quarta-feira, 30 de março de 2011

A invasão das telas, Big Brother Brasil e o delivery

Já repararam que o mundo está sendo invadido por telas? Pense quantas são parte de sua vida durante um dia. Vou dar algumas pistas de onde elas estão:

  • TV
  • PC
  • Celular
  • Propaganda nas lojas e outros digital signage do varejo
  • Painéis em lanchonetes
  • Tablets
  • Notebooks
  • Elevador
  • Ônibus e metrô
  • GPS
  • Porta-retratos
  • Lousas da faculdade
  • VideoWalls - um dos estádios da Copa do Qatar será todo "murado" com telas

Existem outras q não lembrei nesses minutos escrevendo esse texto.

São tantas que o fundador da revista Wired, Kevin Kelly, chega a criar um verbo para isso. Ele chama essa tendência de screening e acredita que tudo possa virar uma tela... qualquer superfície. E é a mais pura verdade.

Há diversas pesquisas e conceitos de produtos que trabalham a idéia de "telar" qq coisa.

Em alguns filmes e seriados da TV já é possível ver mesas transformadas em telas. Em vez de ficar usando mouse e olhando para algo apoiado na sua frente, vc usa uma mesa touchscreen para fazer tudo que faria no seu antigo computador de mesa. Não é algo popular, mas irá ser.

Algumas empresas de eletrônicos estão se aproximando do mundo da moda para usar a roupa como tela. Já existem alguns exemplos por aí e a novidade já apareceu em alguns desfiles badalados. Pena que não houve o destaque ideal no noticiário.

iPad,Kindle e outros aparelhos do tipo, embora tenham diferenças conceituais, são um outro tipo de avanço nesse screening. Eles transformam o papel em tela. Não é por acaso que a indústria de jornais, revistas e livros mostra tanto interesse em participar dessa revolução.

Onde isso vai parar?

O próprio Kelly dá algumas dicas nessa notícia aí do TechCrunch (mas, não consuma tudo de uma vez pq há alí alguns deslumbramentos e focos demasiados em modelos atuais que buscam rentabilidade). Ele acredita que além do "telar" existem mais cinco verbos que irão nortear os avanços tecnológicos nesse aspecto. Três deles são de fácil compreensão por quem já utiliza alguns desses equipamentos citados acima:

Interagir, Compartilhar e Acessar.

praticamente um resumo de qualquer palestra meia-boca sobre tendências tecnológicas for dummies


Um quarto verbo é Fluir. Isso tem ligação com o envio imediato do conteúdo. O streaming no lugar do vídeo gravado. O "ao vivo" em vez do fato defunto que provavelmente já foi twittado ou enviado por SMS. O imediatismo, o "aqui e agora", etc (lembre-se aqui q eu pedi para não acreditar piamente em tudo nem com fé cega).

Há tb o q ele chama de Generating - que seria o produzir algo em cima do subsídio disponível no mundo. É como se vc fosse uma máquina de gerar conteúdo. Pode copiar simplesmente ou usar algo desse manancial de recursos e fabricar uma outra coisa com algum diferencial, mesclar mais de duas coisas e meter suas próprias idéias naquele primeiro material coletado. Talvez a imagem de pegar uma pedra bruta, imaginar uma jóia, lapidar, colocar num suporte e expor seja a mais ideal.

Tem de ser algo difícil de copiar na forma ou no prazo porque outros terão acesso ao mesmo material primário. Diferenciais ou rapidez extrema... ou ambos.... vc escolhe.

Esses são os verbos

Existem outros avanços que podem vir por aí, como sensores e novos materiais que transformam realmente qq superfície em tela -- e não "coloque uma tela em cima de qq superfície".

Mas é preciso que tudo seja usado simultâneamente.

Pq eles podem agravar um problema que já vivemos. Com tantos novos canais disponíveis, o que colocar neles?

Eu não gostaria de ver Big Brother Brasil por todo lugar que olhasse. Iria enjoar da mais bela musa do cinema se ela me perseguisse do elevador ao mictório do bar. E seria extremamente desinteressante ser bombardeado pela mesma notícia factual durante horas num único dia.

