Crítica sobre a Internet
TweetO editor da revista libertária espanhola on-line La Insignia, Jesús Goméz, concedeu uma boa entrevista à Nova-e, em 2003. Recentemente, esse texto me foi passado pelo João Caribé, na verdade, enviado a um grupo de discussão sobre política e cibercutura do qual participo. Nessa conversa, ele faz uma boa crítica sobre o momento da Internet, as questões sobre o vigilantismo na web e o avanço de grandes corporações no mundo on-line, que hoje são bem claras. É um escrito que me pegou.
É um dos poucos textos, nos últimos anos, que li e li novamente várias vezes para ver se tinha perdido algo. O bate-papo pode ser conferido integralmente nesse link. Mas, eu resolvi destacar umas frases que achei emblemáticas e servem de direcionamento para o futuro do que se pensa sobre Internet.
A rede está cheia de publicações generalizadas, culturais, acadêmicas, etc, que não lêem nada e que não conseguem seus objetivos porque partem de premissas equivocadas.
A Internet é um meio radicalmente democrático para os que têm a sorte de poder acessar.
A Internet está provocando uma verdadeira revolução cultural que, entre outras coisas, têm gerado um novo tipo de cidadão, menos isolado, com mais recursos informativos e, portanto, mais livre, mais exigente.
Como qualquer outro instrumento, a Internet pode ter finalidades múltiplas e, inclusive opostas.
No momento, mil publicações pequenas seguem sem ter nada que se assemelhe ao grau de influência simbólica - de poder social - de um grande meio de comunicação, ainda que, de vez em quando, possam danificar a máquina ou influenciar no processo.
Manter a independência tem um preço muito alto em qualquer meio de comunicação, inclusive na Internet, e, lamentavelmente, nem os leitores, nem os próprios autores, têm consciência da situação geral.
O lingüísta estadunidense Noam Chomsky afirmava que, caso não impedíssemos, a rede terminaria nas mãos das grandes corporações.
Se conseguirmos nos dotar de instituições internacionais democráticas, com capacidade e recursos para impor-se às grandes empresas e aos próprios estados nacionais, temos alguma esperança.
Algumas questões da Internet foram supervalorizadas, ao mesmo tempo em que elementos importantes são tratados por alto.
É indiscutível que a Internet facilita e cria relações que, de outro modo, não existiriam, mas ela não substitui o trabalho de rua, nem nas universidades, nem nos parlamentos.
A verdadeira importância deste meio se encontra na ruptura do isolamento das pessoas.
O Capital (...) quer impedir a todo custo que tenhamos uma perspectiva total dos problema, que nos comuniquemos e estabeleçamos laços e estratégias comuns.
Há interesses de todo tipo, decididos a instrumentalizar e domesticar a Internet. Contudo, não vão conseguir enquanto se continue criando revistas, jornais, malas diretas, blogs e foros de debate da melhor qualidade, além de outros produtos afins.