéis que precisam ser vistos da mesma forma que são fisicamente. Os bits não resolvem.... ou resolveriam se a digitalização, transmissão e impressão do outro lado fossem 100% confiáveis. Ainda há uma série de dificuldades para isso. Outros docs precisam ser assinados no original. Não pode haver qq tipo de cópia pq há questões legais q invalidariam o papel replicado. Enfim... só banda larga e cultura digital não resolvem.

Então, como aprimorar isso?

Pombos-correio!!!

É sério.

Escutei isso há anos de um empresário que comandava um rede de EDI, algo mais confiável do q a Internet... ainda hoje... apesar de mais caro.

Pombos?!?!

É... usar esses ratos de asa talvez não fosse o melhor. Essas aves são transmissores de doenças neurológicas. Não adianta resolver um problema para criar outro. Não adianta solucionar as mortes no trânsito e os acidentados na ortopedia e criar outras na neurologia.

Qual seria a saída?

Robôs-pombos. Sim. Uma rede de pomboboys para substituir os motoboys. Sem doença, sem acidente, sem retrovisores quebrados etc.

Não é algo que já está pronto. É algo para ir adaptando.

O robô-pombo da Festo do vídeo é uma saída. O problema é que apesar dos movimentos planos, parece que o treco não voa como o pássaro. Ele não é ágil, não desvia, não tem os reflexos de um pombo. Se fosse adotado para substituir os motoboys de SP provavelmente bateria numa antena de celular ou de TV e traria mais problemas do que soluções.

É preciso juntar isso ao estudo do MIT que pretende criar um sistema q "pense como um pássaro". Que desvie das coisas e aja como se estivesse numa floresta voando.

A união dos dois já seria mais da metade do problema resolvido. De resto, é preciso criar rotas e estrutura para o serviço. Esse primeiro é fácil com um GPS e até o rastreamento ficaria facilitado. O segundo é um pouco mais complicado. Mas, nada impossível. Seria preciso criar locais de decolagem e de pouso para os robôs.

Reformas em prédio seriam uma encheção de saco para os condôminos, porém seriam mais simples do que reformular todo o trânsito das cidades por causa das motos. O uso dos robôs seria feito pelas empresas de courrier, o q elimina a necessidade das teles investirem em banda larga (algo q é realmente ideal para a gente descartar). Os profissionais sobre duas rodas poderiam ser incluídos na indústria de serviço e não correriam o risco que correm no trânsito louco de hoje.

O maior problema é q isso não está OK. É uma solução para uns cinco anos. Mas, quanto tempo demoraria para adaptar as cidades às motos?

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