Ou seja.... além de decorar como funciona esse novo mundo é necessário transformar tudo isso num mundo novo. Tenho certeza que muitas empresas irão aproveitar isso para ampliar o faturamento em cima do mesmo produto. Irão enfiá-lo em tudo.... o que trará sim mais dinheiro e, devido ao modelo de economia de escala, tornará o ecossistema do negócio mais barato.

Contudo, é bom que não forcem a barra ...

porque senão a única revolução que o mundo das telas irá promover será o aumento gigantesco do delivery.Ninguém irá sair de casa.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Você é a Interface

O impressionante video abaixo mostra alguns estudos sobre o uso do corpo como interface tecnológica. É uma das linhas de pesquisa sobre o futuro de dispositivos, principalmente celulares. A idéia é simples. A parafernália de nervos, músculos, pele e ossos do nosso corpo é capaz de emitir sinais com mais precisão do que qq outra máquina inventada. O problema até agora era: "como fazer as bisonhas máquinas q inventamos até hoje comunicarem-se com essa outra máquina muito mais superior e maravilhosa"? A resposta está aí.
Aos 58 segundos de video é mostrado como jogar Tetris sem teclado ou joystick, apenas tocando os dedos.... coisa pra impressionar nerds.



Essa tecnologia é a Skinput, da Microsoft. Já havia sido anunciada há pelo menos um ano e nos últimos dias voltou aos foruns de tech. Parece que por causa de uma notícia na FastCompany que ligava isso ao desenvolvimento do Kinect - o apetrecho para consoles de games da MS que é comandado por gestos.

Tudo a ver. É bem promissor mesmo. Há diferenças entre elas, como o uso da acústica do corpo... mas, tem lá suas ligações evolutivas também. Por enquanto, o que temos são iniciativas dispersas.

Nesse outro artigo sobre os caminhos futuros do reconhecimento gestual por sensores, vemos que não só Microsoft, mas Google e Apple tb estão investindo de alguma forma nisso. Ainda focados no mercado atual de games e não exatamente nesse do video. Mas, deve ser uma questão de tempo. O executivo de uma empresa de sensores fala isso nesse texto. Finalmente a tecnologia de reconhecimento gestual foi aceita pelo "mainstream".

E, se foi aceito, é sinal q já está sendo comercialmente aprimorado.

Será preciso algo mais confortável para o Skinput. Questão de tempo. Enquanto isso, as possibilidades começam a surgir com o que há de disponível atualmente.

Há inclusive grupos de hackers kinecteiros trabalhando modelos pouco convencionais de interação com a plataforma Kinect atualmente.

A Skinput ainda é coisa pros próximos anos. Mas, o lance do Kinect e do reconhecimento gestual é pra daqui a pouco. Não é por acaso que a Softkinetic, uma empresa especializada na plataforma, tem o slogan "The Interface is You". Há muita novidade pronta pra despontar aí.

Uma aplicação prática é usar uma enfermeira-robô que imita o que o cirurgião faz (coisa q pode funcionar até mesmo a grandes distâncias). Pesquisadores de empresas de eletrônicos esperam usar as tecnologias de reconhecimento gestual para aprimorar monitores de TV e telas touch screen de celulares.

E, como não poderia deixar de ser, o exército americano tb está estudando a trolha. Uma espécie de Wii para pilotos controlarem as aeronaves fazendo aviãozinho com as mãos.

A Lenovo mostrou há alguns dias seu laptop capaz de reconhecer o movimento dos olhos. Outra empresa q planeja ganhar mercado aí é a Primesense. Aqui tem um video com as possibilidades

O duro é imaginar tudo isso funcionando num mundo de tecnologia ubíqua e hiperconectado. Não vai dar pra se mexer muito sem enviar um twitt para seus amigos... e eu nem quero imaginar o q artistas performáticos vão inventar com isso nas mãos... nos pés.. e em outras partes do corpo.

---- Mais

Vi isso hoje - Movimentos do corpo são capazes de controlar um robô-humanóide

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